BRASIL
‘Bean bags’: o que são as munições usadas pela Polícia Militar?
Publicado em
5 de outubro de 2023por
Da Redação
Com o intuito de substituir as balas de borracha, as “bean bags” são munições usadas pela Polícia Militar desde 2021 para conter distúrbios urbanos, como tumultos e aglomerações. Em tradução livre, “bean bags” significa “sacos de feijão” e são consideradas, pela PM, uma munição de menor potencial ofensivo e menos letal.
Na prática, as munições são pequenas esferas de chumbo envoltas por plástico que ficam dentro de sacos de tecido sintético. Assim como as balas de borracha, elas também são acopladas a cartuchos e disparadas por meio de armas de fogo.
O termo “bean bags” ganhou notoriedade após a morte do são-paulino Rafael Garcia perto do estádio do Morumbi, na Zona Sul da capital paulista, durante confronto entre a Polícia Militar e torcedores, no último dia 24. Pouco depois, a Polícia Civil confirmou, em relatório preliminar, que o homem de 32 anos morreu após ser atingido na cabeça por uma munição desse tipo, por traumatismo crânio-encefálico.
Em nota após a morte do torcedor, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o efetivo utilizou “bean bags”, elastômero e jatos de água durante a ação da Polícia Militar para conter o tumulto dos torcedores e dispersar a aglomeração. De acordo com o comunicado, um inquérito policial foi aberto para investigar o caso e qualquer excesso por parte dos policiais será devidamente investigado e punido.
Seis dias após a morte de Rafael, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lamentou o ocorrido e disse que os protocolos da PM vão ser revisados. Na ocasião, Tarcísio disse que a morte do torcedor foi um “acidente” e que ela deve ter acontecido pela quebra de algum protocolo.
“A gente lamenta profundamente esse tipo de ocorrência. Era um dia de festa, não é pra gente tá lamentando a morte de ninguém. É muito triste que isso aconteça. E, obviamente, isso implica em reanálise e revisão e ajuste”, disse Tarcísio em entrevista à rádio CBN , no último dia 30.
“Um acidente sempre acontecerá por quebra de protocolos. Os protocolos estabelecem distância de segurança para utilização de armamento não letal. Então, isso vai ser completamente investigado para fazer os ajustes em termos de procedimentos”, acrescentou.
Os protocolos da PM indicam que as “bean bags” devem ser disparadas com, no mínimo, 6 metros de distância do alvo, enquanto as balas de borracha precisam de uma distância de 20 metros por questões de segurança, a fim de garantir que a pessoa atingida não sofra maiores danos.
A corporação investiu cerca de R$ 620 mil para comprar mais de 20 mil “bean bags” da empresa norte-americana Safariland, que produz a munição. Mais de 170 mil balas de borracha foram devolvidas à fabricante nacional Condor S/A por “inconformidades”, de acordo com a PM. A empresa, porém, negou falhas.
A aquisição desse novo tipo de munição começou durante a pandemia de Covid-19, quando a PM afirmou que o elastômero (nome técnico da bala de borracha) teve problemas que poderiam colocar vidas em risco.
Nota divulgada pela SSP em junho afirmava que as balas de borracha seriam substituídas pelas “bean bags” por elas apresentarem menor risco de ferimentos e letalidade.
“A instituição substituirá gradativamente as munições de elastômero pelas ‘bean bags'”, afirmou. “Estudos técnicos apontam vantagens no uso das ‘bean bags’, entre eles: são projetadas para dispersão de energia sobre uma área mais ampla, o que ajuda a reduzir o risco de ferimentos graves ou letais; capacidade de minimizar o risco de penetração em tecidos moles, como a pele humana.”
Estudo realizado pela empresa brasileira da indústria bélica Condor Tecnologias Não Letais, no entanto, diz que as “munições do modelo bean bag existentes no mercado […] apresentam um alto risco a vida devido à combinação de seu projétil de peso elevado e alcance efetivo curto, que acaba por gerar densidade de energia extremamente alta”, o que “aumenta consideravelmente a probabilidade de causar danos críticos a órgãos internos e até fraturas ósseas”.
A pesquisa também afirma que “há um grave risco de laceração da pele após um disparo, permitindo que as esferas de chumbo penetrem no corpo, potencializando riscos de lesões”.
Fonte: Nacional
BRASIL
Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia
Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado
Published
2 meses agoon
15 de maio de 2026By
Da Redação
O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.
O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.
A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.
Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.
O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.
Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.
Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.
“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.
Entenda o caso
A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.
O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.
Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.
A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.
Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.
Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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