AGRONEGÓCIO

Especialista Afirma que o Consumidor Define o Mercado Pecuário

Publicado em

Na tarde de sexta-feira, 6 de dezembro, o Instituto Desenvolve Pecuária organizou um evento na Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com o apoio do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva da UFRGS (NESPro/UFRGS). A terceira edição do encontro “Perspectivas” reuniu especialistas em pecuária, economia e carnes para discutir os desafios e as tendências da cadeia produtiva de carne bovina para o próximo ano.

O papel central do consumidor no mercado pecuário

A primeira palestra foi proferida por István Wessel, especialista em carnes e membro da quarta geração da Carnes Wessel. Wessel destacou a importância do consumidor no mercado de pecuária, enfatizando que quem realmente determina o rumo do setor são os compradores de carne, como as donas de casa e consumidores em restaurantes. Ele relatou que, na década de 1970, ao desenvolver uma embalagem para seus produtos, decidiu criar pacotes de carne com quatro bifes organizados de maneira a facilitar a visualização do produto. Hoje, a embalagem individualizada reflete uma mudança no comportamento do consumidor. Wessel também mencionou o impacto das redes sociais e aplicativos de comida, citando como a pandemia acelerou o crescimento das vendas via plataformas digitais. “Temos que fazer o preço do produto conforme ele vale na cabeça do consumidor. Não somos nós que fazemos o preço, é o mercado”, concluiu.

Leia Também:  Sorteio define vendedores de alimentos para os boxes do novo Mercado do Produtor
A perspectiva econômica e os desafios para o setor

O economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL), Antônio da Luz, abordou a atual conjuntura econômica, analisando o impacto do PIB no consumo interno de carne bovina. Ele observou que, historicamente, o aumento no consumo de carne está associado ao crescimento econômico. No entanto, alertou para os riscos de um PIB artificialmente elevado, que pode levar a uma crise fiscal devido ao aumento dos gastos públicos. “Não contem com o governo. Somos nós por nós mesmos”, enfatizou, destacando a necessidade de cautela nas decisões empresariais diante de um cenário econômico instável.

O olhar do setor para o futuro

O professor Júlio Barcellos, do NESPro, também falou sobre a dinâmica do mercado pecuário, destacando que o setor ainda está excessivamente focado no governo, em vez de olhar para as reais necessidades do consumidor. Ele explicou que o preço do boi depende do custo de produção, mas também das circunstâncias do mercado. Barcellos ressaltou que, embora o Brasil seja um dos maiores produtores de carne bovina, o consumo interno é limitado e o mercado externo é crucial para a sustentação da pecuária nacional. O professor apontou que, em relação ao preço da carne, a melhor média dos últimos cinco anos ocorreu em 2022, quando o preço ultrapassou os US$ 6,00 por tonelada.

Ele também alertou sobre a redução de rebanho em algumas regiões do Rio Grande do Sul e a perda de área destinada à pecuária para a soja, especialmente nas regiões de Bagé, Lavras do Sul e Dom Pedrito. A redução de 600 mil hectares nesses locais representa a perda de aproximadamente 1 milhão de cabeças de gado. Barcellos finalizou sua palestra apresentando as projeções de preço para 2025, com uma média esperada de R$ 10,67 por quilo, e enfatizou a importância de temas como mudanças climáticas, gestão de riscos, inteligência artificial e sustentabilidade para o futuro do setor.

Leia Também:  Queijo mineiro movimenta a economia e conquista paladares
Encerramento e perspectivas para o futuro

A presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antonia Scalzilli, fez um balanço positivo do evento, destacando os desafios enfrentados em 2024, mas também a superação e o amadurecimento do Instituto. Ela mencionou a campanha solidária que beneficiou 700 famílias afetadas pelas intempéries e a entrega de vouchers a policiais militares atingidos por enchentes.

Ao concluir o evento, Antonia expressou sua satisfação com a participação ativa do público e o interesse demonstrado pelos palestrantes. “São pessoas muito especiais, representativas e que realmente mostram e norteiam o cenário da Pecuária Gaúcha”, disse. Ela também anunciou que, para 2025, o Instituto já está planejando o Congresso Internacional de Criadores, que ocorrerá em Porto Alegre, nos dias 18 e 19 de junho, junto com a 20ª Jornada NESPro, com a expectativa de reunir cerca de mil produtores de várias regiões.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Agronegócio movimentou R$ 45,6 bilhões no primeiro semestre

Published

on

O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões com as vendas ao exterior no primeiro semestre de 2026. Com 8,46 milhões de toneladas enviadas a 166 países, o estado manteve a terceira posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo.

Os dados foram divulgados no Informativo Conjuntural de julho, publicado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,09.

Minas Gerais respondeu por 10,3% das exportações brasileiras do agronegócio entre janeiro e junho. O setor também gerou 40,9% de toda a receita obtida pelo estado com as vendas internacionais, demonstrando a importância das atividades rurais para a economia mineira.

A China permaneceu como o principal destino dos produtos agropecuários do estado. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A presença em mercados com diferentes perfis de consumo reduz a dependência de um único comprador e amplia as possibilidades de comercialização para produtores, cooperativas e agroindústrias.

O café continuou como o principal produto da pauta. As vendas somaram R$ 22,9 bilhões e representaram 50,1% de toda a receita do agronegócio mineiro no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre.

O preço médio do café exportado aumentou 4,2% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Convertida para a moeda brasileira, a média passou de aproximadamente R$ 2.034 para R$ 2.119 por saca. Essa referência corresponde ao valor do produto embarcado e não ao preço pago diretamente ao cafeicultor.

Leia Também:  Mercado acionário chinês encerra em leve alta, impulsionado por Alibaba

A valorização ajudou a sustentar a receita em um período de menor disponibilidade do grão. O volume exportado diminuiu 21,6%, depois dos elevados embarques realizados nos ciclos anteriores e dos efeitos do clima sobre a produção e os estoques.

A perspectiva para os próximos meses é favorecida pela entrada da safra de 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil possa colher 66,2 milhões de sacas, crescimento de 17,1% sobre o ciclo anterior.

Minas Gerais, maior produtor nacional de café, deverá ter participação decisiva nesse avanço. A bienalidade positiva do arábica, a ampliação da área em produção e a recuperação esperada da produtividade podem aumentar a disponibilidade do grão para o mercado interno e para as vendas internacionais.

A soja foi o segundo principal grupo da pauta e apresentou crescimento. As exportações de grão, farelo e óleo movimentaram R$ 10,9 bilhões, alta de 10,2%. O volume chegou a 5,01 milhões de toneladas, avanço de 2,5%.

O resultado do complexo soja mostra que Minas Gerais também amplia sua participação na comercialização de produtos processados. A produção de farelo e óleo agrega valor ao grão, movimenta as indústrias de esmagamento e atende às cadeias de ração animal e biodiesel.

Leia Também:  Desafios no mercado: Produtores de feijão-preto exigem estratégias especiais

As carnes também avançaram. Os embarques renderam R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O estado vendeu 247,3 mil toneladas, volume 3,7% maior.

O aumento mais expressivo da receita em relação à quantidade indica melhora no valor médio das carnes exportadas. O movimento favorece frigoríficos, cooperativas e pecuaristas integrados às cadeias que atendem ao mercado internacional.

O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, movimentou R$ 2,7 bilhões, enquanto os produtos florestais renderam R$ 2,6 bilhões. Juntos, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais responderam por 96,2% das vendas externas do agronegócio mineiro.

Produtos tradicionais e de maior valor agregado também conquistaram espaço. Queijos, doce de leite, cachaça e doces mineiros movimentaram cerca de R$ 49,4 milhões no semestre. Embora tenham participação menor na pauta, esses produtos abrem oportunidades para pequenas e médias agroindústrias que trabalham com origem, qualidade, tradição e indicação geográfica.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, a receita total das exportações do agro mineiro recuou 9,6% e o volume diminuiu 3%. Ainda assim, o crescimento da soja e das carnes, a valorização média do café e a presença em 166 mercados mantiveram Minas Gerais entre as principais forças do agronegócio exportador brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA