AGRONEGÓCIO

Venda direta é a nova revolução do agro

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Assim como a Uber revolucionou o transporte, a Netflix a forma de ver filmes e a Airbnb como alugar um imóvel, a Produce está transformando a forma tradicional de como o agricultor compra suas sementes, insumos e outros produtos.

Modelo de negócio bem sucedido em diferentes setores da economia nacional, as vendas diretas movimentam em torno de R$ 45 bilhões/ano no Brasil. Isso coloca o país entre as sete nações que mais adotam esse modelo no mundo. Já na América Latina, o Brasil está no topo desse ranking, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD). Agora, esse formato comercial consolidado também ganhar força no agronegócio, com a adesão de grandes players à modalidade.

Os primeiros passos na comercialização de produtos e serviços agrícolas pelo sistema de venda direta foram dados há quatro anos, pela Produce, que comemora o sucesso do formato colaborativo na comercialização de insumos e produtos de assistência ao produtor, mesmo em tempos de crise. A empresa, de capital aberto, recebeu um aporte de investimentos de R$ 100 milhões captados de um family office – fundo formado por famílias de alto poder aquisitivo para investimentos no mercado, especialmente em inovação e tecnologia, o que ajudou a consolidar o seu projeto de expansão.

Cofundador da empresa, Guilherme Trotta projeta crescimento de pelo menos 400%, em 2024, em comparação com o ano passado, e ressalta que as vendas diretas têm impacto positivo para todos os envolvidos no negócio, que é realizado sem a necessidade de intermediários. “Criamos um modelo de negócio exclusivamente para favorecer o agronegócio brasileiro, onde a principal estratégia é estreitar os laços com o produtor rural através da maior força de venda do Brasil, possibilitando o contato direto do fornecedor para o agricultor”, resume.

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A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Venda Direta (ABEVD), Adriana Colloca, revela que a Produce foi a primeira representante do agronegócio a se associar à entidade e destaca que o digital já está integrado no modelo de venda. “O relacionamento é a parte importante na venda direta. O vínculo entre quem vende e quem compra é essencial para o nosso mercado e a digitalização, hoje, é essencial nas relações humanas”, explica.

Outra característica desse modelo de negócios é um amplo leque de produtos a disposição do agricultor. A plataforma de vendas da Produce conta mais de 600 soluções e tecnologias, entre sementes selecionadas de grãos, fertilizantes, defensivos, produtos veterinários, insumos biológicos etc. Além de produtos exclusivos da empresa, como por exemplo, o fertilizante organomineral Bravera desenvolvido especialmente para o portfólio da Produce, como revela o fabricante. “Desenvolvemos esse produto especificamente para os clientes da Produce. Esse modelo é uma tendência mundial e no agro ele é disruptivo. Ter um produto no portfólio da Produce significa que do dia para a noite você contará com canais de distribuição em quase todo país, sem se preocupar com a logística. Isso não existe no mercado”, destaca Cleber Terribile, diretor da Terraplant.

Guilherme Trotta ressalta que o modelo de negócio possibilita uma revolução na forma como os fornecedores se relacionam com o agricultor. “É uma vantagem irrecusável para o fornecedor, que também pode criar promoções ou campanhas”. O executivo acrescenta que a competitividade é um compromisso da Produce, que trabalha com baixa margem de lucro.

A força de vendas, a que Trotta se refere, são os nove mil consultores (também chamados de Producers) que operam em um modelo de negócio consistente, já testado e aprovado, sem a exigência de exclusividade. Entre as vantagens, o cofundador da empresa ressalta autonomia, flexibilidade de horários e possibilidade de renda extra, com taxa de ganhos acima da média do mercado. “A mesma soja que ele vende pela concorrência, pode comercializar também pela Produce, com a diferença que conosco ele vai ganhar 5% do total, muito mais do que os 2% habitualmente pagos. Além disso, ele é dono do próprio negócio, sem custo extra”, exemplifica.

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Atuando na região de Sinop, no Mato Grosso, o técnico em agropecuária Cláudio Roberto de Alencar, 47 anos, relata que a atuação junto à Produce, há três anos, provocou uma mudança em sua carreira profissional. “Eu estava praticamente sem renda. Quando surgiram os primeiros negócios, em 2022, a minha vida mudou. Passou a ser a minha principal fonte de renda e deu suporte financeiro para todo o ano seguinte, tudo isso foi essencial no meu trabalho e na minha trajetória”. O consultor aponta a qualidade dos produtos e o suporte oferecido pela Produce como os diferenciais para seu bom desempenho. “Hoje atuo com sementes exclusivamente da Produce, que permanece sendo a principal receita da minha empresa, e foco em agregar mais produtos e na busca por novos clientes. A expectativa é de ganhos crescentes e a tendência é melhorar cada vez mais”.

A Produce se encarrega da avaliação de crédito, da entrega e cobrança. “Costumamos dizer que todo o processo é digital, mas com atendimento e assistência humanizados, tanto para o produtor rural como para o consultor. Precisamos é que esses profissionais estejam próximos ao cliente, para prestar assistência e ser o elo com a lavoura”, reforça Trotta. “O grande risco é que o consultor ganha sempre, e ganha bem”, lembra o cofundador da empresa.

Fonte: AgroUrbano Hub de Comunicação

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã

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Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.

O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.

Mercado reage à expectativa de normalização logística

De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.

As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.

“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.

Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito

O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.

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A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.

Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.

Acordo ainda depende de novas etapas

Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.

Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.

Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico

A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.

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Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.

Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.

Cenário favorece importadores brasileiros

A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.

Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.

Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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