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Safra de açúcar 24/25 será menor, mas não uma quebra; confira análise da hEDGEpoint

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Revisamos nossas estimativas para as safras 23/24 e 24/25. Com o clima mais seco do último mês, é plausível que a safra 23/24 acabe moendo toda a matéria-prima disponível, atingindo o nível de 651,5 Mt.

Enquanto isso, os preços recuperaram parte do terreno perdido após a queda significativa no mês passado, impulsionados por revisões para baixo da safra 24/25 do Centro Sul. A falta de chuvas reduziu a expectativa de cana bisada e aumentou a queda esperada para o TCH.

Portanto, revisamos para baixo a disponibilidade de cana de 640Mt para 620Mt. Impactando diretamente a produção de açúcar.

Entretanto, mesmo com uma redução na produção total da temporada 24/25, o Brasil continua sendo o principal componente de baixa. O país pode resolver os fluxos comerciais por conta própria, simplesmente aumentando as exportações durante a ausência do Hemisfério Norte, o que se mostrou uma realidade nos últimos dois meses.

Conforme discutido em nosso relatório anterior, as chuvas de dezembro foram decepcionantes em toda a região Centro Sul. Combinadas com temperaturas mais altas, induziram a uma grande queda na umidade do solo nas principais regiões produtoras de cana, como o estado de São Paulo. Isso contribui para a previsão de que a próxima safra pode não testemunhar outro ano de excelente TCH (toneladas de cana por hectare), o que leva à pergunta: até que ponto a produtividade pode diminuir?

“Neste relatório, nosso objetivo é explorar as principais tendências que podemos prever e destacar os pontos a serem observados, reconhecendo que é prematuro fazer previsões definitivas neste momento. Antes de entrarmos em 24/25, é importante observar que a falta de chuvas durante o último mês de 2023 não é apenas uma má notícia para o desenvolvimento da cana, mas também desencadeia uma menor sobra de cana, pois impulsiona a moagem tardia. Portanto, em vez de considerar 5Mt de cana bisada, esperamos atualmente que o Centro Sul moa toda a sua matéria-prima disponível em 23/24, cerca de 651,5Mt. Isso significa que, com um mix de açúcar de 48,7%, a região pode produzir cerca de 42,2Mt de açúcar e, dado o ritmo atual de exportação, alcançar uma contribuição total de 33Mt para o fluxo de comércio internacional”, estima Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint Global Markets.

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Observe que, embora a Williams não tenha compartilhado o resumo final de dezembro, os números anteriores da agência sugerem que o país quebrou seu próprio recorde para o mês, atingindo mais de 3,5 milhões de toneladas exportadas, também em acordo com a SECEX.

Como resultado direto, as 640Mt estimadas anteriormente para 24/25 já foram reduzidas em 5Mt por conta da cana bisada, para 635Mt. Mas essa não foi a única revisão que fizemos.

“Considerando o clima adverso observado até agora e seu impacto na umidade do solo e no NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) para o Centro Sul, nosso modelo aponta que o TCH deve diminuir em quase 6%, se o clima não for totalmente favorável nos próximos meses. Portanto, nosso caso base considera 80,8 t/ha de TCH em 24/25, o que, juntamente com uma expansão média de área de 1,24%, levaria a 620 Mt de cana”, de acordo com a analista.

Considerando os recentes investimentos feitos no processo de cristalização, a região seria capaz de atingir 50,9% de mix açúcar, o que levaria a, pelo menos, 41,7 Mt de açúcar na próxima temporada.

Como resultado, embora o TCH possa ser corrigido, isso não significa uma quebra de safra, pelo contrário, significa o segundo maior resultado até agora. O aumento das exportações permitiria que o Brasil resolvesse os fluxos comerciais. Portanto, embora tenham sido feitas correções em termos de disponibilidade, o fato de que o mercado internacional não parece tão apertado, apesar da redução da participação da Índia e da Tailândia, impede grandes reações de preço – tornando improvável que volte a 28c/lb.

É claro que há riscos. “Nossas estimativas mostram que há uma faixa viável entre 611Mt e 635Mt, dependendo estritamente do clima dos próximos meses. Se o clima for extremamente seco e quente, a produtividade da cana pode cair e levar a produção de açúcar para perto de 41 milhões de toneladas, o que provocaria algum aperto no T2/24. Enquanto isso, se as chuvas forem abundantes entre janeiro e março, poderemos ver alguma recuperação, elevando o excedente do 3T/24 e do 4T/24 a níveis mais altos e até mesmo criando algum volume de bisada. Portanto, o monitoramento rigoroso das condições climáticas é essencial, principalmente para decifrar as tendências de preços”, observa.

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E segue: “O Brasil continua sendo a principal influência de baixa e é provável que continue nesse papel. Apesar do possível suporte de curto prazo aos preços devido à escassez, é fundamental reconhecer que a situação geral não é tão grave quanto se previa anteriormente. Os fluxos comerciais sugerem uma perspectiva mais equilibrada para o 4T/23 e o 1T/24, indicando que uma faixa de 20.5-22.5c/lb parece ser o novo normal. Os traders precisarão empregar estratégias criativas se quiserem ultrapassar esse intervalo”.

Resumo, na semana passada, os preços recuperaram parte do terreno perdido após a queda significativa no mês passado, impulsionada por revisões para baixo da safra 24/25 do Centro Sul.

É importante destacar, no entanto, que essa queda não significa uma quebra de safra; na verdade, ela até aumenta a disponibilidade de curto prazo, já que a seca de dezembro incentivou a moagem tardia de 23/24. Países como a Índia e a Tailândia contribuem para o lado altista da equação, mas o Brasil pode conseguir resolver o déficit dos fluxos comerciais por conta própria. A queda esperada do TCH será parcialmente compensada pelo incremento da cristalização, o que significa que o Centro Sul ainda poderá produzir cerca de 42 Mt na próxima temporada com disponibilidade reduzida de matéria-prima, 620 Mt.

Fonte: hEDGEpoint Global Markets

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dólar recua com avanço nas negociações entre EUA e Irã e inflação americana abaixo do esperado

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Dólar cai com redução das tensões geopolíticas

O dólar registrou queda nos mercados internacionais, pressionado pelo aumento do otimismo em relação a um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Segundo o analista Rich Asplund, da Barchart, a moeda americana perdeu força após notícias indicarem a possibilidade de extensão do cessar-fogo de duas semanas, com negociações podendo ser retomadas nos próximos dias.

Como reflexo, o índice do dólar (DXY) recuou 0,33%, atingindo o menor nível em seis semanas.

Inflação nos EUA abaixo das expectativas pressiona moeda

Outro fator relevante para a queda do dólar foi a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado.

Os dados indicam que:

  • O PPI cheio subiu 0,5% no mês e 4,0% em relação ao ano, abaixo das projeções de 1,1% e 4,6%
  • O núcleo do PPI (excluindo alimentos e energia) avançou 0,1% no mês e 3,8% no ano, também abaixo das expectativas

Apesar de ainda indicar pressão inflacionária, o resultado mais fraco reforça a percepção de desaceleração, contribuindo para a desvalorização do dólar.

Expectativa de juros também pesa sobre a moeda americana

O dólar segue pressionado também por perspectivas menos favoráveis para os diferenciais de juros globais.

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De acordo com o analista, o Federal Reserve (Fed) pode realizar cortes de pelo menos 25 pontos-base em 2026, enquanto outros bancos centrais relevantes, como o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, podem seguir caminho oposto, com possíveis elevações de juros no mesmo período.

Esse cenário reduz a atratividade relativa da moeda americana frente a outras divisas.

Euro e iene avançam diante da fraqueza do dólar

Com o enfraquecimento do dólar, outras moedas ganharam força no mercado internacional.

O euro apresentou valorização, com o par EUR/USD atingindo a máxima em seis semanas, em alta de 0,37%. O movimento também foi favorecido pela queda de cerca de 5% nos preços do petróleo, fator positivo para a economia da zona do euro, que depende de importação de energia.

Já o iene japonês também se valorizou, com o par USD/JPY recuando 0,48%. Além da fraqueza do dólar, a moeda japonesa foi sustentada pela revisão positiva da produção industrial do Japão e pela queda nos preços do petróleo, importante para um país altamente dependente de energia importada.

Ouro e prata sobem com dólar fraco e busca por proteção

Os metais preciosos registraram forte valorização no dia, acompanhando o recuo do dólar.

O ouro e a prata avançaram, com destaque para a prata, que atingiu o maior nível em três semanas e meia.

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A queda do dólar tende a favorecer esses ativos, tornando-os mais atrativos globalmente. Além disso, a redução das preocupações inflacionárias pode abrir espaço para políticas monetárias mais flexíveis, outro fator de suporte para os metais.

Incertezas seguem sustentando demanda por ativos de segurança

Apesar do otimismo com possíveis avanços diplomáticos, o cenário internacional ainda apresenta riscos relevantes.

Entre os fatores que mantêm a demanda por ativos de proteção estão:

  • Tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã
  • Incertezas sobre políticas comerciais e tarifas americanas
  • Turbulências políticas internas nos EUA
  • Níveis elevados de déficit público

Além disso, medidas como o bloqueio naval no Estreito de Ormuz reforçam a percepção de risco global, sustentando o interesse por metais preciosos como reserva de valor.

Mercado global segue sensível a dados e geopolítica

O comportamento recente do dólar reflete um ambiente global altamente sensível tanto a indicadores econômicos quanto a eventos geopolíticos.

Nos próximos dias, a trajetória da moeda americana deve continuar atrelada à evolução das negociações no Oriente Médio, aos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos e às expectativas sobre a política monetária das principais economias do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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