AGRONEGÓCIO
Uso estratégico de vermífugos é fundamental para controlar parasitas e evitar prejuízos no rebanho bovino
Publicado em
31 de julho de 2025por
Da Redação
O parasitismo em bovinos representa um problema constante para as propriedades pecuárias, mesmo durante o inverno, quando a infestação costuma ser menor. Os sinais, muitas vezes discretos, podem impactar negativamente a produtividade dos animais ao longo do ano, exigindo um controle planejado e estratégico, adaptado ao ciclo dos parasitas e às características de cada sistema produtivo.
Condições climáticas e impacto no parasitismo
De acordo com Gibrann Frederiko, médico veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura, as altas temperaturas e umidade entre novembro e abril favorecem a proliferação de parasitas como carrapatos, mosca-dos-chifres, bicheiras e helmintos gastrointestinais. Mesmo nos meses secos e frios, a infestação persiste e prejudica ganho de peso, produção de leite, fertilidade e qualidade da carcaça.
Identificação dos sinais clínicos e diagnóstico
Produtores devem ficar atentos a sinais como mucosas pálidas, diarreia, perda de peso, apatia, pelo opaco, coceira, lesões na pele e presença visível de parasitas. O diagnóstico deve ser confirmado por exames laboratoriais, como análises parasitológicas de fezes e hemogramas, aliados a inspeções clínicas regulares para monitorar a saúde do rebanho.
Conceito de DRB e consequências do parasitismo
O conceito de DRB (Desempenho Reprodutivo e Produtivo Baixo) ajuda a identificar rebanhos com desempenho abaixo do esperado devido ao parasitismo. Entre os impactos estão a queda na taxa de ganho de peso, aumento do intervalo entre partos e elevação dos custos com tratamentos corretivos.
Vermífugos como parte de uma estratégia contínua
Segundo Gibrann, o uso de vermífugos deve ser contínuo e estratégico, não apenas pontual. A aplicação no momento adequado interrompe o ciclo dos parasitas e evita a reinfestação no rebanho e nas pastagens. O uso consciente também minimiza o risco de resistência aos medicamentos, um problema crescente causado pelo uso repetitivo e indiscriminado.
Escolha adequada do vermífugo e manejo integrado
A seleção do vermífugo deve considerar o parasita predominante, a fase produtiva dos animais e o ciclo produtivo. O tratamento deve basear-se em diagnóstico técnico, com exames como OPG (ovos por grama de fezes) para dosagem precisa. Alternar os princípios ativos ao longo do tempo é recomendado para evitar resistência e aumentar a eficácia.
Para helmintos gastrointestinais, vermífugos como levamisois e avermectinas são indicados. Para casos de tristeza parasitária, tratamentos para babesia, como imidocarb, são recomendados. Bezerros e vacas gestantes merecem prioridade devido à maior susceptibilidade.
Além disso, o manejo integrado é essencial, envolvendo rotação de pastagens, alternância entre espécies forrageiras, controle biológico com fungos antagonistas, limpeza de cochos e currais, manejo da lotação e uso adequado de endectocidas e ectocidas.
Principais erros e recomendações para o produtor
Entre os erros comuns estão superdosagem ou subdosagem de vermífugos, uso contínuo de um único princípio ativo, falta de monitoramento pós-tratamento e alta concentração de animais nas áreas de pastejo, que favorece a contaminação.
A recomendação é estabelecer um calendário sanitário, manter monitoramento constante do rebanho e adotar práticas preventivas para garantir a saúde dos bovinos e a rentabilidade da fazenda.
Produtos disponíveis para controle parasitário
Produtores interessados em soluções seguras e eficazes podem encontrar vermífugos nas lojas da Nossa Lavoura, com unidades em Rondônia, Acre, Amazonas e Mato Grosso, e nas unidades da Agroline, presentes em Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, além da venda online.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
19 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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