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Onda de calor: entenda as altas temperaturas neste final de inverno

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Onda de calor atinge grande parte do país nos próximos dias
Tânia Rêgo/Agência Brasil – 24.08.2023

Onda de calor atinge grande parte do país nos próximos dias

Uma onda de calor intensa é esperada em grande parte do país nos próximos dias. A última semana de inverno do ano trouxe instabilidade para certas regiões, mas, antes da chegada da primavera no próximo sábado (23), os termômetros voltam a subir, especialmente na parte central do Brasil.

De acordo com a meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), uma onda de calor acontece quando as temperaturas máximas passam pelo menos 5 graus do que é esperado para o período. Além disso, a intensidade desse aviso emitido pelo instituto, seguindo protocolos internacionais, está relacionado a quanto tempo esse fenômeno vai durar.

A especialista explica que é esperado para esta semana o predomínio de uma massa de ar quente e seco devido a um bloqueio atmosférico, principalmente em altos níveis de atmosfera.

“A gente tem a atmosfera como se fosse uma laranja fatiada em níveis e, lá no nível de cruzeiro dos aviões, temos uma circulação dos ventos que vai impedir a entrada de frentes frias. E toda essa umidade e o calor que desce da região mais equatorial serão aprisionados na porção oeste da América do Sul”, afirma.

A princípio, grande parte do Centro-Oeste será impactada condição, como os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Parte da região Norte e um pedaço do Nordeste também serão afetados.

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Mais para o final desta semana e início da próxima, essa bolha de ar quente e seco vai sofrer uma expansão, atingindo praticamente toda a região central, grande parte do Sudeste, interior do Nordeste — principalmente Maranhão, Piauí e oeste baiano — e sul da região amazônica.

Desconforto

A meteorologista alerta que esta condição pode trazer bastante desconforto para a população, principalmente para as crianças e idosos. “A gente não vai ter um tempo extremamente seco, a princípio, já que a umidade ainda vai estar em níveis relativamente presentes e pode causar uma chuva mais pontual, mas, por ser tão prolongada, pode causar algum dano à população”, destaca.

Além do impacto direto na saúde das pessoas, o calor excessivo também afeta as infraestruturas, como o setor de energia elétrica, já que as pessoas vão demandar mais de ar-condicionado, por exemplo, além de um maior consumo de água. “É toda uma cadeia que é afetada por conta dessa condição”, afirma a especialista.

Por isso, ela indica que as pessoas tomem alguns cuidados nos próximos dias, como:

  • Evitar se expor nas horas mais quentes;
  • Reforçar a hidratação;
  • Usar roupas mais leves;
  • Manter-se atento às informações dos órgãos oficiais de meteorologia e da Defesa Civil.

Variação de temperatura em São Paulo

O final do inverno também trouxe instabilidade no clima de São Paulo, que registrou grande variação de temperatura ao longo das últimas semanas. De acordo com Morgana, o início de setembro registrou maior frequência de frentes frias, o que fez com que também tivessem mais massas de ar frio. A condição, segundo ela, é propícia para a oscilação entre dias mais quentes e frios, o que é considerado normal para essa época do ano.

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“O final do inverno, climatologicamente, tem essa característica, já que estamos saindo de um período mais seco e frio para outro mais chuvoso”, aponta.

Sul do país

A região Sul do país, especialmente o Rio Grande do Sul, passou por mais um ciclone extratropical, que levou a chuvas e ventos intensos. O estado ainda se recupera das destruições causadas pelo fenômeno, que deixaram, segundo último balanço da Defesa Civil divulgado nessa segunda (18), ao menos 48 mortos. No total, 105 municípios foram afetados, 1.088 pessoas ainda estão desabrigadas e 20.988 desalojadas.

A especialista do INMET afirma que a previsão para os próximos dias na região é de uma redução nas chuvas, com mais umidade na região de fronteiras e em áreas mais isoladas.

As temperaturas mais elevadas são esperadas no Paraná, oeste de Santa Catarina e oeste e noroeste do Rio Grande do Sul. O calor deve ficar mais crítico entre o final desta semana e início da próxima no Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul e Paraguai.

Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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