AGRONEGÓCIO

Variações cambiais e de Chicago indicam possível recuo nos preços da soja no Brasil

Publicado em

Os preços da soja no mercado brasileiro devem apresentar uma tendência de queda nesta terça-feira, em consonância com a diminuição do valor do dólar e a performance decrescente dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O ritmo de comercialização permanece moderado, característico do período de encerramento do ano, concentrando-se em operações estritamente necessárias para atender às demandas de caixa. A atenção do mercado volta-se ao desenvolvimento das lavouras.

Na segunda-feira, não foram registradas negociações expressivas, e os analistas da SAFRAS & Mercado observaram transações realizadas principalmente por necessidades da indústria. Os preços, em geral, mantiveram-se ligeiramente acima das médias de mercado. De maneira geral, os participantes do mercado estão em compasso de espera, refletindo em preços nominais, que variam de estáveis a ligeiramente superiores, impulsionados pela valorização em Chicago.

Na cidade de Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos teve um aumento de R$ 146,00 para R$ 147,00. Na região das Missões, a cotação subiu de R$ 145,00 para R$ 146,00 por saca. No Porto de Rio Grande, o preço manteve-se em R$ 152,00.

Em Cascavel, no Paraná, o preço permaneceu estável em R$ 139,00 por saca. No porto de Paranaguá (PR), a saca manteve-se em R$ 149,00.

Leia Também:  Brasil exporta mais de 724 mil toneladas de soja por dia na primeira semana de junho

Em Rondonópolis (MT), o valor se sustentou em R$ 131,00. Em Dourados (MS), a cotação passou de R$ 129,50 para R$ 130,00. Já em Rio Verde (GO), a saca valorizou-se de R$ 130,00 para R$ 132,00.

Chicago: Desafios Diante de Chuvas no Brasil e Perspectivas de Safra Atrativa

Os contratos futuros da soja para janeiro apresentam uma baixa de 0,81%, atingindo US$ 13,16 1/4 por bushel. O mercado enfrenta pressão devido às chuvas benéficas em áreas produtoras do Brasil que enfrentam déficit hídrico. Confirmada uma safra robusta no Brasil, a demanda chinesa deve se voltar para o país sul-americano, prejudicando as perspectivas do produto norte-americano. No cenário global, o dia é caracterizado pela estabilidade do dólar e do petróleo.

Prêmios de Exportação Refletem Atividade Fraca e Expectativas Chinesas

A alta registrada nos contratos futuros da soja em Chicago ontem também se refletiu nos preços FOB nos portos brasileiros, permanecendo estáveis em um dia de atividade moderada. Embora haja interesse chinês para soja com embarque em março, os preços oferecidos pelos compradores estão abaixo das expectativas dos vendedores.

Leia Também:  Preço do diesel tem variação leve em abril, aponta pesquisa Edenred Ticket Log

Os prêmios de exportação da soja para janeiro foram de 70 a 100 centavos de dólar acima de Chicago no Porto de Paranaguá. Para fevereiro de 2024, o prêmio foi de -30 a -10. Em março de 2024, o prêmio situou-se entre -60 e -40 pontos, segundo dados da SAFRAS & Mercado. O preço FOB (flat price) para fevereiro variou entre US$ 481,30 e US$ 488,70 a tonelada na segunda-feira, em comparação com a oscilação entre R$ 478,20 e R$ 485,60 no dia anterior.

Cenário Cambial e Financeiro Internacional

O dólar comercial opera com uma baixa de 0,18%, cotado a R$ 4,8943, enquanto o Dollar Index recua 0,02% para 102,54 pontos. Indicadores financeiros globais indicam um fechamento positivo nas principais bolsas da Ásia, com Xangai registrando +0,05% e Tóquio, +1,41%. Na Europa, as bolsas operam de forma mista, com Paris -0,04%, Frankfurt +0,42% e Londres mantendo-se estável. Quanto ao petróleo, as cotações estão mais baixas, com o WTI para janeiro recuando 0,09% para US$ 72,40 o barril.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

Published

on

A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

Leia Também:  Brasil celebra nova abertura de mercado para exportação de caprinos e ovinos ao Sultanato de Omã

O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

Leia Também:  Brasil tem saldo de 201 mil empregos em junho, alta de 29,5%

Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA