AGRONEGÓCIO

Suspensão da Moratória da Soja pelo Cade gera críticas e pode impactar imagem do Brasil na COP30

Publicado em

A decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de suspender preventivamente a Moratória da Soja tem provocado fortes debates no setor agropecuário e jurídico. O acordo, firmado por tradings, organizações e entidades, impede a compra de soja produzida em áreas da Amazônia Legal desmatadas após julho de 2008, mesmo que o desmatamento esteja em conformidade com o Código Florestal.

Cade suspende acordo e abre procedimento contra tradings

Além da suspensão, o Cade instaurou procedimento administrativo contra tradings exportadoras, associações do setor e demais signatários da moratória. A investigação teve origem em representações feitas pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, pela Aprosoja-MT em 2024 e, mais recentemente, pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que alegam práticas anticoncorrenciais e prejuízos diretos aos produtores.

Críticas de especialistas: impacto internacional e risco à imagem do Brasil

Para o advogado Frederico Favacho, especialista em agronegócio e sócio do Santos Neto Advogados, a decisão do Cade é “grave e sem precedentes”. Segundo ele, a medida desconsidera o caráter multissetorial da moratória, que envolve ONGs, o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e já recebeu manifestações de apoio da Advocacia-Geral da União e do Ministério Público Federal.

Leia Também:  Vendas de diesel e gasolina sobem em julho no Brasil, enquanto etanol recua

Favacho alerta ainda que a suspensão pode comprometer a imagem do Brasil em um momento crucial, já que o país sediará a COP30. “A decisão cria embaraços para o Brasil no cenário internacional”, afirmou.

Divergência jurídica: entre a moratória e o Código Florestal

Já a advogada Ieda Queiroz, coordenadora do setor de agronegócios do CSA Advogados, aponta que o debate é mais complexo. Para ela, a moratória impõe ônus adicionais aos produtores e reforça a percepção negativa do setor como “vilão ambiental”, ainda que não haja regulamentação legal específica para o acordo.

Queiroz lembra que a moratória adota o corte de 22 de julho de 2008 para definir áreas livres de desmatamento, enquanto o Código Florestal, em vigor desde 2012, estabelece como referência maio de 2012 e exige que produtores mantenham entre 20% e 80% da vegetação nativa, dependendo do bioma.

Produtores da Amazônia: entre a lei e o mercado

Segundo a advogada, produtores da Amazônia Legal que cumprem integralmente o Código Florestal continuam enfrentando barreiras comerciais caso suas áreas tenham sido abertas após 2008. Como 95% da soja brasileira é comercializada por meio de tradings, que fazem a triagem do produto para exportação, os efeitos da moratória têm alcance direto sobre a cadeia de comercialização.

“Um acordo comercial está se sobrepondo à legislação federal. Isso afeta produtores que seguem a lei, mas ainda assim encontram dificuldades de comercializar sua soja”, destacou Queiroz.

Perspectivas

Com a suspensão da moratória e a abertura de investigação pelo Cade, o setor aguarda os próximos desdobramentos. Enquanto parte dos especialistas teme impactos internacionais e riscos reputacionais para o Brasil, outra corrente defende a revisão do acordo para evitar distorções que prejudicam produtores regulares.

Leia Também:  Produtos biológicos solucionam a raiz do problema na infestação de nematoides em lavouras de soja, milho e algodão

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Exportações de soja dos EUA seguem 20% abaixo do ano passado, enquanto embarques de milho avançam 26%, aponta USDA

Published

on

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu mais recente relatório semanal de embarques de grãos, confirmando o forte desempenho das exportações norte-americanas de milho e o ritmo ainda mais lento da soja em comparação com a temporada anterior.

Os dados referentes à semana encerrada em 11 de junho mostram que os embarques de soja e milho ficaram dentro das expectativas do mercado, enquanto o trigo apresentou resultado inferior ao esperado pelos analistas.

O relatório é acompanhado de perto por agentes do agronegócio mundial por servir como importante indicador da demanda internacional pelos grãos produzidos nos Estados Unidos, principal concorrente do Brasil no mercado global.

Embarques de soja permanecem abaixo da temporada passada

De acordo com o USDA, os Estados Unidos embarcaram 522,687 mil toneladas de soja na última semana, volume situado dentro da faixa projetada pelos operadores, que variava entre 345 mil e 600 mil toneladas.

Apesar do desempenho semanal positivo, o acumulado da safra 2025/26 ainda demonstra desaceleração em relação ao ano anterior.

Até o momento, os embarques norte-americanos de soja somam 36,596 milhões de toneladas, resultado 20% inferior ao registrado no mesmo período da temporada passada.

Leia Também:  China sinaliza abertura ao diálogo e bolsas reagem com otimismo

O cenário reforça a forte concorrência no mercado internacional de soja, especialmente diante da ampla oferta brasileira e do avanço das exportações da América do Sul nos últimos meses.

Milho mantém ritmo forte e supera temporada anterior

No milho, os números seguem impressionando o mercado internacional.

Os embarques semanais alcançaram 1,637 milhão de toneladas, dentro das projeções que variavam entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas.

Com esse resultado, o volume total embarcado pelos Estados Unidos na temporada chega a 65,614 milhões de toneladas, um crescimento de 26% em comparação ao mesmo período do ciclo anterior.

O desempenho confirma a forte demanda global pelo cereal norte-americano e reforça a competitividade dos Estados Unidos no comércio internacional de milho.

Segundo a analista internacional Karen Braun, o ritmo atual das exportações é historicamente elevado.

Ela destaca que os embarques de soja vêm permanecendo acima da média semanal há vários meses, enquanto os volumes de milho continuam muito superiores aos padrões históricos.

A especialista observa ainda que, na semana anterior, os embarques de milho ultrapassaram a marca de 2 milhões de toneladas pela quinta vez no atual ano comercial, um desempenho considerado raro dentro das mais de quatro décadas de registros disponíveis.

Trigo decepciona e fica abaixo das expectativas

Diferentemente da soja e do milho, os embarques de trigo apresentaram desempenho mais fraco.

Leia Também:  Grunner recebe patente de invenção tecnológica agrícola do INPI

O USDA informou exportações semanais de 334,292 mil toneladas, abaixo da faixa esperada pelo mercado, que variava entre 350 mil e 550 mil toneladas.

Com o início do ano comercial 2026/27 para o trigo em 1º de junho, o volume acumulado de embarques alcança 554,075 mil toneladas.

O resultado representa uma queda de 6% em relação ao registrado no mesmo período da temporada anterior.

Mercado acompanha demanda global por grãos

Os números divulgados pelo USDA reforçam o atual cenário de forte demanda mundial por milho, ao mesmo tempo em que evidenciam os desafios enfrentados pela soja norte-americana para recuperar participação no mercado internacional.

Para produtores, exportadores e tradings, os dados seguem sendo um importante termômetro da competitividade dos Estados Unidos e da dinâmica global do comércio de grãos.

Nas próximas semanas, o mercado continuará monitorando o avanço da safra norte-americana, o comportamento da demanda internacional e a competitividade das exportações brasileiras, fatores que devem influenciar diretamente a formação dos preços globais de soja, milho e trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA