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Safra de inverno avança no RS: plantio de trigo chega a 92%, canola e cevada já foram concluídas e pastagens melhoram produção pecuária

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Com uma área estimada de 1.198.276 hectares para a safra de inverno 2024, o cultivo do trigo no Rio Grande do Sul avançou significativamente nas últimas semanas, impulsionado pelo tempo seco. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (17), 92% da área projetada já foi semeada, superando índices de anos anteriores. A expectativa é de que a semeadura seja finalizada dentro do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

As áreas implantadas em julho estão nos estágios iniciais de germinação e emergência, sendo necessárias chuvas regulares para o bom estabelecimento das plântulas. O desenvolvimento das lavouras varia conforme a região. Nas áreas semeadas em maio e junho, observa-se boa densidade populacional, crescimento uniforme e coloração verde intensa. Contudo, problemas regionais como umidade excessiva no Sul e altas temperaturas no Noroeste têm causado limitações, como amarelecimento foliar e início de doenças fúngicas.

Na região de Bagé, a semeadura atingiu cerca de 80%, abaixo do esperado para o período, especialmente em municípios como São Borja, Itaqui e Maçambará. As chuvas intensas exigiram replantios e correções em áreas com erosão. Já em Erechim, 90% da área foi semeada e apresenta bom desenvolvimento. Em Santa Rosa, 96% da área está cultivada, com destaque para o menor uso de insumos como estratégia para contenção de custos e melhor desempenho de lavouras implantadas mais tardiamente. O clima mais quente elevou o risco de pragas como pulgões e lagartas, que estão sob monitoramento.

Aveia branca: semeadura quase concluída e lavouras afetadas por estresse climático

A cultura da aveia branca também avança no Estado, com quase toda a área prevista de 401.273 hectares já semeada e produtividade média estimada em 2.254 kg/ha. O tempo firme favoreceu o desenvolvimento, embora persistam sintomas de estresse fisiológico, reflexo da saturação hídrica e baixa luminosidade. As áreas semeadas fora do Zarc e afetadas por geadas entre 30/06 e 03/07 sofreram danos, como branqueamento foliar e morte da haste principal, mas representam uma pequena fração da área total cultivada.

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Canola: cultivo encerrado e lavouras em recuperação

A semeadura da canola foi concluída no Rio Grande do Sul, com área estimada em 203.206 hectares e produtividade prevista de 1.737 kg/ha. O clima recente favoreceu a retomada do crescimento das plantas, com emissão de folhas e elongação da haste principal, demonstrando recuperação após os estresses anteriores.

Na região de Bagé, os tratos culturais seguem em áreas mais avançadas. Em Manoel Viana, maior polo regional, o desenvolvimento está limitado por baixas temperaturas e nebulosidade. Em São Borja, metade das lavouras está em floração. Já em Santa Rosa, 65% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 5% em enchimento de grãos. Os efeitos das geadas ainda são avaliados. Mesmo com estandês irregulares, há expectativa de compensação produtiva se as condições climáticas se mantiverem favoráveis.

Cevada: plantio finalizado e bom desenvolvimento inicial

A cevada também teve a semeadura finalizada, e as lavouras seguem em fase de desenvolvimento vegetativo com bom estabelecimento inicial. A preferência foi por cultivares adaptadas ao clima local, com ciclo precoce a médio e características ideais para produção cervejeira, como baixo teor proteico e bom rendimento de malte. Em Erechim, a produção está vinculada a contratos com indústrias de malte, garantindo padrão de qualidade e escoamento.

Pastagens e produção pecuária: melhora no cenário, mas ainda há desafios

As pastagens nativas seguem com baixa qualidade nutricional, devido às geadas, temperaturas baixas e pouca luz solar. Em propriedades sem pastagens de inverno, há risco de perda de escore corporal dos animais. Já os campos nativos melhorados e as pastagens cultivadas de inverno apresentaram desenvolvimento mais satisfatório, com início de oferta significativa de forragem e redução da dependência de suplementação. No entanto, o crescimento ainda é limitado em algumas regiões por fatores como geadas e dificuldades na adubação nitrogenada.

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Bovinocultura de leite: produção começa a se recuperar

A produção leiteira está em recuperação, especialmente nas regiões onde as pastagens de inverno foram bem implantadas e há parições programadas. A necessidade de ajustes na dieta persiste nos primeiros pastejos, devido à baixa taxa de fibra das forrageiras. O estado corporal e sanitário dos rebanhos é considerado satisfatório, e a suplementação alimentar tem sido necessária em áreas com menor oferta de forragem.

Ovinocultura: parições em andamento e manejo intensificado

A ovinocultura está no período de parições, exigindo intensificação no manejo de matrizes e cordeiros. O estado corporal e sanitário dos rebanhos é positivo, especialmente nas propriedades com pastagens de inverno e infraestrutura adequada. Onde há alta lotação ou falta de pastagens implantadas, os animais apresentam perda de peso, o que demanda maior suplementação.

Em Erechim, os rebanhos melhoraram com o retorno ao pastejo e uso de silagem, feno e ração.

Em Passo Fundo, o manejo está focado nas matrizes e cordeiros, com boas condições sanitárias.

Em Pelotas, aumentaram os nascimentos diários de cordeiros, principalmente das raças de carne e dupla aptidão. As fêmeas próximas da parição foram alojadas em galpões. A taxa de sobrevivência de cordeiros recém-nascidos teve leve queda, e os produtores realizam procedimentos como castração, caudectomia e vacinação contra o ectima contagioso. Nas propriedades com parições previstas para agosto, está em andamento a esquila pré-parto, além da suplementação alimentar das ovelhas em lactação.

A safra de inverno no Rio Grande do Sul avança com ritmo positivo, especialmente para o trigo, canola e cevada. Apesar dos desafios climáticos e da necessidade de manejo intensivo nas atividades pecuárias, o cenário apresenta sinais de recuperação e adaptação por parte dos produtores. A expectativa é de que a continuidade do clima favorável contribua para consolidar o bom desempenho das lavouras e da produção animal nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil

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Pesquisadores e centros meteorológicos internacionais identificaram sinais de que o El Niño de 2026 pode entrar para o grupo dos mais intensos das últimas décadas e permanecer ativo até o início de 2027. O fenômeno, potencializado pelo aquecimento global, tende a alterar o calendário agrícola brasileiro, com risco de atraso no plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba e excesso de chuvas no Sul, principal região produtora de trigo do País.

As projeções divulgadas entre maio e junho consolidaram a expectativa de um evento persistente. Em algumas áreas próximas à costa da América do Sul, o aquecimento da superfície do oceano chegou a ficar entre 2°C e 3°C acima da média, enquanto a região central do Pacífico registrava anomalias em torno de 0,7°C.

Diferentemente dos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o El Niño de 2026 se desenvolve em um cenário de aquecimento mais generalizado dos oceanos. Com menos contraste entre águas quentes e frias, os pesquisadores passaram a utilizar novos indicadores para medir a intensidade do fenômeno. Por esse critério, o episódio atual já apresenta características semelhantes às observadas em alguns dos eventos mais severos do registro histórico.

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No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. No Sul, a combinação entre o El Niño e outros padrões atmosféricos pode favorecer volumes de chuva acima da média durante a primavera e o verão. Para culturas de inverno, como o trigo, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo tende a ser mais importante que o volume acumulado, já que excesso de umidade durante a fase reprodutiva e na colheita pode afetar a qualidade dos grãos.

No Centro-Oeste e no Matopiba, o comportamento tradicional do fenômeno é diferente. As chuvas costumam se tornar mais irregulares no início da primavera, período que marca a abertura do plantio da soja. Eventuais atrasos na semeadura podem reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra em 2027, responsável por cerca de 80% da produção brasileira do cereal.

O País entra nesse cenário após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, além de uma colheita de 66,7 milhões de sacas de café e mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

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Segundo os especialistas, os impactos do fenômeno tendem a ser mais regionais do que nacionais. Enquanto parte das áreas produtoras pode registrar condições favoráveis, regiões dependentes da regularidade das chuvas, como Centro-Oeste e Matopiba, e áreas mais suscetíveis ao excesso de precipitações, como o Sul, devem concentrar maior atenção ao comportamento do clima ao longo da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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