AGRONEGÓCIO

Soja segue em tendência de baixa no mercado; exportações brasileiras estão fortalecidas

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A Hedgepoint Global Markets analisa o mercado de soja, que deu continuidade à tendência de baixa iniciada no mês passado na CBOT, atingindo a mínima de 4 anos.

De acordo com Ignacio Espinola, analista de Grãos da Hedgepoint, o fato ocorreu devido a uma onda de sobrevenda, após os relatórios de acreagem e de plantio dos EUA na semana passada. “Essa tendência de baixa se refletiu nos preços da CBOT, onde, no ano passado, nesse momento, estávamos observando uma média de 14,4 cts/bu, enquanto hoje temos uma média de 11,7 cts/bu”, diz.

Os agricultores americanos plantaram +3% a mais de soja este ano, aumentando a expectativa de uma colheita maior. Por outro lado, o relatório de área plantada foi divulgado na semana passada, apresentando uma redução na área de 86,5 milhões de hectares para 86,1 milhões de hectares. O período crítico de crescimento da safra é geralmente em agosto, portanto, ainda há alguma incerteza sobre a produção.

Agricultores dos EUA

“O agricultor norte-americano tem relutado em vender sua safra devido aos baixos preços. Ele está tentando manter e estocar os grãos para ganhar tempo e, com sorte, conseguir preços mais altos. Essa é uma tática comum para qualquer agricultor”, explica o analista.

Em junho, 48% da produção de soja dos EUA estava nas fazendas. Essa é a maior porcentagem para essa época do ano desde 2006 e significativamente maior do que a média de dez anos de 35%.

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“Sua intenção é clara: reduzir a disponibilidade do produto, uma estratégia comum no mercado, poderá resultar em preços locais maiores. Contudo, a China tem sido mais ativa em buscar produtos brasileiros, comprando quase toda semana duas cargas de 55 mil toneladas”, observa.

“O mercado FOB atual está beneficiando os grãos brasileiros, apesar de estarmos entrando na última parte da janela de exportação da soja. Julho é o mês de mudança histórica em que o milho começa a ganhar espaço em detrimento da soja”, aponta.

A China tem tido um bom apetite pela soja brasileira este ano, pois está acumulando estoques para o caso de haver outra guerra econômica com os EUA (apoiada pela ameaça de Trump voltar à Casa Branca), também incentivada pelos bons preços FOB do Brasil.

“Esse aumento nos grãos de origem brasileira também reduziu o número de cargas que o gigante asiático compra dos EUA. Para que os EUA voltem a ser competitivos, especialmente nos últimos meses do ano, os prêmios americanos devem cair para que os preços continuem atraentes, ou os concorrentes devem aumentar os preços, o que geralmente acontece, considerando que nessa época do ano o Brasil e a Argentina estão exportando principalmente milho”, aponta.

Atividade dos fundos

Analisando o último relatório COT, há 140 mil contratos a descoberto, de acordo com a última atualização. Essa posição está fora de escala, considerando os últimos 5A mínimos/máximos, o que indica uma forte visão de baixa do mercado.

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“Não seria uma surpresa que alguma realização de lucros estivesse ocorrendo durante a semana, o que poderia nos levar para mais perto da área de 30-50 mil posições vendidas, que é o mínimo considerando os últimos 5 anos”, afirma.

“Claramente, os fundos e os Gestores de Dinheiro acreditam que ainda há espaço para a queda dos preços de mercado, o que seria contrário aos interesses dos agricultores. Veremos quem está certo ou errado nas próximas semanas”, pondera.

Como conclusão, temos um mercado geral inundado de grãos. Os agricultores dos EUA estão segurando o físico com a esperança de que os preços possam aumentar e vendendo apenas o mínimo para manter a loja aberta.

Por outro lado, o Brasil está encerrando sua janela de exportação de feijão e iniciando a janela de milho, o que é uma ótima notícia para os EUA, pois eles podem começar a incluir as vendas de soja em sua carteira, especialmente depois de novembro.

Por fim, os fundos têm sido muito agressivos com sua posição vendida, e deve/pode haver alguma ação de realização de lucros na qual a posição deve ser reduzida. No momento, a posição vendida é muito grande e uma redução poderia ajudar os preços a se recuperarem.

“Na semana passada, atingimos a mínima de 4 anos e isso também pode funcionar como um nível de resistência por enquanto…Pelo menos até vermos qualquer outra notícia de baixa”, conclui.

Fonte: Hedgepoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agronegócio movimentou R$ 45,6 bilhões no primeiro semestre

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O agronegócio de Minas Gerais movimentou R$ 45,6 bilhões com as vendas ao exterior no primeiro semestre de 2026. Com 8,46 milhões de toneladas enviadas a 166 países, o estado manteve a terceira posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro, atrás apenas de Mato Grosso e São Paulo.

Os dados foram divulgados no Informativo Conjuntural de julho, publicado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), com base nos registros do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os valores foram convertidos pela cotação de R$ 5,09.

Minas Gerais respondeu por 10,3% das exportações brasileiras do agronegócio entre janeiro e junho. O setor também gerou 40,9% de toda a receita obtida pelo estado com as vendas internacionais, demonstrando a importância das atividades rurais para a economia mineira.

A China permaneceu como o principal destino dos produtos agropecuários do estado. Na sequência aparecem Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. A presença em mercados com diferentes perfis de consumo reduz a dependência de um único comprador e amplia as possibilidades de comercialização para produtores, cooperativas e agroindústrias.

O café continuou como o principal produto da pauta. As vendas somaram R$ 22,9 bilhões e representaram 50,1% de toda a receita do agronegócio mineiro no exterior. Foram embarcadas aproximadamente 10,8 milhões de sacas de 60 quilos no semestre.

O preço médio do café exportado aumentou 4,2% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Convertida para a moeda brasileira, a média passou de aproximadamente R$ 2.034 para R$ 2.119 por saca. Essa referência corresponde ao valor do produto embarcado e não ao preço pago diretamente ao cafeicultor.

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A valorização ajudou a sustentar a receita em um período de menor disponibilidade do grão. O volume exportado diminuiu 21,6%, depois dos elevados embarques realizados nos ciclos anteriores e dos efeitos do clima sobre a produção e os estoques.

A perspectiva para os próximos meses é favorecida pela entrada da safra de 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil possa colher 66,2 milhões de sacas, crescimento de 17,1% sobre o ciclo anterior.

Minas Gerais, maior produtor nacional de café, deverá ter participação decisiva nesse avanço. A bienalidade positiva do arábica, a ampliação da área em produção e a recuperação esperada da produtividade podem aumentar a disponibilidade do grão para o mercado interno e para as vendas internacionais.

A soja foi o segundo principal grupo da pauta e apresentou crescimento. As exportações de grão, farelo e óleo movimentaram R$ 10,9 bilhões, alta de 10,2%. O volume chegou a 5,01 milhões de toneladas, avanço de 2,5%.

O resultado do complexo soja mostra que Minas Gerais também amplia sua participação na comercialização de produtos processados. A produção de farelo e óleo agrega valor ao grão, movimenta as indústrias de esmagamento e atende às cadeias de ração animal e biodiesel.

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As carnes também avançaram. Os embarques renderam R$ 4,8 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O estado vendeu 247,3 mil toneladas, volume 3,7% maior.

O aumento mais expressivo da receita em relação à quantidade indica melhora no valor médio das carnes exportadas. O movimento favorece frigoríficos, cooperativas e pecuaristas integrados às cadeias que atendem ao mercado internacional.

O complexo sucroalcooleiro, formado principalmente por açúcar e etanol, movimentou R$ 2,7 bilhões, enquanto os produtos florestais renderam R$ 2,6 bilhões. Juntos, café, soja, carnes, produtos sucroalcooleiros e produtos florestais responderam por 96,2% das vendas externas do agronegócio mineiro.

Produtos tradicionais e de maior valor agregado também conquistaram espaço. Queijos, doce de leite, cachaça e doces mineiros movimentaram cerca de R$ 49,4 milhões no semestre. Embora tenham participação menor na pauta, esses produtos abrem oportunidades para pequenas e médias agroindústrias que trabalham com origem, qualidade, tradição e indicação geográfica.

Na comparação com o primeiro semestre de 2025, a receita total das exportações do agro mineiro recuou 9,6% e o volume diminuiu 3%. Ainda assim, o crescimento da soja e das carnes, a valorização média do café e a presença em 166 mercados mantiveram Minas Gerais entre as principais forças do agronegócio exportador brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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