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Safra recorde nos EUA pressiona preços do milho e exige cautela de produtores brasileiros

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Produção norte-americana atinge novo recorde histórico

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a estimativa de produção de milho do país em seu relatório de janeiro, elevando o volume para 432,4 milhões de toneladas, ante 425,5 milhões na projeção anterior. O avanço é resultado de uma produtividade média recorde de 11,7 toneladas por hectare, consolidando a safra como uma das maiores já registradas.

Segundo análise do Itaú BBA, o aumento expressivo da oferta norte-americana tende a exercer forte pressão sobre os preços internacionais do milho no curto prazo.

Estoques crescem e consolidam viés de baixa

De acordo com Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, os números apresentados pelo USDA “reforçam um cenário baixista para o mercado, com o aumento dos estoques e a confirmação de uma supersafra nos Estados Unidos”.

O estoque final norte-americano cresceu 9,8%, alcançando 56,6 milhões de toneladas, o terceiro maior volume da série histórica. As exportações permaneceram estáveis, em 81,3 milhões de toneladas.

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Esse aumento da produção e dos estoques contribui para maior equilíbrio na oferta e demanda global, elevando os volumes de passagem da safra 2025/26, ainda que em patamar inferior ao observado na temporada anterior.

Primeira safra no Brasil avança com apoio das chuvas

No Brasil, o desenvolvimento da primeira safra de milho segue positivo, impulsionado pelas chuvas de dezembro. Em Minas Gerais, o retorno das precipitações ajudou na recuperação de áreas afetadas, enquanto em Maranhão, Piauí, Bahia e Goiás, as lavouras apresentaram boa reação após o estresse hídrico.

No Rio Grande do Sul, a colheita já começou, com perspectivas favoráveis de produtividade.

Contudo, o relatório alerta que as chuvas de janeiro serão decisivas para confirmar a produção esperada, já que cerca de 50% das lavouras estão em fase reprodutiva, momento crítico para a formação de grãos.

Segunda safra: insumos e plantio avançam de forma desigual

Em relação à segunda safra, o Itaú BBA destaca que a comercialização de fertilizantes segue dentro da média em Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, indicando cenário favorável para o plantio.

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Entretanto, em Goiás, São Paulo e Minas Gerais, a aquisição de insumos ainda está atrasada, o que torna a decisão de plantio mais incerta — reflexo do atraso na colheita da soja.

As definições sobre a área plantada e o calendário agrícola nessas regiões dependerão do comportamento das chuvas nas próximas semanas, fator determinante para garantir o bom andamento da temporada 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil

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Pesquisadores e centros meteorológicos internacionais identificaram sinais de que o El Niño de 2026 pode entrar para o grupo dos mais intensos das últimas décadas e permanecer ativo até o início de 2027. O fenômeno, potencializado pelo aquecimento global, tende a alterar o calendário agrícola brasileiro, com risco de atraso no plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba e excesso de chuvas no Sul, principal região produtora de trigo do País.

As projeções divulgadas entre maio e junho consolidaram a expectativa de um evento persistente. Em algumas áreas próximas à costa da América do Sul, o aquecimento da superfície do oceano chegou a ficar entre 2°C e 3°C acima da média, enquanto a região central do Pacífico registrava anomalias em torno de 0,7°C.

Diferentemente dos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o El Niño de 2026 se desenvolve em um cenário de aquecimento mais generalizado dos oceanos. Com menos contraste entre águas quentes e frias, os pesquisadores passaram a utilizar novos indicadores para medir a intensidade do fenômeno. Por esse critério, o episódio atual já apresenta características semelhantes às observadas em alguns dos eventos mais severos do registro histórico.

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No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. No Sul, a combinação entre o El Niño e outros padrões atmosféricos pode favorecer volumes de chuva acima da média durante a primavera e o verão. Para culturas de inverno, como o trigo, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo tende a ser mais importante que o volume acumulado, já que excesso de umidade durante a fase reprodutiva e na colheita pode afetar a qualidade dos grãos.

No Centro-Oeste e no Matopiba, o comportamento tradicional do fenômeno é diferente. As chuvas costumam se tornar mais irregulares no início da primavera, período que marca a abertura do plantio da soja. Eventuais atrasos na semeadura podem reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra em 2027, responsável por cerca de 80% da produção brasileira do cereal.

O País entra nesse cenário após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, além de uma colheita de 66,7 milhões de sacas de café e mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

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Segundo os especialistas, os impactos do fenômeno tendem a ser mais regionais do que nacionais. Enquanto parte das áreas produtoras pode registrar condições favoráveis, regiões dependentes da regularidade das chuvas, como Centro-Oeste e Matopiba, e áreas mais suscetíveis ao excesso de precipitações, como o Sul, devem concentrar maior atenção ao comportamento do clima ao longo da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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