AGRONEGÓCIO
Safra de Uvas 2026 no Rio Grande do Sul Mostra Sinais Promissores
Publicado em
2 de fevereiro de 2026por
Da Redação
Vindima inicia com expectativas positivas para produtores gaúchos
Os vitivinicultores do Rio Grande do Sul começam a vindima 2026 com otimismo, projetando repetir os resultados bem-sucedidos dos últimos anos. Na vinícola boutique Lidio Carraro, a colheita segue até março, e os primeiros sinais do vinhedo indicam uma safra regular, saudável e com bom desenvolvimento.
Condições climáticas favorecem produção de qualidade
Segundo Juliano Carraro, diretor comercial da vinícola, o ciclo da videira começou de forma uniforme e promissora. “As brotações foram homogêneas, a produtividade está boa e a sanidade das plantas é notável. O clima tem sido favorável em todos os aspectos até agora, o que aponta para uma safra de excelente qualidade”, afirma.
Apesar de ocorrências de granizo em outras regiões do Sul do país, os vinhedos da Lidio Carraro não foram afetados. “Felizmente, nossas áreas não foram atingidas, o que é um fator determinante para a qualidade futura das uvas”, complementa.
Desenvolvimento da videira segue ritmo equilibrado
Para o enólogo Giovanni Carraro, a safra 2026 apresenta um desenvolvimento correto e equilibrado, sem extremos climáticos. “As videiras cresceram no tempo certo e a maturação tem ocorrido de forma média, sem longos períodos de frio intenso, o que é muito positivo”, explica.
Esse padrão climático deve influenciar diretamente o estilo dos vinhos. A expectativa é de uvas com bagas menores e plantas de menor vigor vegetativo, características que normalmente resultam em vinhos mais concentrados, com alta densidade aromática e polifenólica.
Variedades tardias mantêm cenário promissor
Para as uvas de maturação mais tardia, cuja colheita se estende ao longo de março, ainda é cedo para previsões definitivas. No entanto, a tendência permanece favorável, com expectativa de qualidade acima da média e produtividade consistente para diversas variedades.
Possível safra de destaque para rótulos especiais
A tradicional pergunta sobre a chance de uma Grande Vindima para 2026 já surge entre os produtores. Na Lidio Carraro, esse selo é reservado apenas a safras especiais, como 2012, 2013, 2018 e 2020. Giovanni Carraro ressalta que a decisão final dependerá da colheita: “A expectativa é positiva, mas só saberemos com certeza nos próximos 60 dias”, pondera.
Safra 2026 ganha simbolismo com Copa do Mundo
Além das condições técnicas, 2026 carrega um significado histórico para a vinícola, já que é mais um ano de Copa do Mundo, evento em que a Lidio Carraro tem tradição. Em 2014, a vinícola foi responsável pelos vinhos oficiais do torneio no Brasil, projetando a marca internacionalmente.
Enquanto o futebol agita multidões nos estádios, no vinhedo da Lidio Carraro a aposta segue sendo a constância, a técnica e o respeito ao tempo certo da natureza, ingredientes que podem resultar em mais uma safra memorável.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
Published
6 horas agoon
15 de outubro de 2026By
Da Redação
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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