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Antônio Geraldo: ‘doenças mentais na era das mídias sociais’

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Antônio Geraldo: ‘doenças mentais na era das mídias sociais’
Dr. Antônio Geraldo da Silva

Antônio Geraldo: ‘doenças mentais na era das mídias sociais’

Nos últimos anos, as redes sociais têm sido um dos principais canais de disseminação de informações sobre saúde mental , mas também têm contribuído para um fenômeno preocupante: a banalização de diagnósticos de transtornos mentais e do uso de medicamentos .

Nos dias de hoje usamos as redes sociais para compartilhar momentos da nossa vida, pensamentos, emoções e interagir com outras pessoas. Infelizmente, muitas pessoas fazem mau uso dessas plataformas. Muitas pessoas compartilham suas experiências relacionadas ao diagnóstico de algum quadro psiquiátrico em busca de empatia e também para conscientizar sobre essas condições. Entretanto, há inúmeros casos em que há uma disseminação de desinformação sobre doenças mentais e pessoas sem um diagnóstico verídico

A pressão social para obter diagnósticos pode levar ao fenômeno do auto diagnóstico, onde as pessoas podem interpretar sintomas com base em informações superficiais e não especializadas encontradas online, com diversas fontes que não são especialistas da área oferecendo sintomas e descrições de condições psicológicas. Embora o acesso à informação seja algo vital no mundo em que vivemos, autodiagnosticar-se com uma doença mental pode ser prejudicial e até perigoso.

Na maior parte dos casos, a pessoa pode nem ter um transtorno mental. Ela pode estar deprimida por conta de uma outra doença que pode causar sintomas semelhantes aos da depressão, mas pode não ser depressão. Ou podem até apresentar episódios depressivos, mas não ter a doença. Por isso, é importante consultar um médico psiquiatra que será capaz de fazer um diagnóstico correto.

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Muitas pessoas confundem sintomas. Um exemplo: a ansiedade é um sentimento natural, algo comum comum, uma reação espontânea do corpo, a qualquer evento externo. Existe um tipo de ansiedade onde o episódio estressor é tão grave que pode desencadear uma crise. E a existe a doença transtorno de ansiedade. São coisas distintas que devem ser analisadas e tratadas de forma específica.

Esse fenômeno pode resultar em uma busca por medicamentos ou de psicoterapias sem a devida avaliação médica e diagnóstico adequado. A automedicação para doenças mentais pode levar a complicações graves de saúde. Muitos medicamentos prescritos para transtornos mentais têm efeitos colaterais significativos e podem interagir de forma adversa com outros medicamentos ou com outras condições médicas. Sem a supervisão de um médico, os pacientes correm o risco de experimentar reações adversas sérias ou até mesmo colocar suas vidas em perigo.

O uso indiscriminado e sem acompanhamento correto de medicamentos tem potencial de dependência e abuso de substâncias. Muitos medicamentos utilizados no tratamento de doenças mentais têm potencial para causar dependência quando usados de forma inadequada ou sem orientação médica.

É importante compreender que os medicamentos psicotrópicos são ferramentas importantes no manejo de transtornos como depressão, ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia e prescritos para ajudar a estabilizar o humor, reduzir sintomas graves e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e são de fato necessários.

É preocupante pensar em como essa pressão pode afetar pessoas mais vulneráveis, principalmente aquelas que já tenham predisposição a desenvolver algum quadro psiquiátrico. A busca por validação social nas redes sociais pode levar a pessoa a uma competição para exibir sofrimento ou para se encaixar em uma determinada narrativa. Isso pode distorcer percepções sobre saúde mental e a complexidade dos transtornos.

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Vale ressaltar que o tratamento de transtornos mentais não se resume apenas a medicação. É uma abordagem holística e envolve diversas estratégias. É individual e personalizado de acordo com o caso de cada paciente. A psicoterapia, por exemplo, é muito indicada para os pacientes. Além disso, outras estratégias mais simples também podem ajudar no tratamento de doenças mentais e melhorar a qualidade de vida do paciente, como mudanças no estilo de vida, incluindo prática regular de exercícios físicos, boa alimentação, atividades de lazer e boa qualidade do sono.

Enquanto as redes sociais podem ser poderosas ferramentas para aumentar a conscientização sobre saúde mental, o preconceito contra pessoas que fazem uso de medicamentos para transtornos mentais ainda é profundamente enraizado na sociedade, muitas vezes decorrente de desinformação e estigma que pode ser potencializado através da desinformação nas redes sociais.

Dr. Antônio Geraldo da Silva é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG. Atualmente é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e Diretor Clínico do IPAGE – Instituto de Psiquiatria Antônio Geraldo. Presidente do IGV – Instituto Gestão e Vida. Autor de dezenas de livros e artigos científicos em revistas internacionais. Palestrante nacional e internacional. É Coordenador Nacional da Campanha “Setembro Amarelo”, da Campanha ABP/CFM Contra o Bullying e o Cyberbullying e da Campanha de Combate à Psicofobia.

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Fonte: Nacional

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Credores aprovam plano do Grupo HPAR e fortalecem recuperação judicial da companhia

Assembleia com 80% de adesão consolida continuidade do conglomerado e reforça confiança do mercado

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O Grupo HPAR teve o plano de recuperação judicial aprovado nesta quarta-feira (13/05), durante Assembleia Geral de Credores realizada no processo que tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá (MT). A decisão representa uma das etapas mais relevantes da reestruturação financeira do Grupo.

O plano recebeu apoio maciço dos credores, alcançando adesão de 80,58% do valor total dos créditos presentes à assembleia. Instituições financeiras como Daycoval e Bradesco deram voto favorável às condições previstas no plano e no termo aditivo apresentado pelas recuperandas.

A aprovação consolida a continuidade operacional do Grupo HPAR, que atua nos setores de tecnologia, telecomunicações, infraestrutura de redes e serviços corporativos, reunindo as empresas Globaltask, SPE Piauí Conectado, H.Tell Telecom e Bao Bing Infraestrutura.

Internamente, o grupo trata a aprovação como um marco estratégico para preservação das atividades empresariais diante da crise provocada pelo descumprimento do contrato envolvendo a PPP-Piauí Conectado, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura digital do país. O projeto implantou aproximadamente 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

O grupo sustenta que houve encampamento ilegal da infraestrutura implantada sem a correspondente indenização pelos investimentos realizados.

O plano aprovado prevê que os recursos financeiros advindos (1) do procedimento de arbitragem que sujeita o Estado do Piauí, (2) da ação judicial de execução que tem contra o Banco do Brasil, garantidor do investimento realizado ou (3) da decisão que determina o pagamento da garantia na recuperação judicial — classificados como “Eventos de Liquidez” — sejam destinados ao cumprimento das obrigações previstas na recuperação judicial e ao pagamento dos credores.

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Entre os principais pontos de tensão está o litígio envolvendo garantias financeiras relacionadas à PPP. Segundo o grupo, o Banco do Brasil teria se recusado a liberar o dinheiro depositado e vinculado ao investimento realizado, esgotando financeiramente a empresa para levá-la à quebra para posterior tomada dos investimentos efetuados. Um recurso de agravo de instrumento, que vai decidir a liberação do valor para a empresa está pautado para ser julgado dia 20/05 no TJMT.

Para o advogado especialista em recuperação judicial do Grupo ERS, Euclides Ribeiro, a aprovação do plano demonstra maturidade do ambiente negocial e reforça a viabilidade econômica do grupo.

“Essa aprovação representa um importante sinal de confiança dos credores na capacidade de recuperação da companhia e principalmente na tese de que o Banco do Brasil deve sim liberar o dinheiro bloqueado pois é garantidor e caucionante dos recursos que estão na conta corrente do projeto. O processo demonstrou que, mesmo em cenários de forte complexidade institucional e financeira, é possível construir soluções jurídicas voltadas à manutenção da operação, proteção dos empregos e satisfação coletiva dos credores”, afirmou.

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado é acompanhada com atenção por investidores, operadores de PPPs e agentes do mercado financeiro, diante dos possíveis impactos sobre a segurança jurídica de projetos públicos de infraestrutura no Brasil.

Entenda o caso

A crise envolvendo a SPE Piauí Conectado transformou-se em uma das maiores disputas jurídico-empresariais já registradas no setor de infraestrutura digital brasileiro. A concessionária foi responsável pela implantação do projeto Piauí Conectado, considerado um dos maiores projetos públicos de conectividade do país, com cerca de 7.500 quilômetros de fibra óptica interligando os 224 municípios do Estado do Piauí.

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O modelo foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), na qual a iniciativa privada realizou os investimentos necessários para construção, operação e manutenção da infraestrutura tecnológica estadual, enquanto o Estado se comprometeu contratualmente a remunerar a concessionária ao longo dos 30 anos da concessão.

Segundo as recuperandas, aproximadamente R$ 650 milhões foram investidos diretamente na implantação da rede óptica, datacenter, centros operacionais e infraestrutura de telecomunicações. A empresa sustenta que o projeto contribuiu para elevar o Piauí aos primeiros lugares nacionais em indicadores de conectividade entre 2022 e 2024.

A partir de 2023, com a posse do governador Rafael Fonteles, a relação entre a concessionária e o Governo do Piauí sofreu uma mudança abrupta e o conflito escalou rapidamente.

Segundo a concessionária, apesar de o contrato ter sido integralmente executado e a rede ter permanecido plenamente operacional durante toda a execução da concessão, o Estado passou a promover retenções massivas das contraprestações mensais previstas contratualmente, comprometendo severamente o fluxo financeiro da operação, tudo arquitetado para tomada da empresa pelo Estado sem pagamento dos investimentos.

Na sequência, sucederam-se auditorias técnicas, instauração de processos sancionatórios, decretação de intervenção estatal e, posteriormente, a caducidade da concessão. Além do conflito com o Governo do Piauí, o Grupo HPAR obteve a negativa do Banco do Brasil em pagar a garantia prestada, em que pese já ter ganho a arbitragem na Câmara Brasil Canadá. Segundo as recuperandas, a não liberação dessas garantias agravou significativamente o cenário de crise financeira das empresas.

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