AGRONEGÓCIO
Sipcam Nichino lança oficialmente inseticida que age em todas as fases de desenvolvimento da principal praga do milho
Publicado em
5 de março de 2024por
Da RedaçãoUm evento online realizado nos últimos dias oficializou o início da comercialização do inseticida de marca Fiera® no Brasil. Desenvolvido pela Sipcam Nichino, a nova solução tem por proposta ‘um novo olhar’ para o controle da cigarrinha-do-milho (Daubulus maidis), principal praga do cereal e mais desafiadora à produção safra após safra. Participaram da transmissão em torno de 1,3 mil convidados do setor de agroquímicos, além da liderança da companhia no país e sete especialistas palestrantes.
De acordo com a Sipcam Nichino, Fiera® começou a ser estudado em 2015, após os primeiros registros da praga na fronteira agrícola do milho. Desde então, foram realizados quase 80 trabalhos em nível de campo, com a participação de 24 consultorias e institutos de pesquisas, até a concessão do registro ao inseticida em milho, no início deste ano.
Em uma das palestras do encontro técnico, a pesquisadora Regiane Oliveira, pós-doutora em entomologia da Unesp de Botucatu, destacou o que a Sipcam Nichino difunde como sendo uma característica exclusiva de Fiera®: o controle eficaz da fase ‘ninfa’ da cigarrinha. Segundo Regiane, o novo produto age ainda sobre ovos, na fecundidade e na fertilidade de fêmeas da praga.
Conforme especialistas envolvidos no desenvolvimento da solução, o manejo da ninfa, até pouco tempo atrás, não era prioridade nos tratamentos frente à cigarrinha-do-milho, que visavam à fase adulta do inseto, sem focar, portanto, na quebra do ciclo da praga. “O que trazemos ao mercado hoje é um novo olhar técnico, pensamos no controle de todas as fases jovens da praga, na importância das ninfas no processo de disseminação da doença”, resumiu Sergio Camargo, engenheiro agrônomo e consultor da Sipcam Nichino.
Além de Camargo e Regiane, falaram também o gerente de pesquisas da companhia, Eric Ono, o consultor Paulo Garollo, membro da Crop Life Brasil e os agrônomos José de Freitas e Carulina Oliveira, das áreas de desenvolvimento de mercado e marketing da Sipcam Nichino, respectivamente.
Índices elevados de controle
Segundo informou a Sipcam Nichino na ocasião, o novo Fiera® é descrito como fisiológico, seletivo e regulador de insetos. A empresa acrescentou que ensaios realizados trouxeram indicadores robustos de controle de ninfas da Daubulus maidis, na faixa de 95% a 100%. O novo inseticida acarretou também em reduções de 66% na ‘postura’ de ovos da praga, de 92% na eclosão destes e de 79% na viabilidade reprodutiva. Para a Sipcam Nichino, “a solução reduz populações de novas gerações pela quebra do ciclo da praga”.
Ainda de acordo com a companhia, o novo inseticida apresenta ação de contato, vapor e “afeta velozmente todos os estágios do ciclo de vida da Daubulus maidis”. Fiera®, segundo informou a Sipcam Nichino, tem por ingrediente ativo o Buprofezina 250 (SC), desenvolvido pela Nichino Japão.
Criada em 1979, a Sipcam Nichino resulta da união entre a italiana Sipcam, fundada em 1946, especialista em agroquímicos pós-patentes e a japonesa Nihon Nohyaku (Nichino). A Nichino tornou-se a primeira companhia de agroquímicos do Japão, em 1928, e desde sua chegada ao mercado atua centrada na inovação e no desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos.
Fonte: Sipcam Nichino Brasil
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Acordo provisório completa 3 meses com R$ 9,2 bilhões em carnes sob ameaça
Published
20 minutos agoon
4 de agosto de 2026By
Da Redação
Três meses depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), o agronegócio brasileiro enfrenta uma contradição: ao mesmo tempo que o tratado reduz tarifas e promete ampliar as vendas ao bloco, novas exigências europeias podem interromper, a partir de 3 de setembro, a entrada de produtos brasileiros de origem animal.
A restrição alcança carne bovina, carne de frango, ovos, mel, pescado e outros produtos sujeitos ao controle de medicamentos veterinários. A medida coloca sob risco um mercado relevante para frigoríficos, cooperativas, exportadores e milhares de produtores integrados às cadeias de proteína animal.
Somente as exportações brasileiras de carnes para a União Europeia movimentaram aproximadamente R$ 9,2 bilhões em 2025. A carne bovina respondeu por cerca de R$ 5,3 bilhões desse total, conforme dados do comércio exterior brasileiro convertidos pela cotação atual. Embora o bloco compre menos que a China em volume, costuma pagar mais por cortes de maior valor agregado.
O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em janeiro, aprovado pelo Congresso brasileiro em março e começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual das tarifas incidentes sobre 95% dos produtos importados pela União Europeia e 91% dos produtos adquiridos pelo Mercosul.
Para o agro, as oportunidades incluem carnes, café, frutas, sucos, óleos vegetais, açúcar, etanol, arroz, mel e alimentos processados. Parte desses produtos, porém, continuará submetida a cotas, cronogramas graduais e limites negociados para proteger setores considerados sensíveis pelos europeus.
A redução das tarifas também não elimina as exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Na prática, o produto pode receber uma condição comercial mais favorável e, ainda assim, ficar impedido de entrar na Europa se não cumprir as regras estabelecidas pelo bloco.
É justamente o que pode ocorrer com os produtos brasileiros de origem animal. A União Europeia retirou o Brasil da relação de países considerados plenamente adequados às novas normas sobre o uso de antimicrobianos na criação.
As exigências proíbem a utilização de determinados medicamentos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. Também restringem o emprego, na produção animal, de substâncias que os europeus consideram essenciais para o tratamento de infecções em seres humanos.
A decisão não significa que a União Europeia tenha identificado carne brasileira contaminada ou imprópria para consumo. A divergência está na capacidade do Brasil de demonstrar, por meio de controles oficiais, registros e rastreabilidade, que as regras foram respeitadas durante todo o ciclo produtivo.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que apresentou documentação técnica à Comissão Europeia sobre os sistemas brasileiros de fiscalização de bovinos, aves, ovos, pescado e mel. O governo tenta recolocar o país na lista de fornecedores autorizados antes de 3 de setembro.
Caso não haja acordo até essa data, os frigoríficos habilitados poderão perder temporariamente o acesso ao mercado europeu. A interrupção também atingiria produtores que fornecem animais dentro dos protocolos exigidos pelos compradores do bloco.
Na pecuária bovina, a adaptação tende a ser mais demorada. Como os europeus exigem garantias sobre toda a vida do animal, será necessário reunir informações desde o nascimento, incluindo movimentações entre propriedades e registros dos tratamentos veterinários.
Representantes da cadeia estimam que a formação de uma oferta bovina completamente acompanhada pelos novos protocolos poderá levar até dois anos. Esse prazo não representa necessariamente a duração do bloqueio, que dependerá das negociações entre os governos, mas indica o tempo necessário para completar o ciclo de parte dos animais sob as novas regras.
Na avicultura, uma adequação pode ocorrer mais rapidamente porque o ciclo entre o alojamento do pintinho e o abate é de aproximadamente 45 dias. Ainda assim, granjas, fábricas de ração, cooperativas e frigoríficos terão de demonstrar a separação dos lotes destinados à Europa e manter registros auditáveis.
Para o produtor rural, as mudanças podem significar aumento do controle sobre medicamentos, necessidade de prescrição veterinária, identificação individual ou por lote, armazenamento de documentos e maior fiscalização dentro da propriedade. Também poderá haver exigência de segregação dos animais que atendem ao protocolo europeu.
Essas adaptações elevam custos, mas permitem acessar um mercado que remunera produtos diferenciados. Na bovinocultura, programas destinados à Europa costumam comprar animais jovens, rastreados e enquadrados em padrões específicos de alimentação, manejo e acabamento.
O risco é que pequenos e médios produtores tenham dificuldade para suportar os custos de certificação e controle. Sem assistência técnica e participação de frigoríficos e cooperativas, parte deles poderá ficar fora das cadeias exportadoras de maior valor.
Além das regras sanitárias, o produtor brasileiro ainda precisa acompanhar as exigências ambientais europeias. Comprovação de origem, rastreabilidade e ausência de vínculo com desmatamento irregular ganham importância nas negociações. O setor defende que essas normas sejam baseadas em critérios técnicos e não funcionem como barreiras comerciais disfarçadas.
O Brasil também terá instrumentos para reagir se o acordo provocar aumento excessivo das importações europeias e prejuízo à produção nacional. O Decreto nº 12.866, publicado em março, regulamentou a aplicação de salvaguardas em acordos comerciais.
Essas salvaguardas permitem interromper temporariamente a redução de tarifas, restabelecer alíquotas ou criar cotas quando o crescimento das importações causar dano grave ou ameaça à atividade brasileira. A adoção das medidas depende de investigação conduzida pelas autoridades de comércio exterior.
O mecanismo poderá proteger setores mais expostos à concorrência europeia, especialmente segmentos da indústria de alimentos. Não resolve, entretanto, o impasse sanitário envolvendo as carnes brasileiras. As salvaguardas tratam da entrada de produtos no Brasil, enquanto a restrição aos produtos de origem animal depende da aceitação dos controles nacionais pela União Europeia.
A proximidade do prazo transforma agosto em um período decisivo para o agro. Sem uma solução negociada, o Brasil poderá chegar a setembro com tarifas menores em razão do acordo comercial, mas com parte importante de sua produção impedida de aproveitar a abertura do mercado europeu.
Fonte: Pensar Agro
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