AGRONEGÓCIO
Safra Recorde de Soja Impulsiona Expectativa de Alta no Custo do Frete Rodoviário em 2025
Publicado em
27 de janeiro de 2025por
Da Redação
Após o recuo nos preços dos fretes rodoviários em 2024, a expectativa para 2025 é que os valores voltem a subir entre 15% e 20%, principalmente em razão da previsão de uma safra recorde de soja. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta que os preços do frete se mantenham em níveis similares aos de 2023, mas com um aumento considerável já em fevereiro.
Em dezembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) observou uma redução nos preços dos fretes rodoviários em várias regiões produtoras de soja e milho, os maiores responsáveis pela produção de grãos no Brasil. Esse declínio foi impulsionado pela menor oferta de produtos para transporte. No entanto, a previsão de uma safra excepcional de soja em 2025 já começa a afetar os valores dos fretes. De acordo com a Conab, a colheita total de grãos e oleaginosas no Brasil será de 322,5 milhões de toneladas, incluindo 166 milhões de toneladas de soja, um aumento de 8,2% em relação à safra de 2024.
Renato Francischelli, Country Director da Ascenza Brasil, destaca que o transporte tem um papel crucial no custo da produção agrícola. Ele alerta os produtores para a importância de estarem atentos às tendências do mercado logístico, uma vez que a distribuição dos produtos agrícolas impacta diretamente na cadeia produtiva. “Estratégias eficientes são fundamentais para controlar custos e melhorar a logística”, afirmou.
Além da soja, o aumento nos custos de transporte rodoviário também deve ocorrer com a chegada da safra de milho e outros cultivos. Fatores climáticos, como chuvas, e a infraestrutura rodoviária, que enfrenta problemas em cerca de 60% das estradas federais, também influenciam no custo do frete. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que muitas rodovias federais apresentam deficiências que agravam a situação logística.
O setor logístico ainda lida com uma série de desafios, incluindo a escassez de mão de obra qualificada, falta de investimentos em infraestrutura e a necessidade de diversificação dos modais de transporte. Além disso, a redução da carga tributária sobre combustíveis e pedágios também está em discussão, pois pode aliviar parte dos custos operacionais.
O aumento nos custos de transporte também está ligado à elevação do preço do diesel, que pode sofrer ajustes devido à alta do dólar e do petróleo. O diesel, que compõe entre 40% e 60% do valor do frete, teve uma estabilização em 2024, mas espera-se que os preços subam no próximo ano.
Em 2025, a adoção de práticas sustentáveis e a digitalização no transporte de cargas também terão impacto nos custos. O agronegócio busca alternativas mais verdes, como veículos elétricos e biocombustíveis, à medida que cresce a demanda por soluções para a redução das emissões de carbono. Além disso, empresas do setor estão investindo em tecnologias para melhorar a eficiência do sistema logístico.
De acordo com um levantamento do Grupo de Extensão e Logística da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq-Log/USP), entre 2010 e 2023, a participação do transporte rodoviário no escoamento da produção do agronegócio aumentou de 44,7% para 54,2%. As rodovias continuam dominando o transporte agrícola no mercado doméstico, representando 96% da distribuição de produtos.
PIB do Agronegócio
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta que a previsão de aumento na produção de grãos, aliada ao fortalecimento do setor agroexportador e à expansão da indústria de insumos agropecuários, contribuirá para um crescimento de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em 2025.
Em 2024, o agronegócio brasileiro alcançou um recorde nas exportações, somando US$ 164,4 bilhões, o segundo maior valor da série histórica, representando 49% das exportações totais do país, segundo o Ministério da Agricultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço
Published
3 horas agoon
17 de agosto de 2026By
Da Redação
O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.
Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.
O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.
Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.
O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.
A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.
A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.
Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.
Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.
Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.
O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.
Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.
A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.
A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.
A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.
Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.
Fonte: Pensar Agro
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