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Trump e Tarifas de Importação: Oportunidade para o Agronegócio Brasileiro?

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O ex-presidente Donald Trump foi eleito novamente com a promessa de elevar tarifas de importação para parceiros comerciais, focando, sobretudo, na China — país com o qual os EUA já protagonizaram uma guerra comercial entre 2017 e 2021, durante o primeiro mandato do republicano. Como parte de seu plano econômico, Trump defende a implementação de uma taxa de até 60% sobre produtos chineses e tarifas entre 10% e 20% para outros países.

Atualmente, o Brasil é um grande fornecedor de alimentos para os Estados Unidos, sendo o principal exportador de café para o mercado americano. Outros produtos agrícolas significativos incluem suco de laranja, carne bovina, derivados da cana-de-açúcar, couro e soja. Nesse contexto, uma eventual imposição de tarifas por parte dos EUA poderia impactar a relação comercial entre os dois países? Segundo analistas e associações do setor, a resposta é complexa e contempla dois fatores principais:

É improvável que Trump taxe produtos de primeira necessidade, como café e carne, que representam itens essenciais no mercado de consumo americano. Taxar esses produtos poderia desencadear uma alta de preços nos EUA, afetando o custo de vida e a geração de empregos no setor alimentício, que responde por uma parcela significativa da economia americana.

A nova guerra comercial proposta por Trump deve atingir prioritariamente a China, e é esperado que o foco das tarifas recaia sobre produtos tecnológicos. Esse cenário poderia levar a China a impor tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, como já aconteceu em 2018 e 2019, beneficiando exportadores brasileiros, sobretudo no setor de soja e milho.

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Agronegócio Brasileiro: Ameaça ou Oportunidade?

Especialistas do mercado agroalimentar consideram improvável que os EUA implementem tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros, como o café, que é fundamental para o consumo americano. Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, observa que “os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil. Com o rebanho bovino americano em seu menor patamar desde os anos 1950, o país depende das importações brasileiras para abastecer o mercado.”

Além disso, segundo análises da consultoria StoneX, uma nova guerra comercial com a China poderia reproduzir os efeitos do primeiro mandato de Trump, quando barreiras tarifárias impuseram restrições ao comércio bilateral e levaram a China a comprar mais produtos agrícolas do Brasil. Em 2019, a soja americana, por exemplo, enfrentou tarifas de 25% por parte da China, que passou a intensificar as importações do grão brasileiro. A soja e o milho são essenciais para o mercado de proteína animal na China, especialmente para a suinocultura, que é a maior do mundo.

Mercado de Carnes e Outras Exportações

O Brasil e os EUA são concorrentes diretos no mercado mundial de carne. Enquanto o Brasil lidera as exportações de frango e carne bovina, os EUA são fortes em carne suína. Segundo Iglesias, o aumento de tarifas sobre produtos agrícolas americanos na China abriria espaço para o crescimento das exportações brasileiras nesses setores.

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O café é outro produto estratégico: o Brasil é o principal fornecedor dos Estados Unidos, e o setor movimenta um volume significativo da economia americana, sustentando mais de 2,2 milhões de empregos, segundo dados de uma pesquisa da empresa Technomic. Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, reforça que aumentar tarifas sobre o café brasileiro não seria “sensato” para os EUA, devido à sua importância econômica e ao volume de empregos que o setor representa.

Expectativas e Desafios Futuros

Apesar das promessas e intenções, especialistas alertam que o cenário comercial só se consolidará após o início de um possível novo governo Trump. Para Matos, do Cecafé, a esperança é de que o republicano mantenha uma postura “sensata e racional” nas negociações, priorizando a estabilidade econômica e jurídica nos acordos comerciais.

Em suma, uma nova disputa comercial entre EUA e China poderia representar uma oportunidade para o Brasil expandir sua presença no mercado asiático, especialmente em produtos como soja, milho e carne.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito para silos terá juros de 8% em país com gargalo crescente

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Produtores e cooperativas que pretendem construir, ampliar ou modernizar armazéns já conhecem as condições do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para o ano agrícola 2026/27. O crédito, porém, ainda não pode ser contratado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informa que a data de abertura dos pedidos será comunicada posteriormente às instituições financeiras.

Projetos de armazenagem de grãos com capacidade de até 12 mil toneladas terão taxa prefixada de até 8% ao ano. Nos demais empreendimentos enquadrados no programa, os juros poderão chegar a 9,5% ao ano.

O limite é de R$ 50 milhões por produtor e por ano agrícola para armazenagem de grãos. Para cooperativas de produção, o teto sobe para R$ 200 milhões. Nos projetos destinados a outros produtos financiáveis, o máximo é de R$ 25 milhões. A participação do BNDES pode alcançar 100% dos itens aprovados.

O prazo de pagamento será de até dez anos, com carência máxima de dois anos. As garantias serão negociadas entre o interessado e a instituição financeira credenciada. O programa ficará vigente até 30 de junho de 2027.

Além dos grãos, o PCA permite financiar armazéns e câmaras frias destinados a frutas, tubérculos, bulbos, hortaliças, fibras, açúcar e determinados derivados. Também podem ser apoiadas reformas, ampliações e modernizações, desde que os equipamentos atendam aos critérios estabelecidos pelo banco.

As novas condições são divulgadas em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de grãos da safra 2025/26 em 360,8 milhões de toneladas. Já a capacidade útil de armazenagem alcançou 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A diferença entre os dois números, contudo, não representa automaticamente o déficit nacional. A produção ocorre ao longo de diferentes safras, e uma mesma estrutura pode receber e expedir mais de um lote durante o ano. Parte dos grãos também segue diretamente para indústrias, portos e consumidores. Ainda assim, a distância entre o crescimento das colheitas e a expansão dos armazéns revela um gargalo estrutural.

Entre 2010 e 2025, a capacidade estática brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano, enquanto a produção avançou 5% ao ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Transporte e Logística, ligado à Infra S.A. Com base na produção de 2023/24, o estudo calculou um déficit potencial de 88,5 milhões de toneladas.

A situação varia fortemente entre as regiões. Naquele levantamento, o Sudeste apresentava capacidade equivalente a 126,8% da produção regional, beneficiado principalmente pela estrutura existente em São Paulo. O Sul atingia 88,2%. No Centro-Oeste, principal região produtora do país, a proporção caía para 57,9%. Nordeste e Norte apresentavam os menores índices, de 54,2% e 45%, respectivamente.

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Mato Grosso mostra com clareza essa contradição. O Estado possui a maior capacidade instalada do Brasil, com 64,2 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do IBGE. Mesmo assim, por liderar a produção nacional de soja e milho, apresentou no estudo da Infra S.A. a maior necessidade absoluta de armazenagem, estimada em aproximadamente 40,9 milhões de toneladas.

Goiás aparecia com carência próxima de 13 milhões de toneladas. Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí também estavam entre os pontos de maior pressão, refletindo o crescimento da produção em áreas nas quais a infraestrutura não avançou na mesma velocidade. No Sul, apesar da situação comparativamente melhor, Paraná e Rio Grande do Sul ainda registravam insuficiência de capacidade.

Para o produtor, o silo próprio pode reduzir a dependência de armazéns de terceiros, evitar filas durante a colheita e permitir que a venda seja feita em um momento mais favorável. A estrutura também pode diminuir gastos com transporte emergencial e perdas de qualidade.

A decisão exige, porém, um cálculo que vá além da taxa de juros. Construção, secagem, energia, manutenção, seguro, mão de obra, licenciamento e capacidade de utilização ao longo do ano interferem no retorno do investimento. Com as condições já divulgadas, o próximo passo será a abertura efetiva das contratações pelo BNDES.

Fonte: Pensar Agro

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