AGRONEGÓCIO

Workshop ABRASS destaca cenários políticos, desafios e oportunidades no setor de sementes de soja

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A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS) promoveu, na quinta-feira (29), o Workshop ABRASS no Brasília Palace Hotel, em Brasília (DF). Voltado para associados e convidados, o evento reuniu produtores, autoridades e especialistas para discutir o panorama político, cenários de mercado e os principais desafios da cadeia produtiva da multiplicação de sementes de soja.

Panorama político e atuação parlamentar

Durante a abertura, o presidente da ABRASS, André Schwening, ressaltou a importância da união do setor para enfrentar os desafios atuais no Brasil, destacando o papel estratégico do conhecimento para tomada de decisões.

Em vídeo, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reforçou o compromisso da bancada com a defesa das pautas do agronegócio, como Plano Safra, crédito rural e questões fiscais. Lupion enfatizou as dificuldades políticas atuais e a necessidade de garantir rentabilidade e competitividade para os produtores.

Também participou do painel Fabrício Rosa, vice-presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) e diretor executivo da Aprosoja Brasil, que destacou recentes conquistas legislativas, como a nova Lei de Defensivos e a Lei de Bioinsumos. Rosa defendeu a modernização da Lei de Proteção de Cultivares, essencial para incentivar investimentos e inovação, sobretudo com a chegada da edição gênica.

Gestão financeira no mercado de sementes

Antônio Carlos Ortiz, sócio da Agro School, abordou o mercado brasileiro de sementes de soja, apresentando estratégias para mitigar riscos na cadeia produtiva. Ortiz recomendou a segmentação dos riscos para evitar impactos sistêmicos e destacou a importância de concentrar o market share regionalmente, além de reforçar o valor do trabalho com marcas para garantir resultados.

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Projeções e desafios do mercado de sementes para 2025/26

O CEO da Céleres, Anderson Galvão, trouxe uma análise ampla do mercado nacional e internacional, prevendo aumento da demanda por sementes certificadas nos próximos anos. Para a safra 2025/26, a projeção é de 46,3 milhões de sacas, podendo chegar a 50,7 milhões no cenário otimista. Galvão alertou, porém, para o risco da inadimplência no setor agro.

Combate à pirataria de sementes

A diretora de Germoplasma e Biotecnologia da Croplife Brasil, Catharina Pires, destacou a gravidade da pirataria de sementes, que impacta negativamente toda a cadeia produtiva. Na safra 2023/24, o mercado pirata representou 11% do total, com índices preocupantes em estados como Rio Grande do Sul (28%) e Minas Gerais (23%).

Pires reforçou a necessidade de intensificar a fiscalização e aplicar punições rigorosas. Segundo ela, a redução do uso de sementes piratas pode gerar ganhos de quase R$ 10 bilhões em receita, criação de mais de 1,5 mil empregos diretos, investimentos em pesquisa, maior arrecadação tributária e alimentos mais acessíveis.

Longevidade e qualidade das sementes

No debate mediado pelo consultor da ABRASS Pedro Tomazelli, as doutoras Carolina Cardoso e Maria de Fátima Zorato apresentaram dados inéditos sobre os desafios para garantir a qualidade e longevidade das sementes. Elas destacaram a importância do entendimento dos processos fisiológicos, do manejo adequado e da proteção contra danos para manter a performance das sementes.

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Reforma tributária e impactos para o setor

O advogado tributarista Eduardo Lourenço, sócio do Maneira Advogados, explicou as principais mudanças previstas com a Reforma Tributária e seu impacto no segmento de sementes de soja. Lourenço alertou para a necessidade de atenção às datas de implementação e ao planejamento para adaptação à nova sistemática tributária.

Conjuntura política e perspectivas

O consultor político João Henrique Hummel, da Action RelGov, encerrou o evento com uma análise crítica do cenário político brasileiro. Hummel detalhou as interações entre Legislativo, Executivo e Judiciário, destacando como essas relações influenciarão o andamento das pautas importantes e a estabilidade institucional.

Segundo ele, o ciclo eleitoral já está moldando decisões políticas e afetará diretamente o futuro da economia e do ambiente de negócios no país.

O Workshop ABRASS reafirmou seu papel como espaço estratégico para o debate e planejamento do setor de multiplicação de sementes de soja, reunindo informações essenciais para que os produtores e empresas enfrentem os desafios atuais e aproveitem as oportunidades futuras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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