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Sistema tradicional de erva-mate no Paraná é reconhecido pela FAO como patrimônio agrícola mundial

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O sistema agroflorestal tradicional de cultivo da erva-mate no Paraná foi oficialmente reconhecido como um dos Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Esta é a segunda designação desse tipo no Brasil, que já conta com o Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço.

O que são os Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM)?

Os SIPAMs são sistemas agrícolas que combinam de forma equilibrada biodiversidade, tradição, inovação e resiliência ecológica, garantindo meios de subsistência para comunidades rurais. No Paraná, o cultivo da erva-mate acontece sob a sombra da Floresta com Araucárias, prática herdada dos povos indígenas Guarani e Kaingang. Esse sistema preserva um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo, assegurando a soberania alimentar e a identidade cultural local.

Importância diante dos desafios climáticos e ambientais

Segundo Kaveh Zahedi, diretor do Escritório de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente da FAO, esses sistemas são exemplos vivos de harmonia entre pessoas e natureza. Ele destaca que, diante das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, as práticas ancestrais dessas comunidades são fundamentais para garantir alimentos, proteger empregos e manter paisagens agrícolas sustentáveis.

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Outros sistemas reconhecidos: China, México e Espanha

Além do sistema de erva-mate no Paraná, outras seis novas designações foram feitas pela FAO:

  • China: três sistemas relacionados ao cultivo de mexilhões de água doce, chá branco e peras, que integram agricultura, aquicultura e artesanato.
  • México: o sistema ancestral Metepantle, cultivado há mais de três mil anos pelos indígenas Nahua, que promove segurança alimentar e conservação da biodiversidade em ambientes áridos.
  • Espanha: sistema agrícola na ilha vulcânica de Lanzarote, que utiliza cinzas vulcânicas para reter umidade e cultivar uvas, batatas-doces e leguminosas sem irrigação.

Essas designações ampliam a rede global de SIPAMs para 95 sistemas em 28 países.

Erva-mate sombreada: um exemplo de agroecologia e preservação

Há mais de 500 anos, comunidades indígenas e tradicionais do sul do Brasil cultivam erva-mate em sistemas agroflorestais sombreados. Essas práticas agroecológicas preservam a cobertura florestal, combinando o cultivo da erva-mate com plantas medicinais, frutas e criação de pequenos animais, mantendo a biodiversidade com mais de 100 espécies de plantas, abelhas nativas, aves e animais silvestres.

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Esse sistema é vital para milhares de famílias agricultoras, que dependem da colheita e comercialização da erva-mate para seu sustento.

Desafios para a preservação do sistema no Paraná

Apesar da importância cultural e ecológica, o sistema enfrenta ameaças como o desmatamento, a mudança no uso da terra e a expansão das monoculturas. Pequenos produtores também lutam contra preços baixos e falta de apoio público ou acesso às cadeias de valor.

Sem investimentos, maior reconhecimento e envolvimento das novas gerações, o sistema permanece vulnerável, apesar do seu potencial para promover biodiversidade, resiliência climática e meios de vida sustentáveis.

Relevância da nova designação para o Brasil e o mundo

O reconhecimento pela FAO reforça a importância de proteger sistemas agrícolas que aliem tradição, sustentabilidade e inovação, servindo como exemplo para a adaptação às mudanças climáticas e para a preservação de patrimônios culturais e naturais em escala global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Rastreabilidade será o “novo passaporte” da proteína animal brasileira, alerta especialista em segurança dos alimentos

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A recente decisão da União Europeia de endurecer as regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira acendeu um alerta no agronegócio e reforçou uma tendência já em curso: a rastreabilidade passa a ser o principal requisito de acesso aos mercados internacionais de proteína animal.

Mais do que uma barreira comercial pontual, a medida evidencia uma mudança estrutural nas exigências globais, com maior rigor sobre controle sanitário, transparência produtiva e comprovação de origem em toda a cadeia de alimentos.

Mercado internacional exige transparência total na produção animal

Para a médica veterinária e especialista em segurança dos alimentos, Paula Eloize, o cenário internacional está evoluindo rapidamente e deve impor padrões cada vez mais rígidos aos países exportadores.

“O mercado internacional não quer apenas o produto final. Ele quer entender como esse alimento foi produzido, quais medicamentos foram utilizados, qual foi o manejo sanitário e se existe rastreabilidade suficiente para comprovar tudo isso”, afirma a especialista.

Segundo ela, o uso de antimicrobianos na produção animal já é um tema sensível globalmente e ganhou ainda mais relevância diante do avanço da resistência bacteriana.

Resistência antimicrobiana amplia pressão sobre cadeias produtivas

A especialista explica que o debate sobre o uso de antimicrobianos não é recente, mas passou a ocupar posição central nas discussões sanitárias internacionais devido ao impacto direto na saúde pública.

“O uso inadequado ou excessivo de antimicrobianos preocupa autoridades sanitárias do mundo inteiro. A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças globais pela comunidade científica”, destaca Paula Eloize.

Esse cenário tem levado países importadores a reforçarem mecanismos de controle, fiscalização e exigências documentais mais rigorosas para produtos de origem animal.

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Rastreabilidade se torna diferencial competitivo no comércio global

De acordo com a especialista, o desafio do Brasil não está restrito à adequação regulatória, mas envolve transformação estrutural nas práticas de produção e gestão sanitária.

“O Brasil possui um sistema robusto de produção e fiscalização, mas o mercado internacional é extremamente sensível a riscos sanitários. Qualquer falha de rastreabilidade ou ausência de comprovação técnica pode gerar barreiras comerciais importantes”, explica.

Ela ressalta que, em muitos mercados, especialmente o europeu, os critérios sanitários deixaram de ser apenas medidas de proteção à saúde e passaram a funcionar como diferencial competitivo.

“O consumidor europeu está mais exigente. Há uma pressão crescente por sustentabilidade, bem-estar animal, redução do uso de medicamentos e transparência. Isso influencia diretamente as regras impostas aos países exportadores”, afirma.

Exigências internacionais devem impactar também o mercado interno

Para Paula Eloize, as mudanças no comércio global também funcionam como sinal de alerta para empresas que atuam exclusivamente no mercado doméstico.

“Muitas empresas ainda tratam segurança dos alimentos como algo distante da operação diária. Mas as exigências internacionais antecipam tendências que, mais cedo ou mais tarde, chegam ao mercado interno”, avalia.

Segundo ela, práticas como rastreabilidade estruturada, controle documental e monitoramento sanitário devem deixar de ser diferenciais e passar a integrar o padrão mínimo de operação no setor.

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Gestão sanitária e controle de processos ganham protagonismo

A especialista reforça que o futuro da competitividade na proteína animal dependerá diretamente da capacidade de organização das empresas em toda a cadeia produtiva.

“Quem investir em controle de processos, documentação viva, treinamento de equipe e monitoramento técnico terá muito mais capacidade de adaptação às mudanças regulatórias que já estão em curso no mundo inteiro”, afirma.

União Europeia revisa autorizações de exportação do Brasil

Nesta semana, a União Europeia anunciou alterações na lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco europeu, citando preocupações relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.

A medida pode impactar exportações de carnes, ovos, pescado, mel e outros produtos caso as exigências sanitárias não sejam plenamente atendidas até setembro, ampliando a pressão sobre o setor produtivo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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