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Seca no Vietnã Impulsiona Preços do Café, Mas Mercado Corrige com a Volta das Chuvas

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No final de abril, os preços do café robusta em Londres subiram significativamente devido à recente seca no Vietnã provocou um aumento significativo nos preços do café, afetando tanto as variedades robusta quanto arábica. No entanto, a recente volta das chuvas na região trouxe uma correção no mercado, conforme aponta a Consultoria Agro do Itaú BBA.

Em abril, o robusta teve um aumento médio de 15,8% em relação ao mês anterior, enquanto o arábica, considerado barato em comparação ao robusta, subiu 17,4% em Nova York. Essa combinação com a valorização do dólar fez com que os preços do arábica e do conilon no Brasil aumentassem 19% e 20,7%, respectivamente, criando boas oportunidades para os produtores brasileiros negociarem seus produtos a preços superiores aos custos de produção. Porém, na primeira quinzena de maio, o robusta em Londres caiu 7% em relação à média de abril, levando a uma correção também no arábica. Como resultado, os preços no Brasil recuaram cerca de R$ 200 por saca desde meados de abril, com o arábica negociado a R$ 1.115 por saca e o conilon a R$ 950 por saca.

Apesar da queda recente nos preços, o ágio do café vietnamita sobre o robusta brasileiro aumentou ainda mais, alcançando USD 1.200 por tonelada, o que elevou a competitividade do grão brasileiro. A escalada dos preços em abril, impulsionada pela seca no Vietnã, foi amplificada pela entrada de fundos não comerciais no mercado de café, com a posição líquida marcando um recorde de 71 mil contratos em meados do mês, antes de recuar para 59 mil contratos comprados em 7 de maio.

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Além de garantir boas margens na comercialização, a alta do café, combinada com preços mais baixos de insumos como fertilizantes, melhorou as relações de troca para os produtores, criando um momento oportuno para garantir insumos para o segundo semestre com uma relação historicamente favorável.

Cenário Promissor para Preços do Café, Mas com Desafios

O cenário permanece positivo para os preços do café, com o Brasil apenas começando a colheita e sem grandes lotes de café novo no curto prazo, mantendo preços remuneradores e uma demanda externa sólida. No Vietnã, apesar do retorno das chuvas, a incerteza sobre o tamanho da próxima safra continua sendo um ponto de atenção.

Para os produtores, o momento é propício para aproveitar o mercado, garantir insumos com boas relações de troca e proteger as margens, considerando a rentabilidade nos níveis atuais de preços. No entanto, para as tradings, o mercado apresenta desafios devido à curva invertida do robusta e agora também do arábica, dificultando a originação e o armazenamento de estoques.

O clima seco que predomina e a ausência de chuvas previstas favorecem a colheita e a secagem dos grãos, mas é importante notar que, apesar das boas chuvas em março, abril foi novamente abaixo da média na maior parte de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Uma preocupação constante entre os produtores de arábica e conilon é a escassez de mão de obra, que se agrava durante a colheita e tem se intensificado nos últimos anos.

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Mantemos nossa estimativa de 69,4 milhões de sacas de café para a safra brasileira 2024/25 e de 27 milhões de sacas para o Vietnã, embora a situação vietnamita ainda esteja indefinida. Em um cenário alternativo, caso a produção no Vietnã sofra uma contração de 10%, o superávit entre a produção e o consumo mundial, previsto em 4,6 milhões de sacas, praticamente desapareceria.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Semi-hidroponia avança no Brasil e transforma produção agrícola em solos degradados

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Produzir no campo brasileiro tem se tornado cada vez mais desafiador diante das mudanças climáticas, da irregularidade das chuvas e da crescente degradação dos solos. Em culturas mais sensíveis, como as hortaliças, esses fatores elevam os riscos e podem comprometer totalmente a viabilidade econômica das lavouras.

Doenças de solo como murcha bacteriana, fusariose e a presença de nematoides estão entre os principais entraves à produtividade, especialmente em áreas já afetadas. Nesse cenário, soluções inovadoras têm ganhado espaço, com destaque para sistemas de cultivo sem solo, como a semi-hidroponia.

Alternativa sustentável para solos problemáticos

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que uma parcela significativa dos solos agrícolas do país apresenta algum nível de degradação, o que reforça a necessidade de tecnologias mais adaptáveis e resilientes.

A semi-hidroponia surge como uma evolução dos sistemas hidropônicos tradicionais. Nesse modelo, o solo é substituído por substratos inertes que sustentam as plantas, enquanto a nutrição ocorre por meio da fertirrigação — técnica que permite o fornecimento controlado de água e nutrientes.

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Na prática, o produtor passa a ter maior controle sobre o ambiente de cultivo, reduzindo significativamente os riscos fitossanitários.

“Problemas como murcha bacteriana, fusariose e nematoides são comuns no solo e de difícil controle. Com a semi-hidroponia, é possível praticamente eliminar essas ameaças, mantendo a produtividade”, explica o especialista em agricultura Felipe Vicentini Santi.

Substratos acessíveis e eficientes

Entre as alternativas mais viáveis economicamente, destaca-se a combinação de casca de arroz carbonizada com areia lavada, geralmente na proporção 50/50.

Essa mistura oferece condições ideais para o desenvolvimento das plantas: a casca de arroz contribui para a retenção equilibrada de umidade e aeração das raízes, enquanto a areia favorece a drenagem, evitando o encharcamento — fator diretamente ligado ao surgimento de doenças.

Ganhos em produtividade e uso de recursos

Além de reduzir drasticamente problemas sanitários, o sistema semi-hidropônico apresenta outras vantagens relevantes. Entre elas, a possibilidade de cultivo contínuo ao longo do ano, inclusive em períodos de alta pluviosidade, e a eliminação da necessidade de rotação de culturas.

Outro ponto estratégico é a eficiência no uso de insumos. A fertirrigação permite economia de água e fertilizantes, reduz perdas e minimiza impactos ambientais, tornando o sistema mais sustentável no longo prazo.

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Desafios ainda limitam expansão

Apesar dos benefícios, a adoção da semi-hidroponia ainda enfrenta barreiras. O investimento inicial em infraestrutura e a necessidade de conhecimento técnico para o manejo adequado da irrigação e da nutrição das plantas são os principais desafios apontados.

Em operações de maior escala, questões como custo, logística e acesso à tecnologia também podem dificultar a implementação.

Inovação como caminho para o futuro

Mesmo diante desses entraves, o avanço de sistemas como a semi-hidroponia sinaliza uma transformação importante na agricultura brasileira. Em um cenário de maior instabilidade climática e pressão por produtividade, a adoção de tecnologias que aumentem o controle e a eficiência tende a ser decisiva.

A capacidade de adaptação, aliada à inovação e ao manejo técnico, desponta como o principal diferencial para garantir a sustentabilidade e a competitividade da produção agrícola no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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