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Usinas do Brasil elevam capacidade de açúcar e “deixam” etanol a processadores de milho

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Maior produtor de açúcar do mundo, o Brasil foi responsável por quase 50% do comércio global no ano passado, já que o clima desfavorável devido ao padrão climático El Niño reduziu a produção e as exportações dos concorrentes Índia e Tailândia.

Os preços do açúcar caíram em relação ao pico de 12 anos atingido em novembro, mas ainda são historicamente altos. As usinas brasileiras estão correndo para concluir expansões ou novas plantas para aumentar sua capacidade de produção de açúcar, disseram os analistas.

“Todas as usinas que podem fazer isso (aumentar a capacidade de produção de açúcar) estão fazendo”, disse Julio Maria Borges, sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento, uma empresa de consultoria.

“A diferença de retorno financeiro entre o açúcar e o etanol é simplesmente muito grande.”

Os preços do açúcar estão atualmente 60% mais altos do que os valores equivalentes para o etanol brasileiro, disse a corretora e fornecedora de serviços de cadeia de suprimentos Czarnikow em um relatório esta semana. Essa é a maior diferença de preços em 15 anos.

Entre alguns dos maiores investimentos em açúcar, a usina Jalles Machado aportou 170 milhões de reais no Estado de Minas Gerais, a Cerradinho Bioenergia investiu 289 milhões de reais na fábrica de Mato Grosso do Sul e Coruripe colocou 200 milhões de reais em uma unidade, também em Minas Gerais.

A francesa Tereos, que tem sete usinas no Brasil, planeja destinar 70% de sua cana-de-açúcar para a produção de açúcar e 30% para o etanol. Isso representa um aumento em relação ao já alto nível de 67% da última temporada.

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Muitas outras usinas estão fazendo ajustes menores, otimizando as instalações de açúcar. A alocação de cana para a produção de açúcar — e não para a produção de etanol — em todo o Brasil no ano passado foi a maior em 12 anos, com 49%. A maioria dos analistas espera que seja um recorde na nova temporada.

Impacto do clima

Apesar do aumento da capacidade de produção de açúcar, é improvável que o Brasil produza mais do adoçante na nova temporada do que em 2023/24.

“Tivemos (em 23/24) um clima que era como um laboratório, simplesmente perfeito”, disse Borges.

“Choveu bem na hora certa e depois estava seco para a colheita. Não estamos vendo isso agora.”

A precipitação acumulada na principal área açucareira de Ribeirão Preto, no Brasil, este ano, por exemplo, está 50% abaixo do normal, de acordo com a modelagem climática GFS.

A Tereos espera que a produção de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil caia para menos de 600 milhões de toneladas em 2024/25, de 660 milhões de toneladas em 2023/24.

A corretora StoneX, por outro lado, ainda projeta uma produção recorde de açúcar na nova temporada de 43 milhões de toneladas, dizendo que o aumento da alocação de cana para a produção de açúcar, em detrimento do etanol, compensará um volume menor de cana-de-açúcar.

Etanol de milho

A StoneX estima que a produção de etanol de cana-de-açúcar cairá em quase 3 bilhões de litros em 2024/25, ou 10,4%, para 24,5 bilhões de litros. Por outro lado, a produção de etanol à base de milho crescerá 16%, chegando a 7,2 bilhões de litros.

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“Há uma mudança no setor”, disse o analista de açúcar e etanol da StoneX, Filipi Cardoso. “O etanol de milho é o melhor custo benefício, então as usinas de cana estão optando pelo açúcar.”

A produção de milho tem se expandido rapidamente no Brasil, que se tornou o maior exportador de milho do mundo no ano passado. Isso também incentivou a expansão da produção de etanol à base do cereal. Anteriormente, o etanol no Brasil era produzido a partir da cana-de-açúcar, e não do etanol.

“A produção brasileira de etanol de milho era inferior a 1 bilhão de litros há cinco anos e, nesta safra, pode chegar a 5 bilhões de litros e a 10 bilhões nos próximos 5 a 6 anos”, disseram os analistas do Citi.

O Brasil é um dos maiores consumidores mundiais de etanol como combustível para transporte.

O biocombustível foi responsável por 46% do uso de combustível em veículos leves no Brasil em 2023, ou 28,5 bilhões de litros.

A rápida expansão da produção de etanol de milho, no entanto, limitou os preços do biocombustível no Brasil, outro fator que incentivou as usinas a se concentrarem no açúcar.

Fonte: Reuters

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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