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Transformação dos Sistemas Agroalimentares Brasileiros Pode Evitar Custos de Até US$ 427 Bilhões Anuais

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O relatório Estado da Alimentação e Agricultura 2024 (SOFA), publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), revela que os sistemas agroalimentares globais incidem custos ocultos anuais de cerca de US$ 12 trilhões. Para o Brasil, esses custos são estimados em impressionantes US$ 427 bilhões. O estudo, que abrange 156 países, destaca a importância de reformas profundas no setor para mitigar impactos ambientais, sociais e de saúde, além de promover uma maior sustentabilidade.

O SOFA detalha esses custos através da “contabilidade do custo real” (CCR), que analisa os impactos nos capitais natural, social e humano, ou seja, fatores que não são refletidos diretamente nos preços de mercado. O objetivo do estudo é identificar formas eficazes de reduzir esses custos e, assim, melhorar a tomada de decisões em prol de um modelo agroalimentar mais sustentável, que beneficie tanto as pessoas quanto o planeta.

No Brasil, os custos mais expressivos estão na dimensão ambiental, com quase US$ 294 bilhões decorrentes da emissão de gases de efeito estufa, escoamento de nitrogênio e mudanças no uso da terra. Em termos de saúde, as dietas pouco saudáveis relacionadas a doenças não transmissíveis (DNT), como doenças cardíacas e diabetes, representam cerca de US$ 130 bilhões. Já os custos sociais, incluindo subalimentação e pobreza entre trabalhadores rurais, somam aproximadamente US$ 3 bilhões.

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De acordo com a FAO, a transformação dos sistemas agroalimentares deve ser orientada para mudanças nos padrões alimentares, principalmente a redução do consumo de carnes processadas e vermelhas, bem como bebidas adoçadas. Essa mudança pode contribuir significativamente para a redução dos custos ocultos no Brasil, além de beneficiar a saúde pública e o meio ambiente.

Transformação Global e Local: O Papel do Brasil

Os sistemas agroalimentares ao redor do mundo variam conforme seu estágio de desenvolvimento, com impactos diferentes em cada contexto. O Brasil se encontra na categoria “formalizando”, um estágio de transição para o modelo industrial, caracterizado por altos índices de urbanização e um aumento no consumo de alimentos não essenciais. Para países como o Brasil, a mudança para dietas mais equilibradas pode reduzir substancialmente os custos ocultos relacionados à saúde e ao meio ambiente.

O estudo também destaca políticas públicas brasileiras que buscam integrar a redução dos custos ocultos no desenho de suas estratégias. Exemplos como o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) e a Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional para Cidades, que envolvem colaboração entre diferentes ministérios e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), têm se mostrado eficazes. Tais iniciativas contribuem para uma abordagem mais integrada e sustentável na produção e consumo de alimentos.

Além disso, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que promove a agricultura familiar e apoia populações em situação de vulnerabilidade, tem gerado resultados positivos. O PAA contribuiu para um aumento de 13,1% no valor da produção dos agricultores familiares, ao mesmo tempo em que tem sido essencial na garantia de alimentação saudável para crianças em situação de insegurança alimentar.

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A Necessidade de Ação Coletiva

O relatório da FAO enfatiza que a transformação dos sistemas agroalimentares requer ação coletiva, envolvendo governos, empresas, instituições financeiras, organizações internacionais e consumidores. De acordo com o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, “as escolhas que fazemos agora, as prioridades que definimos e as soluções que implementamos determinarão nosso futuro compartilhado”. Ele destaca que mudanças no setor agroalimentar são essenciais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e garantir um futuro mais próspero e saudável para todos.

As recomendações incluem incentivos financeiros e regulatórios para práticas sustentáveis ao longo das cadeias de suprimento de alimentos, políticas para promover dietas mais saudáveis e a redução das emissões de gases de efeito estufa, entre outras. Além disso, é fundamental garantir que as famílias vulneráveis também se beneficiem dessas transformações, promovendo uma alimentação mais acessível e nutricionalmente balanceada.

A transformação dos sistemas agroalimentares, segundo a FAO, também exige um esforço para fortalecer a governança e a sociedade civil, criando um ambiente propício para a inovação e para a adoção de práticas mais sustentáveis, equilibradas e inclusivas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mulheres do Projeto Lutadoras iniciam jornada de defesa pessoal e fortalecimento em Cuiabá

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O primeiro dia de aulas gratuitas de defesa pessoal para as alunas do Projeto Lutadoras, na Secretaria da Mulher, nesta segunda-feira (20), foi marcado por acolhimento e conscientização. Nesta semana, o projeto inicia atividades em todas as unidades distribuídas por Cuiabá, reunindo 866 mulheres inscritas em uma das maiores edições já realizadas.

Sob as instruções do profissional de educação física e faixa-preta de jiu-jítsu Gilson de Oliveira, as alunas receberam orientações. Ele explicou que o trabalho começa antes mesmo das técnicas. “Hoje fizemos um acolhimento, falando sobre o que é o abuso, quais enfrentamentos existem dentro de casa e na rua e como evitar que a situação aconteça. Esse é o primeiro momento do treinamento”, afirmou.

De acordo com Gilson de Oliveira, nas próximas aulas serão trabalhados condicionamento físico, técnicas de aproximação e afastamento e alguns golpes específicos. “O principal é mostrar como evitar a situação e dar condições para que a mulher saia dela, caso aconteça, e saiba para quem ligar e como pedir ajuda.”

Para Eduarda Butakka, diretora de Políticas Públicas para Mulheres da Secretaria da Mulher de Cuiabá, a preparação também tem efeito preventivo. “Quando o agressor sabe que a mulher está preparada para se defender, ele pensa duas vezes. Uma mulher preparada tem mais meios de se proteger.”

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Entre as participantes, o sentimento é de entusiasmo e fortalecimento. A servidora Roserlene Ciqueira, professora da rede municipal, resume o novo momento: “Agora sou lutadora. Lutando para ter qualidade de vida e equilíbrio no corpo físico e mental.”

Ela convidou as mulheres a participar e destacou que o aprendizado começa na prevenção. “Quando a violência começa, seja psicológica ou física, precisamos evitar o confronto. Mas, se for necessário, precisamos saber nos defender e também pedir ajuda.”

Moradora do bairro Baú e trabalhadora do comércio, Glaucileia Basana afirmou que gostou muito da aula. Segundo ela, mesmo sem experiência, já aprendeu dois golpes. “É uma aula prática, e o professor ensina de uma forma que a gente aprende de primeira. Conheci o projeto pelas redes sociais da Prefeitura e estou aqui. Achei muito interessante, principalmente pela violência que as mulheres sofrem. É uma forma de ter mais segurança para andar pela cidade”, contou.

Para 2026, o projeto foi ampliado com a criação de 32 novas turmas, distribuídas em 16 polos nas regiões Sul, Norte, Leste e Oeste da capital, com duas turmas por unidade e média de 60 alunas por polo. As participantes frequentarão os polos e horários escolhidos no ato da inscrição. As inscritas na Praça Rachid Jaudy e no Centro de Referência da Mulher terão aulas na Secretaria da Mulher, conforme informado previamente.

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O projeto é realizado pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, liderada pela secretária Hadassah Suzannah. Idealizada pela primeira-dama Samantha Iris, a iniciativa se transformou em uma política pública permanente de fortalecimento e proteção às mulheres da capital.

A instrutora faixa-preta de jiu-jítsu Polyanna Souza de Araújo afirmou que a base de suas aulas é o jiu-jítsu, modalidade que permite imobilizações e técnicas de defesa mesmo contra adversários fisicamente mais fortes. “O foco principal é imobilizar e se defender. A mulher precisa estar preparada para reagir, se for necessário”, ressaltou.

Além de técnicas de jiu-jítsu, nas diferentes unidades as alunas terão aulas de judô, taekwondo, wrestling, capoeira, muay thai, kickboxing e karatê. A iniciativa se consolida como estratégia de prevenção à violência contra a mulher, indo além da prática esportiva ao promover segurança, saúde física, equilíbrio emocional e fortalecimento da autoestima.

A Secretaria Municipal da Mulher informa que, nesta terça-feira (21), feriado de Tiradentes, não haverá aulas nos polos. Na quarta-feira e na quinta-feira, as atividades seguem normalmente. Clique AQUI e veja onde será sua jornada

https://cuiaba.mt.gov.br/storage/webdisco/2026/04/17/outros/2026-04-17-22-36-planilha-completa-com-todos-os-nomes-das-lutadoras-69e2ee197e092.pdf

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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