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SENAR-PR ajuda na implantação de negócio na área de meliponicultora

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Na propriedade que mais parece um cartão postal, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), Clotilde Zai já teve inúmeras atividades. Mas foi na criação de abelhas sem ferrão, com ajuda do curso do SENAR-PR, que ela encontrou uma forma de otimizar o espaço e empreender. Hoje, além de as colmeias gerarem renda, o negócio proporciona a realização de cursos, mentorias, visitas de grupos de escolas e venda de derivados da meliponicultora. Tudo isso aliando atividades comerciais, preservação de espécies e harmonia com o meio ambiente – o que a família mais preza em seu estilo de vida.

Pesquisadores da área de geografia, Clotilde e o marido, Claudinei, casaram e se mudaram para a propriedade de três hectares, em 2006 – ele era de Curitiba e ela, de Mato Rico, no interior do Paraná. Com o passar dos anos, o local se transformou, com a construção de um lago e galinheiros, a compra de um cavalo, entre outras benfeitorias, até chegar ao lugar que hoje se chama Meliponário Doce Paraíso. “Você viu, chegando aqui, por que se chama Doce Paraíso?”, pergunta Clotilde quando a reportagem adentrou à propriedade impecável.

Há colmeias de meliponídeos espalhadas por toda a chácara, sendo que, em um cantinho especial com estrutura para receber visitantes, estão os xodós do meliponário. As abelhas da espécie lambe-olhos medem cerca de 1,5 milímetro. De tão delicadas só podem ficar expostas apenas por alguns segundos. Uma caixa transparente permite vêlas, minúsculas, trabalhando na construção do ninho e fabricação de mel. “As crianças sempre ficam impressionadas quando mostramos essa espécie”, conta a empresária.

Atualmente, o principal negócio do meliponário é a venda de colmeias – Clotilde não vende mel das próprias abelhas. Entre os clientes estão prefeituras que compram caixas para programas de polinização nos municípios, meliponicultores da região visando a produção e venda de mel e também entusiastas que querem ter as abelhas sem ferrão como bicho de estimação. “Eu sempre digo que esse é o ‘pet’ mais fácil que existe para cuidar. Basta ter uma área de mata por perto e escolher o local adequado para deixar a caixa que elas se viram sozinhas”, explica Clotilde.

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Diversidade de espécies

O Brasil possui a maior diversidade de abelhas sem ferrão do mundo, cerca de 300 espécies. No Meliponário Doce Paraíso são oito tipos comercializados: mirim preguiça, mirim guaçu, mirim nidriceps, lambe-olhos, jataí, mandaçaia, uruçu amarela e guaraipo.

Essa última é uma das mais parecidas com as abelhas com ferrão em tamanho, mas completamente diferente em temperamento e na incidência, pois consta na lista das espécies ameaçadas de extinção. Dessa lista, também são grandes a uruçu amarela e a mandaçaia. As demais, menores e, às vezes, podem até ser confundidas com mosquitos.

O meliponário conta, em média, com 400 caixas. O local também tem a intenção de ser uma espécie de santuário de abelhas. Em diversos pontos há surpresas, como uma colmeia de uma espécie natural da região da chácara no chão e um “hotel” para as chamadas abelhas solitárias (não vivem em colmeias).

“Atividades como o cultivo de acerola, maracujá e abóbora dependem de abelhas que vivem sozinhas para serem polinizadas. Essas também precisam de abrigos. Na natureza, elas usam árvores ou mesmo cavam suas tocas individuais no chão”, diz Clotilde Zai, meliponicultora em Colombo, região metropolitana de Curitiba.

Profissionalização

A facilidade em repassar informações com conhecimento profundo das abelhas nem sempre esteve entre as habilidades de Clotilde. Há cinco anos, durante a construção de um galinheiro, ela e o marido encontraram uma colmeia (descoberta, depois, ser de jataí) no chão. Sem conhecer os meliponídeos até então, a empresário buscou conhecimento por meio de um curso do SENAR-PR em Prudentópolis, na região Centro-Sul, considerada a “Meca” da meliponicultora no Brasil. Depois, também participou de outra capacitação da entidade em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A partir de então, Clotilde se apaixonou pela área.

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Outra formação do SENAR-PR, o “Mulher Atual”, proporcionou conhecimentos para pensar em como rentabilizar a atividade como um negócio. Hoje, por meio de sua atividade, Clotilde vende colmeias, pomadas e cremes à base de própolis e mel, além de uma parceria com meliponicultores da região para fazer uma revenda de mel.

“Aos poucos, fui ampliando os negócios. A ideia de vender mel surgiu quando convidaram para uma feira e eu não tinha mel para oferecer. Então estabeleci parceria com alguns vizinhos”, exemplifica.

Hoje, além dos negócios, Clotilde está engajada em diversas frentes do movimento da popularização da meliponicultora no Paraná. Como pesquisadora, participou de um projeto que resultou na publicação de um livro, já que são poucas as referências bibliográficas sobre o assunto. Também atua no projeto Poliniza Paraná, iniciativa do governo estadual inspirado nos Jardins de Mel de Curitiba, que estimula a instalação de colmeias de abelhas nativas sem ferrão em diversos espaços públicos da cidade.

Serviço:

Para saber mais sobre as colmeias e o trabalho de Clotilde, entre em contato pelo WhatsApp: (41) 99850-0488.

Fonte: Faep

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

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O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

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O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

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Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

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