AGRONEGÓCIO
Tecnologia avança nas pequenas e médias propriedades e transforma a rotina no campo
Publicado em
16 de junho de 2025por
Da Redação
Recursos como piloto automático, telemetria e motores eletrônicos, antes comuns apenas em grandes máquinas agrícolas, já estão presentes em tratores de menor porte. Essa evolução tecnológica tem transformado o dia a dia de pequenos e médios produtores, proporcionando mais precisão, economia e produtividade em todas as etapas do ciclo agrícola.
Equipamentos versáteis e tecnológicos para múltiplas funções
Tratores com potências entre 69 cv e 145 cv são os mais utilizados nas propriedades menores. Segundo Eder Pinheiro, coordenador de Marketing de Produto Tratores da Massey Ferguson, esses modelos são versáteis e executam diversas tarefas, como preparo do solo, plantio, pulverização, adubação, colheita e transporte. Com a tecnologia embarcada, essas atividades são realizadas com mais eficiência e segurança.
Piloto automático garante precisão e economia no plantio
Na fruticultura e na cafeicultura, o uso do piloto automático é comum em operações de sulcação — abertura de sulcos para o plantio. A tecnologia evita falhas e sobreposição de linhas, o que resulta em menor desperdício de mudas, adubos e defensivos, além de proporcionar mais agilidade ao processo.
Telemetria facilita o monitoramento em tempo real
A telemetria permite acompanhar, em tempo real e à distância, o desempenho dos tratores, com informações como velocidade, rotação e consumo de combustível acessíveis por celular ou computador. Esses dados ajudam o produtor a corrigir falhas operacionais com rapidez. “Se dois tratores estiverem consumindo combustível de forma desigual, por exemplo, pode ser uma diferença na rotação usada, algo que pode ser ajustado com uma simples orientação”, explica Pinheiro.
Plantadeiras modernas para produtores menores
As inovações também chegaram às plantadeiras. A MF 500, por exemplo, traz recursos antes disponíveis apenas em modelos de alta performance, como o sistema vDrive, que realiza controle individual da distribuição de sementes por linha, evitando falhas e sobreposições.
Além disso, a MF 500 possui sensores que monitoram em tempo real o funcionamento de cada linha de plantio e emitem alertas sonoros em caso de problemas, como entupimentos ou falhas na distribuição de fertilizantes. “Isso evita prejuízos que só seriam percebidos no final da operação ou após a germinação das plantas”, afirma Revis da Silva, coordenador de Marketing de Produto da Massey Ferguson.
Motores eletrônicos otimizam o desempenho e reduzem falhas
Os motores eletrônicos instalados nos tratores mais modernos são capazes de monitorar suas próprias condições e fazer ajustes automáticos para otimizar o consumo de combustível. Em caso de falhas, como presença de água no diesel ou filtro de ar entupido, o sistema emite alertas ou reduz a injeção de combustível automaticamente, evitando danos maiores e desperdícios.
Capacitação torna a tecnologia acessível a todos os produtores
A Massey Ferguson oferece treinamento no momento da entrega dos tratores para garantir que os agricultores saibam operar corretamente todos os recursos tecnológicos, mesmo que não tenham familiaridade com ferramentas digitais. “A capacitação permite extrair o máximo desempenho das máquinas e tomar decisões mais precisas com base nos dados gerados em tempo real”, destaca Pinheiro.
Conforto também é prioridade nos novos modelos
Além da tecnologia, os tratores evoluíram no quesito conforto. Atualmente, todos os tratores da Massey Ferguson são 4×4 e quase 80% possuem cabine com ar-condicionado, isolamento acústico, redução de vibração e ergonomia aprimorada. “O conforto do operador tem impacto direto na produtividade. Um ambiente adequado reduz erros, cansaço e melhora o ritmo de trabalho”, afirma Pinheiro.
Produtores destacam benefícios no campo
Para o produtor José Luiz Laurentiz, de Motuca (SP), as melhorias foram significativas. “Com a cabine e a tecnologia embarcada, o trabalho ficou mais ágil, confortável e profissional. Hoje conseguimos fazer tudo com muito mais praticidade, do plantio à colheita”, relata.
Tratores com tecnologia embarcada para diferentes culturas
A Massey Ferguson oferece uma linha diversificada de tratores tecnológicos, adaptados a diferentes tipos de cultivo. A série MF 3400 atende fruticultura e cafeicultura, enquanto as séries MF 4400, MF 4700, MF 5700 e MF 6700 se destacam pela robustez e versatilidade. O modelo MF 6700R, por exemplo, conta com transmissão Dyna-4, que permite trocas automáticas de marcha sem uso da embreagem, aumentando o conforto e a eficiência operacional.
Tecnologia acessível transforma a agricultura familiar
Para Eder Pinheiro, as inovações vêm mudando a percepção dos pequenos e médios produtores sobre o uso de tecnologia no campo. “Hoje, eles entendem que esses recursos são essenciais para o bom desempenho da propriedade. O que antes era visto como exclusivo das grandes fazendas agora está presente no dia a dia da agricultura familiar”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Published
21 horas agoon
20 de agosto de 2026By
Da Redação
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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