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Saiba o que está por trás da decisão da OPEP+ de adiar o aumento da sua produção de petróleo

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Análise da Hedgepoint Global Markets indica que o último trimestre do ano será o mais desafiador para o petróleo em 2024. “Os riscos crescentes de baixa no mercado podem afetar seriamente os principais referenciais do produto”, diz Victor Arduin, analista de Energia e Macroeconomia da Hedgepoint.

“Por um lado, nos últimos anos, a OPEP+ conseguiu defender os preços, beneficiando-se até mesmo do prêmio geopolítico proveniente do Oriente Médio; por outro lado, os dados fracos da demanda da Ásia pesam cada vez mais sobre o sentimento do mercado’, explica o analista.

Em meio ao crescente sentimento de baixa que está tomando forma, a aliança decidiu adiar seus planos de aumentar a produção em 180.000 barris por dia. Atualmente, há cortes voluntários de 2,2 milhões de barris. Embora isso esteja ajudando a estabilizar a queda nos preços do petróleo, também está custando caro ao grupo em termos de participação no mercado, já que países como

Estados Unidos, Brasil, Canadá, Guiana e Noruega estão aumentando sua participação no mercado de petróleo.

O Brent se aproximou da marca de US$ 70 nas últimas semanas

“Não há dúvida de que, nos últimos anos, a OPEP+ tem sido uma importante força de alta no complexo energético, com suas restrições à produção de petróleo ajudando a sustentar o mercado. Outros fundamentos também apoiaram os principais índices de referência da commodity, como o conflito em curso no Oriente Médio, que adicionou um prêmio de risco ao mercado e aumentou a volatilidade do produto”, observa.

Victor pondera que, no entanto, as preocupações com a demanda global de petróleo aumentaram significativamente nos últimos meses, levando a uma queda nos preços que, em alguns momentos, aproximou o Brent da marca de US$ 70 – um nível de suporte importante.

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Devido à queda nos preços das commodities energéticas, a OPEP+ decidiu mais uma vez adiar seus planos de aumentar a produção em 180.000 b/d de dezembro para outro mês.

“De fato, aumentar a oferta neste momento não parece apropriado para orçamentos que dependem muito das receitas da exploração de petróleo e gás, especialmente com os resultados das eleições nos EUA que podem trazer mudanças para o cenário energético global”, aponta.

Contudo, a defesa dos preços do petróleo se tornará cada vez mais difícil e onerosa para a OPEP+, especialmente para a Arábia Saudita, que perdeu participação de mercado para países não pertencentes à OPEP no ano passado e está com 3 milhões de barris por dia de capacidade ociosa.

A difícil cooperação da OPEP+ representa um grande risco de queda

Embora a OPEP+ continue sendo uma importante organização na oferta energética, seu domínio diminuiu nos últimos anos devido ao aumento de países não membros, como EUA, Canadá, Brasil, Noruega e Guiana, que estão atingindo níveis recordes de produção de petróleo e outros combustíveis líquidos.

“Para tornar mais desafiador essa tendência para OPEP, tanto a EIA quanto a IEA revisaram suas projeções para baixo na expansão do consumo de petróleo este ano, estimando agora um aumento de menos de 1 milhão de barris – menos da metade da projeção da OPEP de 1,93 milhão de barris por dia (bpd)”, ressalta.

Além disso, os membros da OPEP+ também colaboraram para criar um ambiente mais desafiador para sustentar os preços do petróleo bruto, com países como Iraque, Rússia e Cazaquistão produzindo acima de suas cotas durante a maior parte de 2024.

“As dificuldades de cooperação entre os membros são um problema relevante e levaram à saída de Angola do grupo ao final de 2023, reduzindo o número de membros da OPEP para 12”, observa.

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Há fundamentos de alta em andamento, como o corte da taxa de juros dos EUA e as medidas de estímulo da China; no entanto, isso precisará de tempo para se traduzir em melhoria da atividade econômica, o que poderia levar a uma maior demanda por petróleo no futuro.

“Nesse contexto, a decisão da OPEP+ foi importante, e necessária em algum nível, para dar à aliança tempo para aumentar sua produção em um cenário menos baixista do que o atual”, conclui.

Em resumo, apesar de a OPEP trazer otimismo aos altistas do mercado, muitos riscos de baixa permanecem. O DXY indica que o dólar ainda está muito forte, o que pode levar à queda dos preços do petróleo, já que as commodities se tornam mais caras para os detentores de outras moedas.

O estímulo vindo da China é bem-vindo e pode aumentar a atividade econômica na região em 2025; no entanto, ele pode não se traduzir necessariamente em maior demanda por combustíveis, já que as transações de energia no país estão progredindo rapidamente.

A participação relativa da OPEP+ na oferta global de petróleo está diminuindo à medida que outros países, especialmente os EUA, estão aumentando sua produção. Nesse contexto, o resultado das eleições presidenciais pode trazer mudanças significativas para a política energética do país.

Como resultado, a OPEP+ está certa em adiar seu aumento de produção em dezembro e pode encontrar um ambiente mais favorável para aumentar a oferta em 2025, dada sua meta de estabilizar os preços do petróleo em níveis mais altos.

Fonte: Hedgepoint Global Markets 

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

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A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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