AGRONEGÓCIO
Soja fecha semana volátil com pressão do petróleo, tensão geopolítica e expectativa para relatório dos EUA
Publicado em
8 de maio de 2026por
Da Redação
O mercado global da soja encerra a primeira semana de maio marcado por forte volatilidade nas negociações da Bolsa de Chicago, refletindo principalmente as tensões geopolíticas no Oriente Médio, as oscilações do petróleo e a expectativa em torno do novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para o próximo dia 12.
Após iniciar o período em alta, o mercado perdeu força nos últimos pregões e passou a operar próximo da estabilidade nesta sexta-feira (8), em meio a ajustes técnicos e à cautela dos investidores diante do cenário internacional.
O primeiro contrato da soja em Chicago chegou a atingir US$ 12,07 por bushel no início da semana, impulsionado pelo temor de escalada do conflito no Oriente Médio e pelas preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.
O movimento elevou também as cotações do óleo de soja, que alcançou 78,40 centavos de dólar por libra-peso, uma das maiores marcas recentes do derivado.
No entanto, o mercado mudou rapidamente de direção após sinalizações dos Estados Unidos favoráveis à busca de um acordo diplomático com o Irã. Com isso, o petróleo Brent recuou de patamares próximos de US$ 120 para perto de US$ 100 por barril, pressionando o complexo soja e outras commodities agrícolas.
Em apenas três dias, o contrato da soja caiu para US$ 11,77 por bushel, acumulando baixa de aproximadamente 2,5%. Nesta manhã de sexta-feira, os contratos operavam próximos da estabilidade, com o vencimento julho cotado a US$ 11,92 por bushel.
Óleo de soja tenta recuperação e ajuda a limitar perdas
Mesmo com nova queda do petróleo nesta sexta-feira, o óleo de soja voltou a subir em Chicago, em um movimento de recuperação técnica após as fortes perdas recentes. O derivado avançava cerca de 0,5%, negociado ao redor de 74,53 cents por libra-peso.
Já o farelo de soja apresentava leve recuo, refletindo ajustes naturais do mercado após dias de intensa movimentação.
Os derivados seguem sustentados por fundamentos considerados positivos, principalmente pela demanda interna aquecida nos Estados Unidos e pela expectativa de consumo global consistente.
Plantio acelerado nos EUA pressiona mercado
Outro fator de pressão para a soja vem do rápido avanço do plantio da nova safra norte-americana. Dados recentes indicam que 33% da área prevista já foi semeada até o início de maio, acima da média histórica de 23% para o período.
Além disso, cerca de 13% das lavouras já haviam germinado, também superando a média dos últimos anos.
O clima favorável nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos reforça a expectativa de uma safra cheia, o que contribui para limitar movimentos de alta em Chicago.
O mercado também monitora as primeiras projeções da safra 2026/27 que serão divulgadas pelo USDA na próxima semana. Analistas trabalham com um viés considerado baixista para a soja, diante da possibilidade de aumento da oferta global.
Relação entre EUA e China segue no radar
As atenções dos investidores também permanecem voltadas para a possível reunião entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, prevista para os próximos dias em Pequim.
O encontro pode trazer novos desdobramentos comerciais entre as duas maiores economias do mundo, fator historicamente decisivo para o comportamento do mercado da soja, já que a China permanece como principal compradora mundial do grão.
Preços da soja recuam no Brasil com valorização do real
No mercado brasileiro, os preços da soja também registraram queda ao longo da semana, pressionados principalmente pela valorização do real frente ao dólar.
A moeda norte-americana chegou a operar próxima de R$ 4,91, menor nível em cerca de dois anos, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras e impactando diretamente as cotações internas.
No Rio Grande do Sul, a média estadual ficou em R$ 115,92 por saca, enquanto nas principais praças gaúchas os negócios giraram ao redor de R$ 112,00.
Nas demais regiões produtoras do país, os preços oscilaram entre R$ 101,00 e R$ 112,00 por saca, dependendo da logística, demanda local e ritmo de comercialização.
Safra brasileira se aproxima do fim com produção recorde
A colheita da soja no Brasil entra na reta final com estimativas de produção entre 178 milhões e 181 milhões de toneladas, mesmo diante das perdas registradas no Rio Grande do Sul.
A produtividade média nacional pode alcançar 61,8 sacas por hectare, sustentada pelo bom desempenho climático nas demais regiões produtoras do país.
O cenário confirma mais uma safra robusta para o Brasil, consolidando o país entre os principais fornecedores globais de soja em um mercado ainda bastante sensível aos fatores climáticos, geopolíticos e cambiais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Custo oculto do trator pode consumir parte da renda da safra
Published
14 horas agoon
23 de setembro de 2026By
Da Redação
Com as máquinas no campo para o plantio da safra 2026/27, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chama a atenção para um custo que nem sempre aparece nas contas da propriedade. Além do diesel, o cálculo da hora trabalhada pelo trator deve incluir depreciação, manutenção, seguro, mão de obra e o capital investido no equipamento.
A metodologia da Conab e estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consideram despesas fixas e variáveis para determinar o custo da hora-máquina. Quando parte desses gastos é ignorada, o trator pode parecer econômico mesmo reduzindo a margem da atividade.
O impacto é maior quando o equipamento trabalha poucas horas por ano. Depreciação, seguro e capital imobilizado continuam pesando sobre a propriedade, mas passam a ser divididos por um período menor de utilização. A conta ajuda a decidir entre manter ou trocar a máquina, compartilhá-la com vizinhos ou contratar o serviço.
A depreciação corresponde à perda de valor durante a vida útil. Em uma simulação, um trator comprado por R$ 200 mil e vendido dez anos depois por R$ 80 mil terá perdido R$ 120 mil, o equivalente a R$ 12 mil por ano.
Com 500 horas anuais de trabalho, a depreciação será de R$ 24 por hora. Se o uso cair para 250 horas, o valor subirá para R$ 48 por hora. A diferença mostra por que a ociosidade pode tornar uma máquina cara mesmo sem aumentar o consumo de combustível.
O diesel é calculado pela multiplicação do consumo horário pelo preço do litro. Um trator que utiliza oito litros por hora, com combustível a R$ 6, terá uma despesa de R$ 48 por hora.
Na simulação, ao acrescentar R$ 28 referentes à manutenção e ao operador, os custos variáveis chegam a R$ 76 por hora. Somados aos R$ 24 da depreciação, o resultado é de R$ 100. O cálculo simplificado ainda não inclui seguro, juros, lubrificantes e o custo do capital próprio.
Cada produtor deve substituir os valores do exemplo pelos números da propriedade. Preço de compra, possível valor de revenda, vida útil, horas trabalhadas, consumo de combustível e histórico de manutenção alteram o resultado.
O horímetro do painel é a referência mais segura para medir o uso. A marcação pode ser registrada antes e depois de cada operação ou no fechamento do mês. Notas fiscais e ordens de serviço também ajudam a calcular os gastos reais com peças, pneus e oficina.
Com o custo apurado, é possível compará-lo com o preço cobrado por prestadores da região. A terceirização tende a ser mais vantajosa quando o trator permanece parado durante grande parte do ano, desde que o serviço esteja disponível dentro da janela adequada. Um atraso no plantio, na pulverização ou na colheita pode gerar perda superior à economia obtida.
Compartilhar a máquina ou prestar serviços a propriedades vizinhas também pode aumentar o número de horas trabalhadas e diluir os custos fixos. Já a compra de um equipamento novo só se justifica quando a economia operacional e o ganho de capacidade compensam o investimento.
Regulagem e condução completam a conta. Pressão inadequada dos pneus, excesso de lastro e incompatibilidade entre trator e implemento aumentam a patinagem, o consumo e o desgaste. A manutenção preventiva, por sua vez, reduz o risco de paralisações nos períodos mais importantes da safra.
O cálculo deve ser atualizado quando houver mudanças relevantes no preço do diesel, nos juros, nos salários ou nas despesas de manutenção. A calculadora oferece uma estimativa para orientar a decisão, mas o resultado mais confiável depende dos registros financeiros e operacionais da própria fazenda.
Serviço
A metodologia utilizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com os critérios para o cálculo dos custos de máquinas agrícolas, pode ser consultada clicando aqui.
Fonte: Pensar Agro
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