AGRONEGÓCIO

WASDE Aponta Cenário Global para Milho, Soja e Trigo

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Milho: Estoques Globais em Queda e Cenário Neutro-Altista

O relatório WASDE revelou uma tendência neutra a altista para o milho, impulsionada por um aumento nas exportações e no consumo doméstico nos Estados Unidos. Esse movimento reduziu os estoques finais americanos de 49,23 milhões de toneladas (Mt) para 44,15 Mt. Segundo Ignacio Espinola, analista sênior de Grãos da Hedgepoint Global Markets, as projeções para Brasil e Argentina permaneceram inalteradas, enquanto os estoques globais caíram de 304,14 Mt para 296,44 Mt, principalmente devido à redução nos estoques dos EUA.

Soja: Números Estáveis e Estoques Globais em Alta

O relatório da soja apresentou uma leitura neutra, com as estimativas dos Estados Unidos para a safra 2024/25 inalteradas. Na América do Sul, o Brasil manteve a projeção de produção em 169 Mt, enquanto a Argentina registrou um leve aumento, passando de 51 Mt para 52 Mt, impulsionado por condições climáticas favoráveis. As importações chinesas seguiram estáveis, em 109 Mt. “Os estoques globais tiveram uma leve alta, passando de 131,74 Mt para 131,87 Mt, mantendo-se em níveis recordes”, explicou Espinola.

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Trigo: Alterações Pontuais na Região do Mar Negro

O relatório WASDE sobre trigo trouxe mudanças localizadas, principalmente na região do Mar Negro. A Rússia reduziu sua previsão de exportações de 48 Mt para 47 Mt, o que elevou os estoques finais do país para 8,24 Mt e aumentou o índice estoque/uso de 8% para 10%. Por outro lado, na Ucrânia, as exportações subiram de 16,5 Mt para 17 Mt, resultando na redução dos estoques finais de 0,99 Mt para 0,79 Mt, com um índice estoque/uso de apenas 3%. No restante do mundo, as projeções permaneceram praticamente inalteradas.

Perspectivas

Os dados do WASDE reforçam a relevância de acompanhar de perto os fatores climáticos e as movimentações regionais, especialmente nas áreas de maior impacto como América do Sul e o Mar Negro. As tendências identificadas oferecem um panorama estratégico para decisões no mercado agrícola global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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