AGRONEGÓCIO
Revolução Verde no Setor Florestal: Eficiência Energética Transforma Operações e Reduz Impacto Ambiental
Publicado em
28 de agosto de 2024por
Da Redação
A busca por eficiência energética tem se tornado uma prioridade para as empresas do setor florestal, que cada vez mais reconhecem a importância de alinhar suas operações aos princípios da sustentabilidade. De acordo com Igor Dutra de Souza, Diretor Florestal da Reflorestar Soluções Florestais, a adoção de máquinas modernas, a qualificação dos profissionais e a implementação de práticas inovadoras têm sido essenciais para reduzir o consumo de combustíveis e, consequentemente, as emissões de CO2. Além disso, o aumento da produtividade é uma realidade concreta, mostrando que a prosperidade econômica pode, sim, caminhar de mãos dadas com a responsabilidade ambiental.
Desde 2021, a Reflorestar investiu cerca de R$ 37,7 milhões em máquinas e implementos para otimizar suas operações. A empresa substituiu equipamentos com alto desgaste e elevado consumo de diesel por maquinário mais moderno, eficiente e com menor consumo de combustível. A troca de implementos menores, como os conjuntos traçadores, por versões de maior porte também resultou em ganhos significativos de produtividade.
Entre 2021 e 2023, essas mudanças permitiram uma economia de aproximadamente 330 mil litros de diesel nas operações de colheita de árvores em áreas reflorestadas. Essa economia não só elevou a eficiência energética, mas também promoveu um manejo florestal mais sustentável, minimizando o impacto ambiental. Como resultado, foram evitadas mais de 850 toneladas de emissões de CO2.
A eficiência no consumo de diesel por metro cúbico processado nas operações de corte, arraste e traçamento no sistema Full Tree também foi notável, reduzindo de 0,44 l/m³ para 0,30 l/m³. A previsão da empresa para 2024 é uma nova redução, atingindo 0,27 l/m³. Em termos de produtividade, o rendimento médio do sistema Full Tree aumentou de 107,96 m³/h em 2021 para 127,55 m³/h em 2023, com expectativa de alcançar 140,17 m³/h em 2024.
A manutenção mecânica também foi aprimorada com a criação da “Oficina de Afiação Móvel para Manutenção do Conjunto de Corte”, conhecida como “Casinha de Afiação”. Essa inovação elimina a necessidade de deslocamento de equipamentos por até mil quilômetros mensais para reparos, reduzindo o consumo de diesel e as emissões de CO2. A estrutura permite a realização de reparos diretamente no campo, onde a máquina está em operação, otimizando tempo e recursos.
A Reflorestar mantém uma rotina rigorosa de inspeção de todas as suas máquinas e implementos utilizados na silvicultura, colheita e carregamento de madeira, seguindo as orientações dos fabricantes e realizando os ajustes necessários. O uso de peças genuínas assegura a confiabilidade dos resultados ambientais e a eficiência operacional das máquinas. A qualidade do diesel também é monitorada de perto, garantindo que sua procedência respeite os princípios de sustentabilidade e promova o desempenho adequado.
Além da mecanização, o elemento humano é crucial. A capacitação técnica e comportamental dos operadores é fundamental para aumentar a produtividade e garantir práticas ambientais adequadas. Um operador que não maneja uma máquina moderna de forma correta pode levar a um consumo excessivo de combustível e a maiores emissões de CO2. Portanto, incorporar os princípios sustentáveis à cultura corporativa é essencial, para que todos os colaboradores entendam seu papel na promoção desses valores.
O compromisso com a eficiência energética não só fortalece a sustentabilidade ambiental, como também solidifica a responsabilidade corporativa e a inovação tecnológica como pilares estratégicos para o futuro do setor florestal.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra
Published
13 horas agoon
25 de setembro de 2026By
Da Redação
A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.
Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.
A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.
Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.
Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.
A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.
O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.
No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.
A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.
Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.
O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.
Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.
O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.
Fonte: Pensar Agro
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