AGRONEGÓCIO

Tarifas dos EUA criam incertezas globais, mas abrem caminho para o crescimento do Brasil

Publicado em

A recente onda de tarifas comerciais anunciada pelo governo dos Estados Unidos, apelidada de “tarifaço”, intensificou a tensão no comércio internacional. Segundo Cassio Zeni, cofundador e Diretor de Relações com Investidores da Rubik Capital, a postura protecionista do presidente Donald Trump provocou incertezas no cenário global, levando investidores e países a buscarem alternativas para minimizar os impactos das novas taxas.

Desafios logísticos e volatilidade nos mercados

As medidas adotadas pelos EUA trouxeram desafios para diversas nações, como o aumento da pressão sobre a infraestrutura logística, riscos de sobrecarga em determinados setores e maior exposição à volatilidade dos preços. Diante da imprevisibilidade do mercado americano, muitos compradores passaram a evitar esse destino, o que causou oscilações na oferta e demanda global de produtos.

Cautela com os EUA e busca por novos mercados

Em razão dessas incertezas, investidores — especialmente brasileiros — passaram a observar os EUA com mais cautela, principalmente em setores como manufatura e comércio exterior, que agora enfrentam maior risco regulatório. Por outro lado, áreas menos afetadas pela política comercial, como tecnologia, saúde e inovação, continuam despertando interesse.

Leia Também:  Cresol projeta disponibilizar R$ 15 bilhões em crédito na Safra 24/25

Apesar das preocupações, o mercado americano ainda mantém características atrativas, como liquidez, profundidade e segurança jurídica. No entanto, a diversificação de investimentos passou a ser vista como uma estratégia essencial, envolvendo diferentes mercados e moedas.

Brasil entra no radar de investidores internacionais

Dentro desse novo contexto, o Brasil tem se destacado como uma opção viável para alocação de recursos. A combinação de juros globais baixos, dólar valorizado e perspectivas de reformas internas atraiu a atenção de investidores internacionais para ativos brasileiros.

Além disso, em momentos de instabilidade mundial, países com recursos naturais abundantes, grande mercado interno e potencial de crescimento de longo prazo tendem a ganhar relevância — características que favorecem a economia brasileira.

Setores de exportação são os mais beneficiados

Setores voltados à exportação, como agronegócio e mineração, se beneficiaram com o novo cenário, especialmente na venda de produtos como soja, milho, carne, açúcar, minério de ferro e petróleo. O interesse internacional por investimentos em infraestrutura logística no Brasil, incluindo portos e ferrovias, também cresceu.

Impactos negativos e necessidade de ajustes

Por outro lado, segmentos que dependem de insumos importados, como o setor automotivo e de tecnologia, enfrentaram dificuldades devido ao aumento dos custos e à complexidade das importações. Isso evidencia lacunas estruturais que o Brasil precisa superar para aumentar sua competitividade.

Leia Também:  Koppert lança Relatório de Sustentabilidade 2024 e reforça compromisso com agricultura regenerativa e responsabilidade ambiental
Caminhos para aproveitar as oportunidades

Segundo Zeni, o Brasil tem potencial para crescer diante desse novo cenário global, desde que avance em reformas estruturais, melhore a eficiência do Estado e garanta estabilidade institucional. Investir em logística e inovação é fundamental para reduzir riscos nas commodities e diminuir a dependência de fornecedores externos.

Buscar acordos comerciais com mais países e assegurar previsibilidade nas regras também são passos estratégicos. Considerando que Donald Trump pode permanecer no poder até 2028, é provável que os Estados Unidos mantenham políticas que intensifiquem disputas comerciais.

Hora de agir com estratégia

Nesse contexto, o Brasil tem a chance de se posicionar como um destino confiável para investimentos e parcerias, atraindo capital e promovendo crescimento sustentável. A forma como o país conduzirá suas decisões nos próximos anos será determinante para o fortalecimento de sua economia e para garantir bons retornos aos investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

PIB do agronegócio cresce 12,2% em 2025 e atinge R$ 3,2 trilhões, com forte avanço da pecuária

Published

on

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro registrou crescimento expressivo de 12,20% em 2025, alcançando R$ 3,20 trilhões e ampliando sua participação para 25,13% da economia nacional. O desempenho foi fortemente impulsionado pelo avanço da pecuária, que liderou a expansão ao longo do ano.

Os dados são do Cepea, da Esalq/USP, em parceria com a CNA.

Quarto trimestre sinaliza desaceleração

Apesar do resultado robusto no acumulado do ano, o quarto trimestre de 2025 apresentou retração de 1,11% em relação ao trimestre anterior, refletindo a perda de fôlego dos preços no setor.

A queda foi generalizada entre os segmentos do agronegócio:

  • Insumos: -2,32%
  • Segmento primário: -0,92%
  • Agroindústrias: -1,48%
  • Agrosserviços: -0,86%

Segundo o Cepea, esse movimento já era esperado, considerando que o forte crescimento observado anteriormente foi impulsionado pela valorização dos preços iniciada no segundo semestre de 2024, que perdeu intensidade ao longo de 2025.

Pecuária lidera crescimento do agro

O grande destaque do ano foi o ramo pecuário, que registrou expansão de 32,55%, enquanto o ramo agrícola avançou 3,40%.

No quarto trimestre, a diferença de desempenho entre os ramos ficou evidente:

  • Agricultura: retração de 2,43%
  • Pecuária: crescimento de 1,81%
Leia Também:  Cresol projeta disponibilizar R$ 15 bilhões em crédito na Safra 24/25

A pecuária foi sustentada principalmente pelo aumento dos preços e pelo maior volume de produção, além do desempenho positivo das exportações.

Produção e preços cresceram juntos — cenário incomum

Um dos pontos mais relevantes de 2025 foi a combinação de alta nos preços com crescimento da produção, o que não é comum no setor.

O chamado PIB-volume, que mede o avanço da produção, cresceu 6,76% no período, indicando expansão consistente da atividade. Historicamente, anos de forte produção costumam ser acompanhados por queda nos preços — o que não ocorreu desta vez.

Esse cenário contribuiu para que 2025 registrasse o segundo maior crescimento da série histórica do PIB do agronegócio.

Desempenho por segmentos

Insumos

O segmento cresceu 5,37% no ano, puxado pelos insumos agrícolas (+12,51%), com destaque para fertilizantes, defensivos e máquinas. Já os insumos pecuários recuaram 11,67%, impactados pela queda nos preços das rações.

Segmento primário

Apresentou forte expansão de 17,06%, com altas tanto na agricultura (+13,09%) quanto na pecuária (+24,16%). O resultado reflete o aumento da produção e, no caso da pecuária, preços mais elevados.

Agroindústria

Cresceu 5,60%, mas com forte contraste interno:

    • Base agrícola: -3,33%
    • Base pecuária: +36,54%
Leia Também:  Mercado do milho enfrenta baixa liquidez e descompasso entre ofertas e demandas nas principais regiões produtoras

A indústria pecuária foi impulsionada por preços elevados e exportações aquecidas.

Agrosserviços

Registraram alta de 13,76%, com avanço modesto na base agrícola (+1,13%) e crescimento expressivo na base pecuária (+41,59%), refletindo o dinamismo da cadeia produtiva.

Participação do agro na economia aumenta

Com o resultado de 2025, o agronegócio ampliou sua relevância na economia brasileira, passando de 22,9% do PIB em 2024 para 25,13% em 2025.

Do total gerado:

  • R$ 2,06 trilhões vieram do ramo agrícola
  • R$ 1,14 trilhão foram gerados pela pecuária
Perspectiva: preços ainda são fator-chave

Apesar do crescimento expressivo, o desempenho do agronegócio segue altamente dependente do comportamento dos preços. A desaceleração observada no fim de 2025 indica que o setor pode enfrentar um ritmo mais moderado à frente, especialmente se houver pressão sobre as cotações.

Ainda assim, a combinação entre produção elevada, demanda consistente e protagonismo da pecuária mantém o agro como um dos principais motores da economia brasileira.

PIB do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA