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Safra de laranja 2026/27 pode cair 13% e aliviar pressão sobre estoques globais de suco, aponta Cepea

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A nova estimativa para a safra 2026/27 de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e no Triângulo/Sudoeste Mineiro indica um cenário de menor oferta no principal polo produtor do mundo. Segundo dados do Fundecitrus, a produção está projetada em 255,2 milhões de caixas de 40,8 kg, uma queda de 13% em relação à temporada anterior.

De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada Cepea, da Esalq/USP, esse recuo tende a ter impacto direto sobre o mercado global de suco de laranja, especialmente no equilíbrio entre oferta e estoques internacionais.

Menor oferta pode aliviar estoques globais de suco de laranja

O Cepea avalia que a redução da produção brasileira pode contribuir para limitar parte da pressão observada sobre os estoques globais de suco de laranja ao longo da safra 2025/26. O Brasil segue como principal exportador mundial do produto, o que torna o comportamento da safra nacional determinante para a formação de preços internacionais.

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Apesar disso, pesquisadores destacam que o impacto sobre as cotações não deve ser automático ou imediato. O mercado global entra no ciclo 2026/27 em uma posição mais confortável do que a registrada no choque de oferta de 2024, quando estoques historicamente baixos impulsionaram uma forte valorização dos preços internacionais.

Mercado de suco de laranja depende mais da demanda global do que da oferta

Segundo o Cepea, o cenário atual é marcado por recomposição parcial dos estoques globais e por uma demanda internacional mais cautelosa, especialmente em mercados consumidores maduros. Esse fator reduz a sensibilidade dos preços às variações isoladas da oferta.

Nesse contexto, a recuperação consistente das cotações internacionais do suco de laranja dependerá menos da queda na produção brasileira e mais de uma eventual retomada do consumo nos principais mercados globais.

Setor entra em nova fase após choque de preços em 2024

O mercado de suco de laranja vem de um período de forte volatilidade. Em 2024, a combinação de baixa oferta global e estoques reduzidos provocou uma disparada nas cotações internacionais. Agora, o setor opera em um ambiente mais equilibrado, com maior disponibilidade relativa de produto.

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Para o agronegócio brasileiro, o novo ciclo da citricultura indica um cenário de ajuste, no qual a menor safra pode reduzir o excesso de oferta, mas sem garantia de valorização expressiva dos preços caso a demanda global permaneça fraca.

Assim, o desempenho do mercado de suco de laranja em 2026/27 será definido pelo equilíbrio entre produção brasileira, estoques internacionais e ritmo de consumo mundial, fatores que seguem no centro das atenções de produtores, exportadores e tradings do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cevada australiana pode reduzir espaço do milho brasileiro no mercado chinês

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A disputa pelo mercado chinês de grãos para alimentação animal pode ganhar um novo capítulo nos próximos anos. Enquanto as atenções do mercado global seguem voltadas para as safras de milho do Brasil, dos Estados Unidos e da própria China, a retomada da cevada australiana no país asiático surge como um fator capaz de alterar o equilíbrio das importações e influenciar a demanda pelo cereal brasileiro.

A avaliação é de Jardel Oliveira de Paula, gerente comercial do setor, que destaca a normalização das relações comerciais entre Austrália e China como um movimento estratégico para o mercado global de grãos. Com a retirada de barreiras comerciais e a retomada dos embarques, a cevada australiana voltou a ganhar relevância na composição das rações utilizadas pela indústria pecuária chinesa.

Competição direta nas formulações de ração

A principal preocupação para o mercado do milho está na capacidade da cevada de substituir parte do cereal nas formulações de ração animal. A decisão dos fabricantes depende, sobretudo, da relação entre preços, disponibilidade e qualidade dos produtos oferecidos ao mercado.

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Quando a cevada apresenta maior competitividade econômica, sua participação nas dietas animais tende a crescer rapidamente. Por outro lado, em cenários de preços mais elevados ou de menor disponibilidade do grão australiano, o milho volta a ganhar espaço como alternativa mais atrativa para a indústria de nutrição animal.

Esse comportamento torna a disputa entre os dois produtos um dos fatores mais relevantes para a definição da demanda chinesa nos próximos ciclos agrícolas.

China pode reduzir necessidade de importação de milho

A grande questão observada pelo mercado é até que ponto o aumento das compras de cevada australiana poderá reduzir a necessidade de importação de milho pela China.

Embora parte da demanda potencial pelo cereal possa ser substituída, especialistas destacam que o cenário não é automático. Problemas climáticos que afetam a produção agrícola chinesa e limitações na oferta global de cevada de qualidade premium podem manter a necessidade de aquisição dos dois grãos simultaneamente.

Nesse contexto, a China poderá continuar ampliando suas importações totais de matérias-primas para ração, distribuindo a demanda entre milho e cevada de acordo com as condições de mercado.

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Safra 2026/27 exigirá atenção dos exportadores

Para a temporada 2026/27, produtores, tradings e exportadores deverão monitorar não apenas os volumes totais importados pela China, mas também a participação de cada grão nas formulações de ração, nos contratos comerciais e nas estratégias de abastecimento adotadas pelo país.

O comportamento do mercado chinês será determinante para a formação dos fluxos globais de comércio e poderá influenciar diretamente as oportunidades de exportação do milho brasileiro.

Diante desse cenário, acompanhar a evolução da competitividade entre milho e cevada será fundamental para identificar tendências e antecipar movimentos que poderão impactar os preços e a demanda internacional nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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