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UE decide aplicar o acordo provisoriamente. Veja como está a ratificação por aqui

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta sexta-feira (27.02) que a União Europeia iniciará a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul, após a ratificação do tratado por Argentina e Uruguai. A medida antecipa os efeitos comerciais do pacto — considerado o maior já negociado pelo bloco europeu em termos de redução tarifária — mesmo antes da conclusão do processo formal no Parlamento Europeu.

Veja aqui o que significa o acordo para o Brasil

A decisão altera o ritmo político do acordo, fechado após mais de 25 anos de negociações entre Mercosul e União Europeia, e cria um novo capítulo na disputa interna europeia sobre sua implementação.

Pelos tratados europeus, a Comissão pode aplicar provisoriamente acordos comerciais após a notificação de conclusão dos trâmites internos por ao menos uma das partes. A vigência definitiva, contudo, depende do consentimento do Parlamento Europeu.

Em janeiro, os eurodeputados aprovaram o envio do texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para análise de compatibilidade com os tratados do bloco. Esse procedimento pode atrasar a ratificação formal entre um e dois anos.

Na prática, a aplicação provisória permite que parte substancial das concessões comerciais — sobretudo reduções tarifárias — entre em vigor antes do aval final do Legislativo europeu. Bruxelas estima que o acordo eliminará cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias.

A movimentação é politicamente sensível. A votação que determinou a consulta ao tribunal expôs um Parlamento dividido: 334 votos favoráveis à revisão jurídica contra 324 contrários. O placar apertado revela que o apoio ao pacto não é consolidado.

O acordo cria uma área de livre comércio envolvendo aproximadamente 720 milhões de pessoas. Para os defensores, trata-se de um instrumento estratégico diante do ambiente geopolítico mais fragmentado, com pressões comerciais dos Estados Unidos e crescente dependência europeia de insumos estratégicos vindos da China.

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Alemanha e Espanha estão entre os governos que defendem a rápida implementação, argumentando que o pacto amplia mercados para bens industriais europeus e fortalece cadeias produtivas em setores como automotivo, químico e farmacêutico.

A resistência é liderada pela França, maior potência agrícola da UE. Produtores rurais europeus temem concorrência ampliada de carnes, açúcar, etanol e outros produtos agropecuários sul-americanos.

Para mitigar a oposição interna, o Parlamento Europeu aprovou recentemente um mecanismo específico de salvaguarda agrícola. A nova regra autoriza a Comissão a abrir investigação e suspender preferências tarifárias caso importações de produtos considerados sensíveis aumentem, em média, mais de 5% ao longo de três anos e, simultaneamente, os preços de importação fiquem 5% abaixo da média interna europeia.

O instrumento é mais rígido do que a proposta original da Comissão e foi aprovado por ampla maioria. A cada seis meses, Bruxelas deverá apresentar relatório avaliando o impacto das importações desses produtos.

Aqui a Revista Pensar Agro que detalhou o acordo

O gatilho relativamente baixo das salvaguardas é visto com preocupação por setores do agronegócio brasileiro, que temem insegurança jurídica e acionamento frequente do mecanismo.

O Uruguai tornou-se o primeiro membro fundador do bloco a concluir a ratificação parlamentar, com aprovação quase unânime. A Argentina também avançou no Congresso e promulgou a norma interna. Há disputa simbólica entre os dois governos sobre quem formalizou primeiro a aprovação.

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo que ratifica o tratado. O texto segue para o Senado. Por se tratar de acordo internacional, o Congresso não pode alterar seu conteúdo, apenas aprovar ou rejeitar.

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O governo brasileiro prepara um decreto regulamentando salvaguardas internas, sobretudo para setores considerados mais vulneráveis à concorrência europeia, como lácteos e vinhos. A medida busca estabelecer instrumentos de proteção compatíveis com o texto negociado.

O Paraguai já iniciou seu processo formal de ratificação. A Bolívia, que se tornou membro pleno do Mercosul em julho de 2024, não participou das negociações originais e não integra esta fase do acordo.

Ao optar pela aplicação provisória, a Comissão assume um risco calculado. Embora juridicamente autorizada, a medida pode tensionar a relação com o Parlamento Europeu, que ainda precisa dar consentimento formal ao acordo definitivo.

Se, ao final da análise do Tribunal de Justiça, o Parlamento rejeitar o pacto, a aplicação provisória teria de ser revertida — cenário politicamente custoso.

Para Bruxelas, porém, o momento é de sinalização estratégica. A leitura predominante na Comissão é que a UE precisa ampliar parceiros comerciais confiáveis em um ambiente internacional mais instável. A implementação provisória funciona, assim, como gesto político e instrumento econômico simultaneamente.

O acordo só entrará plenamente em vigor quando todos os países envolvidos concluírem seus processos internos e o Parlamento Europeu conceder seu consentimento.

Até lá, a aplicação provisória permitirá que parte das reduções tarifárias e compromissos comerciais produza efeitos práticos. O embate político, no entanto, permanece aberto — tanto nos campos agrícolas europeus quanto nos corredores institucionais de Bruxelas.

Depois de um quarto de século de negociações, o tratado entrou em sua fase decisiva. O desfecho dependerá menos da engenharia comercial e mais da aritmética política.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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