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Sipcam Nichino lança oficialmente inseticida que age em todas as fases de desenvolvimento da principal praga do milho

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Um evento online realizado nos últimos dias oficializou o início da comercialização do inseticida de marca Fiera® no Brasil. Desenvolvido pela Sipcam Nichino, a nova solução tem por proposta ‘um novo olhar’ para o controle da cigarrinha-do-milho (Daubulus maidis), principal praga do cereal e mais desafiadora à produção safra após safra. Participaram da transmissão em torno de 1,3 mil convidados do setor de agroquímicos, além da liderança da companhia no país e sete especialistas palestrantes.

De acordo com a Sipcam Nichino, Fiera® começou a ser estudado em 2015, após os primeiros registros da praga na fronteira agrícola do milho. Desde então, foram realizados quase 80 trabalhos em nível de campo, com a participação de 24 consultorias e institutos de pesquisas, até a concessão do registro ao inseticida em milho, no início deste ano.

Em uma das palestras do encontro técnico, a pesquisadora Regiane Oliveira, pós-doutora em entomologia da Unesp de Botucatu, destacou o que a Sipcam Nichino difunde como sendo uma característica exclusiva de Fiera®: o controle eficaz da fase ‘ninfa’ da cigarrinha. Segundo Regiane, o novo produto age ainda sobre ovos, na fecundidade e na fertilidade de fêmeas da praga.

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Conforme especialistas envolvidos no desenvolvimento da solução, o manejo da ninfa, até pouco tempo atrás, não era prioridade nos tratamentos frente à cigarrinha-do-milho, que visavam à fase adulta do inseto, sem focar, portanto, na quebra do ciclo da praga. “O que trazemos ao mercado hoje é um novo olhar técnico, pensamos no controle de todas as fases jovens da praga, na importância das ninfas no processo de disseminação da doença”, resumiu Sergio Camargo, engenheiro agrônomo e consultor da Sipcam Nichino.

Além de Camargo e Regiane, falaram também o gerente de pesquisas da companhia, Eric Ono, o consultor Paulo Garollo, membro da Crop Life Brasil e os agrônomos José de Freitas e Carulina Oliveira, das áreas de desenvolvimento de mercado e marketing da Sipcam Nichino, respectivamente.

Índices elevados de controle

Segundo informou a Sipcam Nichino na ocasião, o novo Fiera® é descrito como fisiológico, seletivo e regulador de insetos. A empresa acrescentou que ensaios realizados trouxeram indicadores robustos de controle de ninfas da Daubulus maidis, na faixa de 95% a 100%. O novo inseticida acarretou também em reduções de 66% na ‘postura’ de ovos da praga, de 92% na eclosão destes e de 79% na viabilidade reprodutiva. Para a Sipcam Nichino, “a solução reduz populações de novas gerações pela quebra do ciclo da praga”.

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Ainda de acordo com a companhia, o novo inseticida apresenta ação de contato, vapor e “afeta velozmente todos os estágios do ciclo de vida da Daubulus maidis”. Fiera®, segundo informou a Sipcam Nichino, tem por ingrediente ativo o Buprofezina 250 (SC), desenvolvido pela Nichino Japão.

Criada em 1979, a Sipcam Nichino resulta da união entre a italiana Sipcam, fundada em 1946, especialista em agroquímicos pós-patentes e a japonesa Nihon Nohyaku (Nichino). A Nichino tornou-se a primeira companhia de agroquímicos do Japão, em 1928, e desde sua chegada ao mercado atua centrada na inovação e no desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos.

Fonte: Sipcam Nichino Brasil

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Acordo provisório completa 3 meses com R$ 9,2 bilhões em carnes sob ameaça

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Três meses depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), o agronegócio brasileiro enfrenta uma contradição: ao mesmo tempo que o tratado reduz tarifas e promete ampliar as vendas ao bloco, novas exigências europeias podem interromper, a partir de 3 de setembro, a entrada de produtos brasileiros de origem animal.

A restrição alcança carne bovina, carne de frango, ovos, mel, pescado e outros produtos sujeitos ao controle de medicamentos veterinários. A medida coloca sob risco um mercado relevante para frigoríficos, cooperativas, exportadores e milhares de produtores integrados às cadeias de proteína animal.

Somente as exportações brasileiras de carnes para a União Europeia movimentaram aproximadamente R$ 9,2 bilhões em 2025. A carne bovina respondeu por cerca de R$ 5,3 bilhões desse total, conforme dados do comércio exterior brasileiro convertidos pela cotação atual. Embora o bloco compre menos que a China em volume, costuma pagar mais por cortes de maior valor agregado.

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em janeiro, aprovado pelo Congresso brasileiro em março e começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual das tarifas incidentes sobre 95% dos produtos importados pela União Europeia e 91% dos produtos adquiridos pelo Mercosul.

Para o agro, as oportunidades incluem carnes, café, frutas, sucos, óleos vegetais, açúcar, etanol, arroz, mel e alimentos processados. Parte desses produtos, porém, continuará submetida a cotas, cronogramas graduais e limites negociados para proteger setores considerados sensíveis pelos europeus.

A redução das tarifas também não elimina as exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Na prática, o produto pode receber uma condição comercial mais favorável e, ainda assim, ficar impedido de entrar na Europa se não cumprir as regras estabelecidas pelo bloco.

É justamente o que pode ocorrer com os produtos brasileiros de origem animal. A União Europeia retirou o Brasil da relação de países considerados plenamente adequados às novas normas sobre o uso de antimicrobianos na criação.

As exigências proíbem a utilização de determinados medicamentos para estimular o crescimento ou aumentar o rendimento dos animais. Também restringem o emprego, na produção animal, de substâncias que os europeus consideram essenciais para o tratamento de infecções em seres humanos.

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A decisão não significa que a União Europeia tenha identificado carne brasileira contaminada ou imprópria para consumo. A divergência está na capacidade do Brasil de demonstrar, por meio de controles oficiais, registros e rastreabilidade, que as regras foram respeitadas durante todo o ciclo produtivo.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que apresentou documentação técnica à Comissão Europeia sobre os sistemas brasileiros de fiscalização de bovinos, aves, ovos, pescado e mel. O governo tenta recolocar o país na lista de fornecedores autorizados antes de 3 de setembro.

Caso não haja acordo até essa data, os frigoríficos habilitados poderão perder temporariamente o acesso ao mercado europeu. A interrupção também atingiria produtores que fornecem animais dentro dos protocolos exigidos pelos compradores do bloco.

Na pecuária bovina, a adaptação tende a ser mais demorada. Como os europeus exigem garantias sobre toda a vida do animal, será necessário reunir informações desde o nascimento, incluindo movimentações entre propriedades e registros dos tratamentos veterinários.

Representantes da cadeia estimam que a formação de uma oferta bovina completamente acompanhada pelos novos protocolos poderá levar até dois anos. Esse prazo não representa necessariamente a duração do bloqueio, que dependerá das negociações entre os governos, mas indica o tempo necessário para completar o ciclo de parte dos animais sob as novas regras.

Na avicultura, uma adequação pode ocorrer mais rapidamente porque o ciclo entre o alojamento do pintinho e o abate é de aproximadamente 45 dias. Ainda assim, granjas, fábricas de ração, cooperativas e frigoríficos terão de demonstrar a separação dos lotes destinados à Europa e manter registros auditáveis.

Para o produtor rural, as mudanças podem significar aumento do controle sobre medicamentos, necessidade de prescrição veterinária, identificação individual ou por lote, armazenamento de documentos e maior fiscalização dentro da propriedade. Também poderá haver exigência de segregação dos animais que atendem ao protocolo europeu.

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Essas adaptações elevam custos, mas permitem acessar um mercado que remunera produtos diferenciados. Na bovinocultura, programas destinados à Europa costumam comprar animais jovens, rastreados e enquadrados em padrões específicos de alimentação, manejo e acabamento.

O risco é que pequenos e médios produtores tenham dificuldade para suportar os custos de certificação e controle. Sem assistência técnica e participação de frigoríficos e cooperativas, parte deles poderá ficar fora das cadeias exportadoras de maior valor.

Além das regras sanitárias, o produtor brasileiro ainda precisa acompanhar as exigências ambientais europeias. Comprovação de origem, rastreabilidade e ausência de vínculo com desmatamento irregular ganham importância nas negociações. O setor defende que essas normas sejam baseadas em critérios técnicos e não funcionem como barreiras comerciais disfarçadas.

O Brasil também terá instrumentos para reagir se o acordo provocar aumento excessivo das importações europeias e prejuízo à produção nacional. O Decreto nº 12.866, publicado em março, regulamentou a aplicação de salvaguardas em acordos comerciais.

Essas salvaguardas permitem interromper temporariamente a redução de tarifas, restabelecer alíquotas ou criar cotas quando o crescimento das importações causar dano grave ou ameaça à atividade brasileira. A adoção das medidas depende de investigação conduzida pelas autoridades de comércio exterior.

O mecanismo poderá proteger setores mais expostos à concorrência europeia, especialmente segmentos da indústria de alimentos. Não resolve, entretanto, o impasse sanitário envolvendo as carnes brasileiras. As salvaguardas tratam da entrada de produtos no Brasil, enquanto a restrição aos produtos de origem animal depende da aceitação dos controles nacionais pela União Europeia.

A proximidade do prazo transforma agosto em um período decisivo para o agro. Sem uma solução negociada, o Brasil poderá chegar a setembro com tarifas menores em razão do acordo comercial, mas com parte importante de sua produção impedida de aproveitar a abertura do mercado europeu.

Fonte: Pensar Agro

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