AGRONEGÓCIO

Zoneamento agrícola ganha importância no planejamento do agronegócio e no acesso ao crédito rural

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O avanço da ciência aplicada ao agronegócio tem ampliado o papel dos mapeamentos agrícolas na definição de políticas públicas, no planejamento da produção e no acesso ao crédito rural no Brasil. Estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que informações detalhadas sobre clima, solo e uso da terra estão se tornando ferramentas estratégicas para orientar decisões no campo e fortalecer a sustentabilidade da produção.

Esses levantamentos são utilizados para fundamentar zoneamentos agrícolas, programas de regularização ambiental e iniciativas voltadas à gestão territorial. Com base nesses dados, produtores, governos e instituições financeiras conseguem antecipar riscos climáticos, planejar investimentos e ampliar a segurança das atividades agropecuárias.

Mapeamentos agrícolas fortalecem planejamento e gestão territorial

De acordo com especialistas da Embrapa, os mapeamentos territoriais são fundamentais para compreender a dinâmica produtiva das diferentes regiões do país. Eles sintetizam informações ambientais, sociais e econômicas que ajudam a orientar o desenvolvimento sustentável da agropecuária.

Segundo a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial, Lucíola Magalhães, essas ferramentas permitem traduzir a complexidade dos fenômenos que ocorrem no território e apoiar a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Na prática, os dados territoriais ajudam a definir o uso adequado do solo, orientar práticas de manejo e estabelecer diretrizes para programas governamentais voltados ao campo. O resultado é um planejamento mais eficiente da atividade agropecuária, aliado à conservação ambiental.

Zoneamento agrícola influencia crédito e seguro rural

Um dos principais instrumentos derivados desses estudos é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta criada pela Embrapa que orienta produtores sobre as melhores condições para o plantio de diferentes culturas.

Atualmente, grande parte das operações de crédito e de seguro rural depende do cumprimento das recomendações do zoneamento. De acordo com levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o custeio agrícola movimentou cerca de R$ 143,9 bilhões em 2023, e boa parte desse volume está vinculada às orientações do Zarc.

Criado em 1996 inicialmente para a cultura do trigo, o sistema hoje abrange mais de 40 culturas agrícolas, servindo como referência para milhares de produtores em todo o país.

O funcionamento da ferramenta envolve análises probabilísticas baseadas em dados históricos de clima, características do solo, exigências hídricas das plantas e capacidade de retenção de água do solo. Para isso, pesquisadores utilizam séries históricas de dados meteorológicos e modelos de simulação capazes de avaliar diferentes cenários de produção.

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Tecnologia e inteligência artificial devem ampliar precisão do Zarc

O desenvolvimento do Zarc envolve uma rede nacional de pesquisadores da Embrapa, universidades e instituições estaduais de pesquisa. A infraestrutura computacional da Embrapa Agricultura Digital, em São Paulo, permite a realização de milhões de simulações envolvendo tipos de solo, períodos de semeadura e diferentes culturas em mais de 5.500 municípios brasileiros.

Nos próximos anos, a ferramenta deverá passar por novos avanços tecnológicos. Entre as melhorias previstas estão o uso de inteligência artificial, modelagem dinâmica de culturas e integração de dados provenientes de sensores de campo, satélites e drones.

Esses recursos permitirão análises mais detalhadas e recomendações específicas para microrregiões ou até áreas específicas dentro das propriedades, ampliando a precisão das decisões agrícolas.

Geotecnologia fortalece produção de vinhos na Serra Gaúcha

Além do impacto no crédito rural, os mapeamentos também têm contribuído para a valorização de produtos regionais. Um exemplo é o trabalho desenvolvido no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha.

Com cerca de 81 quilômetros quadrados de área, a região possui aproximadamente 1.760 hectares de vinhedos georreferenciados, o que corresponde a cerca de 26% do território. O uso de geotecnologias permitiu identificar com maior precisão fatores como altitude, inclinação do terreno e exposição solar, elementos fundamentais para caracterizar o chamado “terroir” dos vinhos.

Essas informações foram decisivas para delimitar áreas de Indicação Geográfica (IG) e Denominação de Origem (DO), além de orientar práticas de manejo e controle de qualidade nas vinícolas.

O reconhecimento da região também impulsionou o enoturismo e estimulou a formação de mão de obra especializada, com a criação de cursos técnicos e superiores voltados à vitivinicultura.

Zoneamento do dendê orienta expansão sustentável na Amazônia

Outro exemplo de mapeamento que resultou em política pública é o Zoneamento Agroecológico do Dendê (ZAE Dendê). O estudo, desenvolvido por diferentes unidades da Embrapa, identificou áreas aptas ao cultivo da palma-de-óleo sem necessidade de avanço sobre florestas nativas.

Publicado em 2010, o levantamento apontou cerca de 32 milhões de hectares com potencial para cultivo, sendo 29 milhões localizados na Amazônia Legal. As áreas indicadas para expansão estavam restritas a regiões já desmatadas até 2007, conforme dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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Com base nesse diagnóstico, o governo federal criou o Programa de Produção Sustentável de Palma-de-Óleo, que passou a orientar políticas de crédito agrícola e planejamento fundiário, principalmente no Pará, maior produtor da cultura.

Café amazônico ganha destaque com produção sustentável

Na região das Matas de Rondônia, outro estudo da Embrapa analisou a expansão do cultivo do chamado Robusta Amazônico, variedade de café canéfora que vem ganhando espaço no mercado nacional e internacional.

O levantamento, realizado a partir de imagens de satélite entre 2020 e 2023, indicou que a produção de café não avançou sobre áreas de floresta e que ainda há possibilidade de expansão em áreas anteriormente ocupadas por pastagens.

Os dados apontaram que menos de 1% das áreas convertidas para cafeicultura ocorreu sobre áreas florestais, reforçando a imagem de uma produção alinhada à conservação ambiental — fator cada vez mais relevante para atender às exigências de mercados internacionais, como o da União Europeia.

Além disso, o estudo identificou que reservas indígenas da região preservam grandes blocos de florestas primárias, somando cerca de 1,2 milhão de hectares.

Informações territoriais agregam valor à produção

Para os produtores rurais, o acesso a dados territoriais confiáveis traz benefícios que vão além da gestão agrícola. As informações ajudam a ampliar a credibilidade da produção, facilitam o acesso a mercados mais exigentes e contribuem para atrair investimentos.

No caso do café produzido nas Matas de Rondônia, os dados também sustentam a primeira Denominação de Origem do mundo para cafés canéforas sustentáveis, selo que agrega valor ao produto e depende de rastreabilidade e informações precisas sobre a origem da produção.

Política agrícola e crédito seguem atentos ao cenário econômico

No contexto da política agrícola brasileira, ferramentas como o Zarc seguem sendo fundamentais para orientar programas de financiamento e seguro rural. O Banco Central do Brasil mantém acompanhamento constante do crédito destinado ao setor agropecuário, que representa uma parcela relevante das operações de financiamento no país.

Com o avanço das tecnologias de monitoramento e análise territorial, a tendência é que o uso dessas informações se torne cada vez mais estratégico para decisões de investimento, planejamento produtivo e formulação de políticas públicas voltadas ao agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações de proteínas animais disparam em maio e carne de frango lidera avanço brasileiro

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As exportações brasileiras de proteínas animais seguem aquecidas em maio de 2026, reforçando o protagonismo do agronegócio nacional no comércio global de alimentos. Dados divulgados pela Secex apontam avanço consistente nos embarques de carne de frango e carne suína, com destaque para o desempenho do setor avícola, que lidera em volume e faturamento.

O cenário positivo reflete a forte demanda internacional pelas proteínas brasileiras, favorecida pela competitividade dos produtos nacionais e pela ampliação das compras em mercados estratégicos.

Carne de frango lidera exportações brasileiras de proteínas

A carne de frango manteve a liderança entre as proteínas animais exportadas pelo Brasil neste mês. Segundo os dados da Secex, os embarques de carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas somaram 238,3 mil toneladas até a segunda semana de maio.

A receita acumulada alcançou US$ 450,4 milhões no período, com média diária de US$ 45 milhões. O volume médio exportado ficou em 23,8 mil toneladas por dia útil.

Além do elevado ritmo de embarques, o setor avícola brasileiro manteve forte competitividade internacional. O preço médio da proteína exportada foi de US$ 1.889,9 por tonelada, consolidando o Brasil entre os principais fornecedores globais de carne de frango.

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O desempenho positivo ocorre em meio ao aumento da demanda internacional por proteínas de menor custo e ao fortalecimento das exportações brasileiras para mercados da Ásia, Oriente Médio e América Latina.

Carne suína mantém crescimento nas vendas externas

A carne suína também apresentou resultado expressivo nas exportações brasileiras ao longo da primeira metade de maio. De acordo com a Secex, os embarques de carne suína fresca, refrigerada ou congelada totalizaram 55,5 mil toneladas no período.

A receita gerada pelas vendas externas chegou a US$ 138,4 milhões, com média diária de faturamento de US$ 13,8 milhões.

O volume médio exportado ficou em 5,5 mil toneladas por dia útil, enquanto o preço médio negociado atingiu US$ 2.491,6 por tonelada.

Mesmo com volume inferior ao registrado pela carne de frango, o setor suinícola brasileiro segue sustentado pela ampliação da demanda internacional e pela consolidação da proteína nacional em importantes mercados importadores.

A valorização dos preços médios também reforça a competitividade da carne suína brasileira no mercado externo.

Exportações de pescado têm menor participação em maio

Entre os segmentos analisados pela Secex, o pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado apresentou participação mais modesta nas exportações brasileiras em maio.

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Até a segunda semana do mês, o setor embarcou 419,7 toneladas, gerando receita de US$ 2,15 milhões.

A média diária de faturamento ficou em US$ 215 mil, enquanto o volume médio exportado atingiu 42 toneladas por dia útil.

Apesar da menor representatividade em relação às carnes de aves e suína, o pescado registrou o maior valor médio por tonelada entre as proteínas analisadas. O preço médio negociado alcançou US$ 5.122,9 por tonelada exportada.

Agronegócio brasileiro mantém força no mercado global

O avanço das exportações de proteínas animais reforça a posição estratégica do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos.

O desempenho positivo de frango, carne suína e pescado em maio mostra a força do setor exportador brasileiro, que segue beneficiado pela demanda internacional aquecida, pelo câmbio favorável e pela competitividade da produção nacional.

A expectativa do mercado é de continuidade no ritmo elevado de embarques ao longo do segundo trimestre, especialmente para os segmentos de aves e suínos, que seguem ampliando presença nos principais destinos globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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