A perspectiva para o mercado de trigo no Brasil em 2024 é de preços mais firmes, conforme análise do especialista Elcio Bento, da SAFRAS & Mercado. Esta projeção fundamenta-se nas alterações observadas no quadro de abastecimento interno, onde o ano passado registrou uma queda significativa de 25,3%, comparado a 2022.
Após dois anos de excedentes exportáveis no Rio Grande do Sul, a safra de 2023 sofreu consideráveis perdas devido a adversidades climáticas, impactando o mercado doméstico até meados de agosto de 2024. No ciclo anterior, os gaúchos mantinham estoques que superavam a demanda local em cerca de 4 milhões de toneladas. Agora, o estado passa de vendedor a comprador, com a necessidade de importar entre 750 e 950 mil toneladas para manter a moagem até a próxima colheita em outubro de 2024.
Bento destaca que a formação de preços será orientada pela paridade de importação, sendo o valor que o produto importado chega aos moinhos nacionais o determinante para o preço que o triticultor brasileiro poderá solicitar por sua produção. Historicamente, a paridade de importação supera a de exportação entre 20% e 25%, indicando um cenário de preços superiores ao da temporada passada.
Contexto Global e Expectativas de Estabilidade nos Preços
No contexto global, a expectativa é de maior estabilidade nos preços do trigo em 2024, com um viés de alta. A correção dos preços após a invasão russa à Ucrânia em 2022 contribui para essa estabilidade. A tendência é de uma recuperação dos preços, especialmente considerando que os grandes fornecedores globais, como a Rússia, compensaram o declínio ucraniano, mantendo o fluxo de comércio na região.
A safra do Hemisfério Norte, responsável por cerca de 90% do trigo colhido mundialmente, ocorre em meados de junho de 2024, o que influenciará os preços globais. Até lá, os números de produção da safra nova e o quadro de abastecimento 2023/24 continuarão a impactar o mercado internacional.
Argentina como Fator Significativo nas Perspectivas de Preços no Brasil
A Argentina, principal fornecedora brasileira, apresenta um maior saldo exportável. Com um excedente próximo a 8,5 milhões de toneladas em relação ao seu consumo interno, a Argentina poderia atender a necessidade de importação brasileira estimada em 6,2 milhões de toneladas até julho de 2024. No entanto, a competitividade do trigo argentino em relação a outros fornecedores, especialmente para os compradores do Sudeste asiático, adiciona complexidade ao cenário. Com possíveis demandas crescentes da Ásia devido a problemas nas produções de Índia e Austrália, os moinhos brasileiros podem enfrentar pressões para pagar mais, fortalecendo a percepção de preços mais firmes no Brasil.
Bento ressalta que o reflexo das cotações internacionais no Brasil dependerá do comportamento cambial, sendo uma variável sujeita a diversos fatores. No entanto, a estabilidade cambial prevista pelos economistas brasileiros sugere que o impacto não será significativamente ampliado, mantendo-se em linha com as tendências observadas no ano anterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio