AGRONEGÓCIO
Sucesso com gratuidade, Aquário Municipal recebe visitantes do estado e exterior
Publicado em
11 de janeiro de 2025por
Da Redação
O Aquário Municipal de Cuiabá está recebendo visitantes de diferentes locais de Mato Grosso de outros países. Até o momento, passaram por lá moradores de Portugal, Colômbia, Bolívia e Estados Unidos. No primeiro final de semana da gestão do prefeito Abilio Brunini, mais de 50 mil pessoas, sendo que as crianças não foram contabilizadas. Houve fila e a entrada foi conduzida em grupos de 50 pessoas.
O fluxo de público tem sido alto também no decorrer da semana, como visto na terça-feira (7) e na quarta-feira (8). A atitude do prefeito Abilio Brunini em liberar a entrada gratuita foi elogiada pelos visitantes, que não se intimidam nem mesmo com dias chuvosos.
Para o secretário Municipal de Turismo, Fernando Medeiros, a reabertura do Aquário Municipal agrega novas possibilidades. “Cuiabá é uma cidade carente de pontos turísticos e de equipamentos públicos. Quando olhamos para a cidade vemos o Museu da Caixa D’Água Velha, Museu do Rio, Parque das Águas, enfim, temos poucos pontos turísticos fora do Porto. O Aquário vem para mostrar para a sociedade a importância de termos atrativos turísticos, porque a sociedade abraça, ela traz a família, traz as crianças, ela quer usufruir e valorizar o que tem de bom”, pontuou Fernando. No caso do Parque das Águas, não está funcionando o show das águas, das fontes. A administração atual encontrou o local em situações bem precárias, tanto estrutura como limpeza, mas as melhorias serão implementadas no decorrer dos trabalhos.
São mais de 600 peixes de 40 espécies, três biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado. Entre eles, Cachara, Pacu, Piraputanga, Piau e Pintas, Curimbatá, Armau, Pirarara, Dourado e outros.
Melhorias ainda serão implementadas, uma vez que a Secretaria Municipal de Turismo assumiu cem por cento a gestão do local. Uma delas será colocar o mirante em funcionamento.
“Achei maravilhoso, um espaço muito interessante para as famílias, para as crianças. Todos podem curtir e conhecer um pouco dos biomas de Mato Grosso. Importante para o município, atrai turistas e movimenta o comércio da região. As pessoas que vem de fora terão mais esta oportunidade de conhecer a história da nossa região, tem o museu contando um pouco disso. E o prefeito Abilio foi muito feliz na decisão de liberar a entrada gratuita para os visitantes, facilitou para toda a população, especialmente para os pais que tem mais filhos, e o pagamento onerava no orçamento. Com a gratuidade, alavanca outros setores, porque o valor que teriam que pagar pode ser revertido para outras finalidades, até mesmo um lanche para o filho”, explicou Adriana Garlet, que levou a filha Karen para conhecer o Aquário.
Maxwel Marcos Santana de Figueiredo, morador do bairro Porto, já estava desacreditado de que o Aquário seria revitalizado. “Os moradores e comerciantes do entorno comemoram porque é um entretenimento muito bom e ficou muito interessante. Show de bola, bem climatizado, e melhor ainda por ser gratuito. Nosso prefeito agiu com sensibilidade, em casa somos em quatro, no mínimo seria R$ 80,00. Se fosse comer alguma coisa, por simples que fosse, não sairia por menos de R$ 150,00. É um dinheiro que dá para manter outras coisas”, disse o visitante.
Jôse Borges é professora e passou pelo local na terça-feira (8), com o esposo e filha, e saíram encantados. “Achei maravilhoso, lindo, amei. É muito importante para Cuiabá, para a cultura cuiabana. Dá para expandir o conhecimento através das escolas, trazendo as crianças das séries iniciais para conhecerem de perto os peixes da nossa região”, sugeriu ela.
Letícia Maria da Silva Bispo, moradora de Várzea Grande, atravessou a ponte que divide a cidade com Cuiabá, e trouxe toda a família, o marido João Vitor, a avó Maria José e dois filhos, um deles PCD (Pessoa Com Deficiência) e todos se divertiram, especialmente as crianças. Na oportunidade ela ressaltou a entrada gratuita como um marco, porque dá para levar toda as crianças e voltar mais vezes. “Estamos curtindo muito, minha filha é PCD (Pessoa com Deficiência) e a gente estava preocupado com a cadeira de rodas especial, mas deu tudo certo, tem acessibilidade, super tranquilo com ela, estamos nos divertindo”.
Entre os visitantes estão moradores de outras cidades do Estado, como Mirian Resende, de Mirassol do Oeste (MT), que aproveitou a viagem a Cuiabá e foi com o esposo e filho ver as belezas do Aquário Municipal. Seu filho, Davi Resende, de 9 anos, disse que vai convidar seus colegas para também conhecerem porque os peixes são muito bonitos. O garoto é apaixonado por pescaria.
Rosimeire Silva dos Santos, do município de Nova Mutum (MT) também aproveitou a oportunidade na Capital para levar os filhos Artur, 7 anos, Otávio, 4 anos, e Alice de 2 aninhos.
REGRAS INTERNAS
Os visitantes devem se atentar para algumas orientações necessárias para a visitação, conforme alerta o secretário de Turismo Fernando Medeiros. Entre elas, a colaboração da limpeza e não jogando lixo no chão. “Não fazer muito barulho para não estressar os peixes, não bater no vidro, não tirar fotos com flash. Acredito que tem que ser uma parceria de mão dupla, a administração pública faz a parte que lhe compete e a população a sua, que tenham paciência com a fila”, explicou.
Tendas foram providenciadas para amenizar o calor no horário de sol e todo o suporte possível, diante da crise financeira pela qual o município está enfrentando está sendo providenciado. “A gestão fará o melhor para entregar o melhor para a população”, destacou Fernando.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
AGRONEGÓCIO
Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor
Published
22 horas agoon
20 de setembro de 2026By
Da Redação
A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.
Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.
Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.
Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.
“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.
A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.
Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.
É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.
Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.
“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.
A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.
O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.
A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.
“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.
O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.
A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.
Fonte: Pensar Agro
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