AGRONEGÓCIO
Sanidade avícola e vacinação preventiva: desafio da doença de Newcastle nas exportações de ovos do Brasil
Publicado em
20 de maio de 2025por
Da Redação
O Brasil tem se destacado como fornecedor confiável de ovos para o mercado internacional. Em março, as exportações para os Estados Unidos atingiram 2.705 toneladas — um aumento histórico de 346,4% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado pela crise da gripe aviária local. No entanto, a presença da doença de Newcastle no país impõe restrições importantes, especialmente para o acesso a mercados de alto valor, como ovos para consumo direto e ovos líquidos pasteurizados.
Doença de Newcastle: impacto e desafios para o setor
A doença de Newcastle é causada por um vírus altamente contagioso da família Paramyxoviridae, que afeta o sistema respiratório, digestivo e nervoso das aves. Os sintomas incluem tosse, espirros, torcicolo, paralisias, diarreia, queda na produção de ovos e alta mortalidade em casos graves.
Mesmo sem surtos recentes, a presença do vírus no Brasil gera barreiras comerciais, afetando a competitividade do setor avícola. Países como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e União Europeia aplicam restrições rigorosas à importação de ovos e derivados oriundos de regiões com histórico da doença.
Vigilância e notificação obrigatórias
Em caso de suspeita ou confirmação da doença, a notificação imediata ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) é obrigatória. A enfermidade integra o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que coordena o monitoramento e define normas de biosseguridade para o setor.
Vacinação: principal ferramenta contra a doença
A imunização das aves é o método mais eficaz para controlar a doença de Newcastle. Conforme a Instrução Normativa MAPA nº 56/07, a vacinação é obrigatória para aves de ciclo longo, como poedeiras e reprodutoras comerciais.
A empresa Zoetis oferece diversas vacinas para diferentes fases da produção avícola:
- Poulvac® Procerta® HVT-ND: vacina vetorizada que protege contra as doenças de Marek e Newcastle, aplicada em pintinhos de um dia ou ovos embrionados.
- Poulvac® NDW: vacina viva atenuada para frangos de corte, aplicada por pulverização, via ocular/nasal ou na água.
- Poulvac® Maternavac® Ultra 5: vacina inativada para reprodutoras, aplicada entre 14 e 22 semanas.
- Poulvac Mix 7: lançada recentemente, oferece proteção contra a doença de Newcastle e outras seis enfermidades, ampliando a cobertura imunológica do plantel.
Importância da imunização para o mercado internacional
Segundo Eduardo Muniz, Gerente Técnico de Aves da Zoetis, a vacinação eficaz, aliada a protocolos rigorosos de biosseguridade e diagnóstico laboratorial, é fundamental para manter a produtividade das granjas e assegurar a confiança internacional no produto brasileiro.
Perspectivas para o setor avícola em 2025
Com a previsão de crescimento de 62% nas exportações de ovos em 2025, chegando a 30 mil toneladas, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o setor precisa intensificar a vigilância sanitária e os programas de imunização.
A sustentabilidade e o sucesso da avicultura brasileira dependem de um compromisso contínuo com a saúde das aves, garantindo produtividade e acesso seguro aos mercados globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entre aperto fiscal e demanda por crédito, governo oficializa Plano Safra de R$ 600 bilhões
Published
5 minutos agoon
30 de junho de 2026By
Da Redação
O governo federal oficializa nesta terça-feira (30.06) o lançamento do Plano Safra 2026/27, desenhado para injetar R$ 600 bilhões em financiamentos para o setor agropecuário nacional. A estratégia, que abrange desde a agricultura familiar até os grandes produtores e cooperativas, chega em um momento de cautela, marcado pelo aperto fiscal e pela necessidade de aliviar o custo de produção em um cenário de dívidas elevadas no campo.
A cerimônia de lançamento ocorre em dois atos: pela manhã, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura, André de Paula, detalham as linhas para a agricultura empresarial no Palácio do Planalto. À tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, apresentam o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
O montante global de R$ 600 bilhões representa um novo recorde nominal, com incremento de aproximadamente R$ 9 bilhões em relação à safra anterior (2025/26). Do total, R$ 525 bilhões são destinados a médios e grandes produtores. Um ponto de destaque na composição dessa oferta é a inclusão de R$ 200 bilhões via Cédulas de Produto Rural (CPRs), lastreadas em recursos de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e poupança rural — uma estratégia de captação que ganha peso para suprir a demanda por crédito.
Após intensas negociações com a equipe econômica, o Ministério da Agricultura conseguiu viabilizar a redução das taxas de juros, embora sem a abrangência inicialmente pleiteada. O governo buscava que todos os produtores tivessem acesso a juros de um dígito, mas a limitação do orçamento para equalização — o subsídio estatal que cobre a diferença entre o custo bancário e o encargo final ao produtor — impôs freios.
Ainda assim, houve avanços relevantes:
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Médios produtores: A taxa para custeio via Pronamp cai de 10% para 9% ao ano.
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Grandes produtores: A alíquota reduz de 14% para 12,5% ao ano.
O movimento foi sustentado, em parte, pela queda da Selic de 15% para 14,25%, que reduziu o custo de captação para as instituições financeiras. O foco central do plano foi concentrado no custeio da safra, reconhecendo a pressão inflacionária nos insumos e o endividamento do setor.
Embora o Plano Safra seja apresentado como uma resposta às dificuldades financeiras do campo, o cenário de aperto fiscal limita a ambição do governo. O Ministério da Agricultura havia solicitado originalmente R$ 570 bilhões em oferta geral com juros reduzidos para todos os perfis, mas a necessidade de equilibrar a oferta de crédito com o impacto no Tesouro Nacional — que arcou com R$ 13,5 bilhões em subvenções na safra 2025/26 — resultou em uma proposta mais contida.
O Plano Safra 2026/27 chega como um instrumento de tentativa de estabilidade. O aumento nominal de 2% em relação ao ciclo anterior reflete a cautela do governo em um ano de restrição orçamentária, elevando a expectativa de que o crédito, embora recorde em valor, seja direcionado estrategicamente para evitar gargalos na próxima temporada.
A titulo de curiosidade, comparando o volume de R$ 600 bilhões destinados ao Plano Safra 2026/27 com as loterias, o valor é astronômico: ele seria equivalente a mais de 1.000 vezes o maior prêmio já pago pela Mega-Sena na história, que foi de aproximadamente R$ 588,8 milhões na Mega da Virada de 2023.
Engenheiro Agrônomo Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio
NO LIMITE – “O anúncio de hoje é um passo necessário para manter a engrenagem do campo girando, mas precisamos encarar com franqueza que estamos operando no limite do que o orçamento permite”, alertou o Engenheiro Agrônomo Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA).
“O volume total de R$ 600 bilhões impressiona pelo recorde nominal, contudo, é preciso separar o que é crédito novo do que é apenas a manutenção de recursos que já circulavam no mercado, para não criarmos uma falsa sensação de que temos uma abundância que, na prática, não existe para todos os perfis de produtores”.
“A redução nas taxas de juros, embora bem-vinda, ainda deixa o produtor em uma situação de desconforto frente à pressão dos custos de produção que não param de subir. Não podemos esquecer que a rentabilidade no campo tem sido corroída por uma série de fatores que vão além da taxa Selic; quando o governo corta a equalização, ele retira uma proteção essencial que permitiria ao agricultor investir em tecnologia e, assim, garantir a produtividade que o mercado global exige”, disse Isan.
“Precisamos elevar o debate para além da oferta de crédito e discutir a qualidade dessa subvenção, pois de nada adianta anunciarmos cifras bilionárias se a burocracia ou a falta de agilidade no repasse dos recursos impedirem que o dinheiro chegue ao produtor no momento exato do plantio. O setor não busca apenas facilidade, mas segurança jurídica e previsibilidade, pilares que são fundamentais para que possamos planejar a safra sem o medo constante de que as regras do jogo mudem no meio do caminho”.
“O recado que fica é que a paciência do produtor tem limite e a nossa capacidade de entregar resultados sob essas condições fiscais está sendo testada ano após ano. Se o governo realmente enxerga o agronegócio como a locomotiva da economia brasileira, o próximo passo deve ser uma política de estado que tire o Plano Safra da dependência absoluta do aperto fiscal, permitindo um planejamento de longo prazo que contemple a inovação, o seguro rural robusto e a infraestrutura que falta para escoar nossa produção”, completou o Presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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