AGRONEGÓCIO
Rodada de couro e peles do Exporta Mais Brasil: US$ 7,1 milhões são esperados em negócios para os próximos 12 meses
Publicado em
5 de abril de 2024por
Da RedaçãoNessa terça-feira (02/04), ocorreram as rodadas de negócios da 15ª edição do Exporta Mais Brasil, que podem gerar até US$ 7,1 milhões nos próximos 12 meses. Em São Luís (MA), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), promoveu negócios entre compradores de cinco diferentes países e empresas brasileiras do setor de couro e peles. O segundo dia do Exporta Mais Brasil – São Luís contou ainda com seminário sobre as tendências do comércio exterior e do design do setor.
“O Exporta Mais Brasil é um programa criado para aproximar todas as regiões do comércio exterior, diversificando as origens das exportações brasileiras. O jeito de fazer isso é simples e eficaz: um diálogo franco e direto entre quem compra e quem vende, e, nessa edição, conseguimos aproximar o setor coureiro do país de novos mercados”, comentou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.
Desenvolver novos espaços para a produção e exportação de couro do Brasil é um objetivo do Brazilian Leather, projeto da ApexBrasil em conjunto com o CICB, e uma pauta convergente com o propósito do Programa Exporta Mais Brasil. Para o presidente executivo do Centro, José Fernando Bello, “em São Luís, tivemos a oportunidade de estabelecer novos contatos, integrar ainda mais a cultura empreendedora com a tecnologia e a vocação exportadora do Estado junto ao nosso trabalho. O Exporta Mais Brasil é um programa de muito êxito, que vai trazer resultados para o Brazilian Leather e as empresas curtidoras nacionais”.
Rodadas de negócios
As Rodadas de Negócios colocaram, frente a frente, compradores dos Estados Unidos, África do Sul, China, Colômbia e Equador com empreendedores brasileiros. “É uma experiência extraordinária conhecer novos fornecedores do Brasil trazidos pela ApexBrasil. Esperamos bons resultados”, disse Craig van Heerden, diretor da HideSkin, da África do Sul, importador que compra aproximadamente 650 peles e couro bovino por mês e precisa aumentar o volume.
Christian Orbe, gerente da Bunky, do Equador, fábrica de calçados com 800 distribuidores para cobertura nacional, era um dos mais empolgados. “É uma iniciativa linda da ApexBrasil e estamos abraçando as novas oportunidades, desejando fazer novos negócios”, disse.
Uma das empresas nacionais participantes foi a Casa da Sela. Igor Santiago, diretor da empresa, começou sua trajetória em busca do mercado internacional com o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), iniciativa da ApexBrasil, e nessa edição do Exporta Mais participou, pela primeira vez, de uma rodada de negócios internacionais. “Nossa empresa é de Governador Edson Lobão, o polo industrial do couro aqui no Maranhão, e a experiência de conversar com compradores de países como África do Sul, Colômbia e China e o networking que tivemos aqui foi muito importante para nós, e ainda temos a expectativa de fechar negócio”, contou o empreendedor.
A Curtidora Ribeirãozinho, também de Governador Edison Lobão, foi outra participante e, nas rodadas, estabeleceu diálogos para futuros contratos com todos os compradores. “Estamos muito satisfeitos e esperançosos por fechamento de negócios”, disse Marcio Rogério Caliman, representante da empresa.
Camila Belo, coordenadora do Centro Internacional de Negócios da FIEMA, explicou que o CIN e a ApexBrasil trabalham juntos para impulsionar as exportações dos produtos maranhenses. “A ApexBrasil procurou o Centro Internacional de Negócios da FIEMA para que pudesse sediar a 15ª edição do Exporta Mais Brasil, e foi muito satisfatório ver empresas não só do Maranhão, mas de todo o país fazendo negócios aqui”, disse.
Tendências do couro brasileiro
A rodada do Exporta Mais Brasil no Maranhão teve ainda na programação um seminário focado no mercado, tendências e projeções para o setor de couro. Rogério Cunha, da Inteligência Comercial do CICB, fez uma apresentação compartilhando dados, números e um panorama sobre a indústria de couro e seus canais de vendas. Na mesma oportunidade, o designer e especialista em processo criativo Marnei Carminatti falou das tendências do setor. Após a rodada, Marnei, que é gestor e coordenador do projeto Preview do Couro do Brazilian Leather, comentou: “A sustentabilidade é algo fundamental no pensamento e desenvolvimento do couro brasileiro. Não apenas as certificações e a rastreabilidade, mas principalmente beneficiar espaços e comunidades onde esse couro é desenvolvido, produzindo matéria-prima que possa ser exportada para beneficiar também essas localidades e essas pessoas”, reforçou.
São fatos que refletem o engajamento dos mais de 200 curtumes estabelecidos no país e reafirmam o caráter sustentável do couro, que, não raro, sofre com desinformação geral sobre suas características. O setor de couro e peles é, por sua natureza, um segmento ligado à economia circular: tendo o couro conexão com a indústria da carne e do leite, as empresas de curtume beneficiam, agregam valor e dão novo sentido a este material. Nenhum bovino é criado exclusivamente para o fornecimento de sua pele: a carne é sempre o principal objetivo dos criadores.
“A pele é transformada em couro, que dá origem a produtos que perduram por gerações, calçando, protegendo e vestindo pessoas, ou criando móveis e artefatos que facilitam as atividades e oferecem conforto”, reforçou o presidente executivo do CICB. Busca-se valorizar o couro por seus atributos de qualidade, durabilidade, beleza e seu caráter orgânico.
A indústria do couro no país é estruturada por séculos de atividade. Com pesquisa, conhecimento e tecnologia, o couro do Brasil atingiu índices notáveis em controles e certificações: trata-se do país com o maior número de selos de sustentabilidade do mundo, tendo, inclusive, um específico do território nacional, a Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB). Com essa dedicação, alcançou a excelência em indicadores como os que seguem: 94,4% dos curtumes do país fazem o controle diário de efluentes líquidos, 100% das empresas têm profissional específico para lidar com questões ambientais na organização (ou profissional específico e consultoria externa), 100% possuem coleta seletiva de resíduos sólidos e 88,9% têm controle sobre o volume diário de água consumida.
Sobre o Exporta Mais Brasil
Com o slogan “Rodando o país para as nossas empresas ganharem o mundo”, o Exporta Mais Brasil foi criado pela ApexBrasil com o objetivo de potencializar as exportações do país a partir de uma aproximação ativa com diferentes setores da economia de todas as regiões do Brasil. Por meio do programa, empresas brasileiras têm a oportunidade de se reunir com compradores internacionais que vêm ao país em busca de produtos e serviços ligados a setores específicos. Em 2023, com investimento de R$ 5 milhões, o Exporta Mais Brasil completou 13 rodadas em 13 estados brasileiros, dedicadas a 13 diferentes setores produtivos. O programa movimentou, ao todo, R$ 275 milhões em negócios e promoveu 3.496 reuniões de negócios entre 143 compradores internacionais de 41 países e 487 empresas brasileiras. Em 2024, mais 14 estados brasileiros serão visitados pelo programa que contemplará mais 14 setores produtivos.
A próxima rodada do programa será em Maceió (AL), de 10 a 13 de abril, dedicada ao setor de alimentos e bebidas saudáveis.
Fonte: ApexBrasil
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Mercado de arroz segue travado no Brasil, mas fundamentos globais apontam cenário mais favorável para os preços
Published
17 minutos agoon
12 de junho de 2026By
Da Redação
O mercado brasileiro de arroz continua operando em ritmo lento, com baixa liquidez e poucas referências de preços, refletindo a cautela de produtores e compradores diante de um cenário ainda marcado pelo excesso de oferta e pela necessidade de ampliar as exportações. Apesar das dificuldades no mercado interno, indicadores internacionais começam a sinalizar fundamentos mais positivos para o setor no médio prazo.
Segundo análise de Safras & Mercado, o ambiente segue sem fatores capazes de provocar mudanças significativas na dinâmica entre oferta e demanda, mantendo os agentes à espera de sinais mais consistentes para a tomada de decisões comerciais.
“O sentimento predominante continua sendo de espera, tanto por parte dos vendedores quanto dos compradores”, destaca o analista e consultor Evandro Oliveira.
Escoamento dos excedentes continua sendo principal desafio
Após a conclusão da colheita, o setor arrozeiro concentra atenções na necessidade de reduzir os estoques acumulados. O volume disponível no mercado doméstico permanece elevado, aumentando a dependência do comércio exterior para equilibrar a oferta.
Embora as exportações sigam ocorrendo, o ritmo dos embarques ainda está abaixo do necessário para promover uma redução significativa da disponibilidade física do cereal.
Na avaliação dos especialistas, o desempenho das vendas externas será determinante para a recuperação dos preços e para o equilíbrio do mercado nos próximos meses.
Dólar mais fraco reduz competitividade do arroz brasileiro
Outro fator que tem limitado o avanço do setor é o comportamento do câmbio. Após um período de valorização, o dólar perdeu força nas últimas semanas e voltou a operar próximo da faixa de R$ 5,00.
A movimentação reduz a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional, uma vez que diminui a atratividade das exportações e enfraquece a paridade de exportação.
Em um momento em que o setor depende fortemente da ampliação dos embarques para absorver os excedentes da safra, o recuo da moeda norte-americana representa um desafio adicional para a cadeia produtiva.
Relatório do USDA fortalece perspectiva altista para o mercado global
Enquanto o mercado doméstico enfrenta dificuldades, o cenário internacional apresenta sinais mais construtivos para os próximos meses.
O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe revisões importantes para o balanço global do arroz, indicando um aperto gradual na oferta mundial.
Entre os principais destaques estão:
- Redução de 3,53 milhões de toneladas na produção global de arroz beneficiado;
- Corte de 1,51 milhão de hectares na área cultivada mundial;
- Diminuição dos estoques finais globais;
- Manutenção do consumo mundial em níveis recordes.
Os números reforçam a percepção de que o mercado internacional poderá operar com menor folga entre oferta e demanda durante a temporada 2025/26.
Embora os estoques globais ainda sejam considerados confortáveis, a redução observada em relação aos últimos ciclos fortalece a expectativa de um ambiente mais favorável para a sustentação dos preços internacionais.
Preços continuam pressionados no Rio Grande do Sul
Mesmo diante dos sinais positivos no mercado externo, os preços do arroz seguem pressionados no principal estado produtor do país.
A média da saca de 50 quilos de arroz em casca no Rio Grande do Sul, com padrão de 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a última quinta-feira cotada a R$ 58,79.
O valor representa:
- Queda de 0,37% em relação à semana anterior;
- Recuo de 3,54% na comparação mensal;
- Desvalorização de 13,03% frente ao mesmo período de 2025.
Os números refletem a dificuldade do mercado em absorver a oferta disponível e a necessidade de uma aceleração das exportações para que ocorra uma recuperação mais consistente das cotações.
Perspectiva para o setor
A expectativa dos agentes do mercado é de que a combinação entre redução da oferta mundial, estoques globais menores e consumo crescente possa criar um ambiente mais favorável para o arroz nos próximos meses.
Entretanto, a recuperação dos preços no Brasil continuará diretamente ligada ao desempenho das exportações, ao comportamento do câmbio e à capacidade de escoamento dos excedentes da safra.
Enquanto esses fatores não apresentarem mudanças mais significativas, o mercado deverá permanecer operando com baixa liquidez, negociações pontuais e forte atenção aos movimentos do cenário internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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