AGRONEGÓCIO

Prefeitura de Cuiabá começa articulação para adotar práticas de compliance entre secretarias

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O secretário adjunto de Governo, Newton Hidenori Ishii, conhecido nacionalmente como “Japonês da Federal”, iniciou nesta terça-feira (10) uma articulação institucional para inserir na Prefeitura de Cuiabá práticas de compliance, mecanismo que fortalece regulamentos e regras internas, prevenindo riscos legais, financeiros e de reputação na administração pública.

A agenda começou com uma reunião de apresentação na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura (SDTA). Durante encontro com o titular da pasta, Fernando Medeiros, Ishii colocou-se à disposição da secretaria para contribuir de forma estratégica com a gestão municipal. A proposta é ampliar a integração entre as secretarias e colaborar para maior eficiência administrativa na execução das ações do município.

Com experiência na área de inteligência e atuação nos bastidores da gestão pública, o secretário adjunto destacou que pretende somar esforços e contribuir para o alinhamento entre diferentes setores da administração. Para Ishii, a construção de um diálogo permanente entre as pastas é fundamental para garantir que projetos e demandas avancem de forma organizada e com responsabilidade institucional.

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“Aceitei esse desafio porque acredito no projeto da gestão e vim aqui para somar. Minha intenção é contribuir com seriedade, ética e diálogo, ajudando a integrar as secretarias e apoiar aquilo que for necessário para que os projetos avancem. Sempre trabalhei muito nos bastidores, na área de inteligência e informação, lidando com diferentes setores e interesses. Essa experiência me ensinou a ouvir, mediar e buscar soluções. Coloco-me à disposição para colaborar no que for preciso”, afirmou o secretário.

Na ocasião, Medeiros apresentou um panorama das ações desenvolvidas pela pasta. Entre os destaques estão a realização da Feira do Japão e eventos planejados para os próximos meses, como o primeiro Festival de Pesca Esportiva, o Festival do Peixe, a programação do aniversário de Cuiabá e o Festival da Pamonha.

Fernando também destacou sua trajetória à frente de outras pastas municipais e os desafios enfrentados, especialmente na Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico, onde teve a missão de administrar o Aquário Municipal de Cuiabá mesmo diante de limitações orçamentárias e problemas contratuais, mantendo o espaço em funcionamento com conforto e acesso gratuito à população. Atualmente, ele também lidera a Secretaria Municipal de Trabalho.

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A reunião marcou o início de uma aproximação institucional entre o gabinete adjunto de Governo e a secretaria. Nos próximos dias, os secretários voltarão a se reunir para apresentação detalhada da estrutura da pasta e alinhamento para a implantação das práticas de compliance, incluindo sugestões de melhorias administrativas.

Ainda nesta semana, Ishii cumpre agenda na Controladoria Geral do Município, na Secretaria Municipal de Cultura e na Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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