AGRONEGÓCIO
Solo bem manejado eleva rendimento e dobra ajuda do governo no seguro rural, diz Embrapa
Publicado em
1 de outubro de 2026por
Da Redação
Uma pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste, realizada durante 28 safras em Dourados, em Mato Grosso do Sul, mostrou que cada avanço na qualidade do manejo do solo acrescentou 11,1 pontos percentuais à produtividade relativa da soja. O resultado já terá efeito no bolso do produtor: na safra 2026/27, as lavouras classificadas no nível mais alto poderão receber o dobro da subvenção federal destinada ao pagamento do seguro rural.
O estudo acompanhou cultivos entre 1998 e 2026 e reuniu informações de mais de 4,3 mil pontos georreferenciados. Os pesquisadores compararam desde áreas conduzidas com preparo convencional e monocultura até sistemas de plantio direto, rotação de culturas e integração lavoura-pecuária.
No nível mais baixo de manejo, chamado NM1, a produtividade relativa média ficou em 44%. No NM2, subiu para 55,1%; no NM3, chegou a 66,2%; e, no NM4, alcançou 77,2%. A diferença entre os dois extremos foi de 33,2 pontos percentuais. Em termos relativos, o desempenho do melhor sistema ficou aproximadamente 75% acima do registrado no pior.
Os números não significam, porém, que a mudança de nível acrescentará automaticamente determinada quantidade de sacas por hectare. A produtividade real variou de cerca de duas a 90 sacas por hectare ao longo das 28 safras, conforme o volume e a distribuição das chuvas. O indicador serve para mostrar quanto cada sistema conseguiu produzir diante das condições climáticas enfrentadas.
A vantagem do manejo mais eficiente apareceu principalmente nos anos com deficiência hídrica moderada. A cobertura permanente do solo reduz a perda de água por evaporação, enquanto a rotação de culturas e a presença de raízes em diferentes profundidades favorecem a infiltração e o armazenamento de umidade.
“Solos bem manejados armazenam mais água e permitem que as raízes explorem camadas mais profundas”, explica o pesquisador Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste.
O manejo não elimina os prejuízos provocados por uma estiagem extrema. Em algumas das safras acompanhadas, áreas de cultivo convencional chegaram a registrar perda total. Os sistemas mais estruturados também sofreram redução de produtividade, mas apresentaram maior capacidade de suportar períodos menos severos de falta de chuva.
A conclusão tem peso especial em Mato Grosso do Sul, onde a soja da safra 2026/27 começa a ocupar uma área estimada em 4,87 milhões de hectares. A Aprosoja/MS projeta produtividade média de 52,4 sacas por hectare e produção de 15,33 milhões de toneladas. Na temporada anterior, a média estadual chegou a 60,4 sacas por hectare.
Além de influenciar o rendimento, a qualidade do manejo passará a interferir no custo do seguro. Na fase experimental do Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo, o ZarcNM, a subvenção federal ao prêmio do seguro da soja será de 20% para o NM1, 30% para o NM2, 35% para o NM3 e 40% para o NM4.
Na prática, a porcentagem incide sobre o preço da apólice, e não sobre o valor total da lavoura. Em um exemplo simples, se o prêmio do seguro custar R$ 100 mil, um produtor classificado como NM1 receberá R$ 20 mil de subvenção e ficará responsável por R$ 80 mil. No NM4, a ajuda sobe para R$ 40 mil e o desembolso do produtor cai para R$ 60 mil, antes da aplicação de eventuais limites do programa.
A diferença representa redução de 25% no valor pago pelo agricultor nesse exemplo. A proposta é reconhecer que áreas conduzidas com melhor cobertura, rotação e correção do solo apresentam menor vulnerabilidade às oscilações climáticas.
“Isso contribui para o acesso mais justo ao seguro agrícola, pois considera não apenas o clima e o solo, mas também a forma como o produtor conduz a lavoura”, afirma a pesquisadora Michely Tomazi.
Para a soja, o ZarcNM será adotado experimentalmente na safra 2026/27 em Mato Grosso do Sul e nos estados da Região Sul. O sistema também será utilizado para o milho segunda safra em Mato Grosso do Sul e no Paraná.
A classificação considera seis indicadores: tempo sem revolvimento do solo, cobertura antes da semeadura, saturação por bases na camada superficial, presença de cálcio em profundidade, saturação por alumínio no subsolo e diversidade de culturas nos três anos anteriores.
O produtor interessado deverá começar pela análise do solo. Os resultados serão inseridos no Sistema de Informações de Níveis de Manejo. Dados sobre a propriedade, o histórico da área e as culturas utilizadas completarão a avaliação.
O novo modelo não premiará apenas quem declara utilizar plantio direto. Será necessário demonstrar a qualidade do sistema. Para o agricultor que já mantém palhada, faz rotação, corrige o perfil do solo e registra o histórico dos talhões, a organização dessas informações poderá significar maior resistência da lavoura à seca e menor custo para contratar o seguro rural.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Agro tem até dia 30 para escolher tributação que pode alterar competitividade em 2027
Published
4 horas agoon
2 de outubro de 2026By
Da Redação
Empresas do agronegócio enquadradas no Simples Nacional têm até 30 de outubro para decidir se manterão o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) dentro do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou se recolherão os dois tributos pelo regime regular a partir de janeiro de 2027. A escolha poderá afetar o valor dos créditos aproveitados pelos clientes e, consequentemente, a competitividade dos fornecedores.
Quem não fizer a opção continuará automaticamente no modelo tradicional, com IBS e CBS incluídos no DAS. A mudança interessa principalmente às empresas que vendem para cooperativas, indústrias, exportadores e outros compradores que aproveitam créditos tributários.
Essa limitação pode pesar na negociação. Uma cerealista, agroindústria ou fornecedora de insumos que gere pouco crédito poderá se tornar menos atraente para compradores empresariais, sobretudo quando concorrer com fornecedores capazes de transferir créditos maiores.
A alternativa prevista na reforma tributária é permanecer no Simples Nacional para os demais tributos, mas calcular IBS e CBS pelo regime regular. É o chamado modelo híbrido. A empresa continua recolhendo pelo DAS os tributos que permanecerem no Simples, enquanto apura IBS e CBS separadamente.
Nesse modelo, poderá aproveitar os créditos permitidos sobre máquinas, equipamentos, energia, serviços e outros bens e insumos adquiridos. Também poderá gerar créditos pelo regime regular para seus clientes. Em contrapartida, terá mais obrigações fiscais, necessidade de controlar entradas e saídas e possível aumento do custo contábil.
Por isso, não existe uma resposta única para o agronegócio. Manter IBS e CBS dentro do Simples pode continuar sendo vantajoso para empresas que vendem principalmente ao consumidor final, possuem poucos gastos capazes de gerar créditos e valorizam uma operação tributária mais simples.
Já a apuração pelo regime regular merece ser simulada por empresas que vendem predominantemente a outras pessoas jurídicas, realizam investimentos elevados ou compram grande quantidade de insumos tributados. Nesses casos, os créditos podem compensar parte do aumento da burocracia e preservar a competitividade comercial.
A conta também precisa incluir os tratamentos diferenciados concedidos ao setor. A legislação prevê redução de 60% das alíquotas de IBS e CBS para determinados produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas in natura, além de insumos agropecuários incluídos nas listas legais. Há ainda operações sujeitas a alíquota zero, diferimento ou créditos presumidos.
Esses benefícios, entretanto, não alcançam automaticamente toda empresa ligada ao agronegócio. A aplicação depende do produto, da operação, da classificação fiscal e das condições previstas na legislação. Uma empresa pode ter receitas submetidas a tratamentos diferentes dentro da mesma atividade.
A decisão, portanto, não deve considerar apenas o percentual atualmente pago no DAS. É necessário comparar o valor total dos tributos, os créditos aproveitáveis nas compras, os créditos transferidos aos clientes, o perfil das vendas, o efeito sobre os preços, o fluxo de caixa e o custo adicional de cumprimento das obrigações fiscais.
A Receita Federal informa que a opção pelo regime regular de IBS e CBS poderá ser feita até 30 de outubro de 2026. Quem não optar continuará recolhendo os dois tributos dentro do Simples. A escolha poderá ser cancelada entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Haverá uma nova oportunidade em março de 2027, com efeitos a partir de julho.
Para as empresas do agro, o Simples não deixou de ser uma boa opção. O que terminou foi a segurança de escolhê-lo apenas porque a alíquota parece menor. A partir de 2027, o crédito tributário concedido ao comprador pode ser tão importante quanto o imposto pago pelo fornecedor.
Fonte: Pensar Agro
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