AGRONEGÓCIO
Workshop ABRASS destaca cenários políticos, desafios e oportunidades no setor de sementes de soja
Publicado em
6 de junho de 2025por
Da Redação
A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (ABRASS) promoveu, na quinta-feira (29), o Workshop ABRASS no Brasília Palace Hotel, em Brasília (DF). Voltado para associados e convidados, o evento reuniu produtores, autoridades e especialistas para discutir o panorama político, cenários de mercado e os principais desafios da cadeia produtiva da multiplicação de sementes de soja.
Panorama político e atuação parlamentar
Durante a abertura, o presidente da ABRASS, André Schwening, ressaltou a importância da união do setor para enfrentar os desafios atuais no Brasil, destacando o papel estratégico do conhecimento para tomada de decisões.
Em vídeo, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reforçou o compromisso da bancada com a defesa das pautas do agronegócio, como Plano Safra, crédito rural e questões fiscais. Lupion enfatizou as dificuldades políticas atuais e a necessidade de garantir rentabilidade e competitividade para os produtores.
Também participou do painel Fabrício Rosa, vice-presidente do Instituto Pensar Agro (IPA) e diretor executivo da Aprosoja Brasil, que destacou recentes conquistas legislativas, como a nova Lei de Defensivos e a Lei de Bioinsumos. Rosa defendeu a modernização da Lei de Proteção de Cultivares, essencial para incentivar investimentos e inovação, sobretudo com a chegada da edição gênica.
Gestão financeira no mercado de sementes
Antônio Carlos Ortiz, sócio da Agro School, abordou o mercado brasileiro de sementes de soja, apresentando estratégias para mitigar riscos na cadeia produtiva. Ortiz recomendou a segmentação dos riscos para evitar impactos sistêmicos e destacou a importância de concentrar o market share regionalmente, além de reforçar o valor do trabalho com marcas para garantir resultados.
Projeções e desafios do mercado de sementes para 2025/26
O CEO da Céleres, Anderson Galvão, trouxe uma análise ampla do mercado nacional e internacional, prevendo aumento da demanda por sementes certificadas nos próximos anos. Para a safra 2025/26, a projeção é de 46,3 milhões de sacas, podendo chegar a 50,7 milhões no cenário otimista. Galvão alertou, porém, para o risco da inadimplência no setor agro.
Combate à pirataria de sementes
A diretora de Germoplasma e Biotecnologia da Croplife Brasil, Catharina Pires, destacou a gravidade da pirataria de sementes, que impacta negativamente toda a cadeia produtiva. Na safra 2023/24, o mercado pirata representou 11% do total, com índices preocupantes em estados como Rio Grande do Sul (28%) e Minas Gerais (23%).
Pires reforçou a necessidade de intensificar a fiscalização e aplicar punições rigorosas. Segundo ela, a redução do uso de sementes piratas pode gerar ganhos de quase R$ 10 bilhões em receita, criação de mais de 1,5 mil empregos diretos, investimentos em pesquisa, maior arrecadação tributária e alimentos mais acessíveis.
Longevidade e qualidade das sementes
No debate mediado pelo consultor da ABRASS Pedro Tomazelli, as doutoras Carolina Cardoso e Maria de Fátima Zorato apresentaram dados inéditos sobre os desafios para garantir a qualidade e longevidade das sementes. Elas destacaram a importância do entendimento dos processos fisiológicos, do manejo adequado e da proteção contra danos para manter a performance das sementes.
Reforma tributária e impactos para o setor
O advogado tributarista Eduardo Lourenço, sócio do Maneira Advogados, explicou as principais mudanças previstas com a Reforma Tributária e seu impacto no segmento de sementes de soja. Lourenço alertou para a necessidade de atenção às datas de implementação e ao planejamento para adaptação à nova sistemática tributária.
Conjuntura política e perspectivas
O consultor político João Henrique Hummel, da Action RelGov, encerrou o evento com uma análise crítica do cenário político brasileiro. Hummel detalhou as interações entre Legislativo, Executivo e Judiciário, destacando como essas relações influenciarão o andamento das pautas importantes e a estabilidade institucional.
Segundo ele, o ciclo eleitoral já está moldando decisões políticas e afetará diretamente o futuro da economia e do ambiente de negócios no país.
O Workshop ABRASS reafirmou seu papel como espaço estratégico para o debate e planejamento do setor de multiplicação de sementes de soja, reunindo informações essenciais para que os produtores e empresas enfrentem os desafios atuais e aproveitem as oportunidades futuras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
15 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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