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Tendências do mercado de trigo no Brasil: Alta em novembro, mas com limitações na paridade de importação

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Elcio Bento, analista da SAFRAS & Mercado, ressalta que essa elevação ocorreu principalmente na primeira quinzena do mês. Contudo, nos últimos 15 dias, as cotações domésticas atingiram a paridade de importação em relação à safra nova argentina, levando a uma lateralização.

Bento explica que essa lateralização decorre da divergência entre pedidas e ofertas, com a quebra expressiva da safra brasileira sendo o principal argumento para os produtores aumentarem o interesse de venda. Entretanto, quando os preços domésticos se equipararam ao custo de aquisição externa do principal fornecedor de trigo ao Brasil, os compradores ganharam respaldo para conter a escalada das cotações.

A formação de preços tornou-se uma queda de braço entre as forças de ambas as pontas do mercado, resultando na lateralização das cotações e na redução dos reportes de negócios. Com a aproximação do final do ano, quando muitos moinhos entram em férias coletivas, o mercado tende a operar com lentidão.

Colheita e Panorama nos Estados Produtores

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da safra 2022/23 de trigo atingiu 96,5% da área estimada nos principais estados produtores do Brasil. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a colheita está mais avançada, evidenciando a eficiência dos trabalhos.

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No Rio Grande do Sul, estado significativo na produção de trigo, a colheita atinge 98% da área. A primeira metade da semana, caracterizada por tempo seco, impulsionou avanços na colheita, que se aproxima da conclusão. As regiões mais a Oeste e Noroeste do estado já concluíram a operação, restando áreas a serem colhidas a Sul e Nordeste devido à prática de semeadura mais tardia nessas regiões.

Cenário Internacional na Argentina

Na Argentina, a colheita de trigo atinge 36,4% da área, com um avanço de 10 pontos percentuais desde a semana anterior. Os trabalhos estão 13,4 pontos percentuais adiantados em relação ao ano passado. A produtividade observada superou as expectativas após geadas recentes, o que pode levar a uma revisão para cima na projeção de produção pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, atualmente estimada em 14,7 milhões de toneladas. Até o momento, 4,45 milhões de toneladas foram colhidas em 2,059 milhões de hectares.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Novas exigências desafiam a ampliação da rastreabilidade e controle de medicamentos

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As novas exigências da União Europeia para importação de proteína animal colocaram um desafio adicional para a pecuária brasileira: ampliar os mecanismos de rastreabilidade e comprovar o uso adequado de medicamentos veterinários em uma cadeia que reúne cerca de 235 milhões de cabeças de bovinos, a maior do mundo em termos comerciais.

A pressão ocorre em um momento de aumento das barreiras não tarifárias ao comércio internacional. Além das exigências ambientais, como o regulamento antidesmatamento (EUDR), o bloco europeu vem reforçando regras relacionadas à segurança alimentar e ao uso de antimicrobianos na produção animal. O tema preocupa exportadores e entidades do setor, que veem a necessidade de acelerar sistemas de monitoramento e certificação para preservar o acesso a mercados de maior valor agregado.

O Brasil exportou 3,1 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, volume recorde da série histórica, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A União Europeia respondeu por cerca de 80 mil toneladas embarcadas no ano passado, participação inferior à da China, mas considerada estratégica por representar um mercado de maior valor agregado e referência para outros compradores.

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As exigências europeias incluem maior controle sobre o uso de substâncias antimicrobianas classificadas como críticas para a saúde humana. Desde 2022, o bloco proibiu a importação de produtos de origem animal obtidos com o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e ampliou as exigências de comprovação sobre os sistemas de produção adotados pelos países fornecedores.

Especialistas do setor avaliam que o desafio brasileiro não está na ausência de tecnologia, mas na capacidade de demonstrar e documentar as práticas realizadas nas propriedades rurais. O sistema de identificação e certificação existente no País foi desenvolvido para atender mercados específicos, mas a tendência é de expansão das exigências relacionadas à origem dos animais, histórico sanitário e utilização de medicamentos.

Criado em 2002, o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov) atende principalmente propriedades habilitadas para exportação. Em paralelo, o Ministério da Agricultura lançou, em 2024, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), que prevê a implementação gradual da rastreabilidade do rebanho nacional até 2032.

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A ampliação dos mecanismos de controle ocorre em um cenário de crescente concorrência internacional. Países como Uruguai e Austrália já operam sistemas nacionais de rastreabilidade individual, condição que facilita o acesso a mercados mais exigentes e fortalece a capacidade de resposta diante de questionamentos sanitários.

Segundo entidades da cadeia pecuária, a adoção de ferramentas de monitoramento do uso de medicamentos veterinários e a ampliação dos sistemas de rastreabilidade tendem a ganhar importância nos próximos anos, à medida que questões sanitárias e de sustentabilidade assumem peso crescente nas negociações comerciais.

Com a elevação das exigências dos principais importadores, a capacidade de comprovar a origem dos animais e os protocolos adotados nas propriedades passa a ser vista pelo setor não apenas como uma exigência regulatória, mas como um fator de competitividade para a carne brasileira no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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