BRASIL

X fora do Brasil

Publicado em


Elon Musk, dono da rede X, ex-Twitter, e o ministro do STF Alexandre de Moraes
Agência Brasil

Elon Musk, dono da rede X, ex-Twitter, e o ministro do STF Alexandre de Moraes


O fato do momento é a exclusão sumária do X do Brasil , por ordem do Ministro Alexandre de Moraes , do STF . Ok, não foi exatamente uma exclusão, mas uma suspensão sem prazo de retorno. Na prática, está mais para uma exclusão do que uma suspensão.

Escrevi já poucos dias aqui um texto em que me referia a Moraes como um elemento onipresente na vida social do país. E o último episódio desse embate apenas confirma esse protagonismo midiático do ministro Moraes.

Para além da questão de imagem e recorrência, a decisão em questão é para lá de questionável e certamente polêmica. A simples suspensão das atividades do X é algo legalmente possível. A questão é como isso se deu. Moraes cumpre funções de delegado, investigador, promotor de justiça e também juiz e, mais ainda, faz tudo de ofício. Nenhuma decisão é tomada de forma colegiada , mas sempre — de um ponto de vista técnico — monocrática e liminarmente.

Para quem não sabe, o magistrado (juiz) age apenas quando provocado a agir. Em situações muito específicas age por conta própria, ou, como se diz no jargão jurídico, de ofício. Se agir por conta própria é exceção nas atividades de um magistrado, o que dizer quando essa exceção se transforma em regra?

Indo adiante, a decisão contra o X é claramente desproporcional e num ponto específico beira o abuso puro e simples. Na parte final da decisão, consta que quem, pessoa física ou jurídica, tentar acessar o X , poderá responder com a mesma multa imposta à empresa X, ou seja, R$ 50.000,00. Assim, alguém que sequer faz parte da ação ou do procedimento pode sofrer uma penalização claramente descabida.

Apesar de ser uma outra decisão, contudo relacionada diretamente ao X, o mesmo Ministro Moraes determinou bloqueio de recursos da empresa Starlink para pagar multas inadimplidas pelo X. Isso foi feito porque um dos sócios da Starlink é também sócio do X, o empresário Elon Musk . Duas empresas, com atuação totalmente diversas, são tratadas como grupo econômico simplesmente por compartilharem Musk como um de seus sócios. Vale tudo para receber os valores não pagos pelo X? Parece que sim.

Leia Também:  Brasil despenca no ranking dos países mais solidários do mundo

Outros ministros do STF

Há quem defenda que Moraes age de modo enérgico, porém seu pares servem ou serviriam de freio ou contrapeso a esse afã idiossincrático e por vezes autoritário do ministro. A realidade, no entanto, contraria essa expectativa. A Starlink impetrou um mandado de segurança para desbloquear as suas contas e, por decisão do Ministro Cristiano Zanin , o pedido foi negado. Na mesma linha, mas para um outro caso — que também envolve diretamente o Ministro Alexandre de Moraes –, a defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes, pediu que este último saia da presidência do inquérito que investiga o vazamento das mensagens (Vaza Toga) por estar envolvido de modo direto no caso, mas, o presidente do STF, Ministro Luis Roberto Barroso , negou o pedido.

Se analisarmos os países desenvolvidos, descobrimos um ponto de contato: em nenhum desses países, suas respectivas Cortes Supremas são personagens sociais centrais, protagônicos, e muito menos ainda seus ministros julgadores integrantes do tribunal. Desse modo, nenhum magistrado, mais ainda de Suprema Corte, pode ser tratado como um “popstar”, uma figura pública no sentido midiático do termo.

Isso se prende ao fato de que os grandes temas de interesse da sociedade, as grandes discussões, em tais países, se estabelecem no parlamento, a casa da democracia por excelência, vocação e natureza. Afinal, deputados e senadores são escolhidos pelo povo, Ministros de Suprema Corte não. E o sistema funciona assim mesmo: o Poder Judiciário não tem o compromisso de atender a vontade popular, mas aplicar as leis e, no caso do STF, proteger e prestigiar a Constituição Federal .

Leia Também:  Batalhão dos Poderes será construído no centro de Brasília

Futuro

O que virá pela frente não há como prever e só isso, apenas essa insegurança informativa sobre a atuação futura de uma instituição fundamental como é o caso do STF, já é em si algo preocupante. Se uma Suprema Corte não deve ser protagônica e invasiva no tocante às relações sociais, tampouco pode ser imprevisível quando se analisa suas ações, presentes e futuras.

Por fim, há quem comemore esse estado de coisas e o faz principalmente por aspectos subjetivos, como “eu não gosto mesmo de quem está sofrendo as consequências disso tudo”. Contudo, o Estado de Direito e todos os elementos que o integram, como o devido processo legal, direito a ampla defesa e contraditório, duplo grau de jurisdição, vedação de uso de provas obtidas de forma ilícita, e outros mais, foi criado justamente para substituir o modelo estatal anterior, em que a sociedade, ao cabo e ao fim, se submetia às vontades, caprichos e decisões de um rei absolutista.

O governante e, como é o caso, um magistrado, por mais bem intencionado que seja ou possa vir a ser, não pode agir em substituição à manifestação da vontade popular que não se expressa em Tribunal nenhum, mas nas casas legislativas de todo o país, Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Aos Tribunais toca julgar os casos postos sob seus cuidados, aplicando as leis aprovadas pelo Legislativo. Essa estrutura é simples, é até singela, mas é também fundamental para se manter garantias importantíssimas que evitem o arbítrio e os abusos, ainda, como já dito, que supostamente carregados de boas intenções.

Para ler mais textos meus e de outros pesquisadores, acesse este link .

Fonte: Nacional

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

BRASIL

Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

Published

on

O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

Leia Também:  Grêmio empata com o Operário-PR na estreia da Copa do Brasil

Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

Leia Também:  Caged: Brasil abre 180 mil vagas com carteira assinada em abril

O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA