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Vendas de diesel no Brasil atingem segundo maior volume da história em julho, aponta ANP

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As distribuidoras de combustível no Brasil registraram, em julho, a comercialização de 6,06 bilhões de litros de diesel B, representando um aumento de 5,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Esse resultado marca o segundo maior volume mensal de vendas na história, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta sexta-feira.

Essa foi apenas a segunda vez que as vendas de diesel, o combustível mais consumido no país, superaram a marca de 6 bilhões de litros em um único mês. O recorde anterior foi registrado em agosto de 2022, quando as distribuidoras comercializaram 6,22 bilhões de litros, segundo a ANP.

De acordo com a consultoria StoneX, o crescimento nas vendas de diesel está diretamente relacionado ao aumento no volume de bens exportados pelo Brasil, que registrou um crescimento de 16%, com destaque para o setor extrativista, que avançou 20%. Esse aumento nas exportações intensificou o uso de caminhões para o transporte de produtos até os terminais exportadores.

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“Esse cenário tem sido observado desde o início do ano, com as vendas externas do Brasil em volume acumulado de 2024 crescendo 8% em comparação ao mesmo período de 2023, o que elevou a demanda por diesel B, que avançou 4,5% no mesmo período,” destacou Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

A demanda robusta por diesel B, já misturado com biodiesel, e o aumento na mistura de biocombustível iniciado em março, reforçaram o consumo de combustível renovável no Brasil em julho, totalizando 769 milhões de litros. Isso representa um crescimento de 12,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme ressaltado pela StoneX.

Gasolina vs. Etanol Hidratado

As vendas de gasolina em julho alcançaram 3,7 bilhões de litros, o que representa uma queda de 1,4% em comparação com o mesmo mês de 2022. No entanto, esse resultado demonstra uma recuperação em relação aos volumes dos meses anteriores, com um aumento de quase 6,3% em relação a junho, conforme observou Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

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“Tradicionalmente, o mês de julho registra um aumento sazonal na demanda por combustíveis leves, o que favorece as vendas de gasolina C”, afirmou Garcia. “Entretanto, parte desse aumento pode estar associado a uma recuperação da paridade de preços em algumas regiões, devido à menor competitividade do etanol hidratado nos postos, apesar do reajuste nos preços de revenda da Petrobras durante o período,” acrescentou.

O etanol hidratado, concorrente direto da gasolina, registrou vendas de 1,72 bilhões de litros em julho, um aumento expressivo de 47,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, as vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras apresentaram uma alta de 50,1% em relação ao mesmo período de 2023.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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