AGRONEGÓCIO

Retorno da oferta de potássio pressiona produtores a reduzir a produção

Publicado em

O fornecimento global de potássio está se aproximando dos níveis observados antes da invasão da Ucrânia, à medida que Rússia e Bielorrússia contornam as sanções ocidentais e aumentam os embarques para a Ásia e a América do Sul. Essa dinâmica tem levado os produtores a cortar a produção e a evitar o excesso de oferta no mercado.

Para este ano, a produção de potássio deve atingir 73 milhões de toneladas métricas, com exportações da Rússia entre 12 e 13 milhões de toneladas e da Bielorrússia em torno de 10 milhões de toneladas, segundo Julia Campbell, chefe do serviço de precificação de potássio da agência de preços de commodities Argus.

Os preços do potássio começaram a se normalizar após um período de volatilidade que se seguiu à invasão da Ucrânia. “As exportações russas caíram drasticamente no início do conflito devido a desafios financeiros e logísticos, mas esses problemas diminuíram com o tempo”, explica Campbell.

Além disso, o aumento das exportações de potássio do Canadá, Jordânia e Laos também tem contribuído para a oferta global e redução dos preços, gerando preocupações sobre um possível excesso de oferta, com uma leve melhora na demanda projetada apenas para 2025.

Durante os relatórios de lucros semestrais, grandes produtores de potássio, como a empresa alemã K+S, adotaram uma perspectiva otimista sobre o crescimento da demanda e a estabilização dos preços. Contudo, analistas advertiram que a abundância da oferta global limitará os preços, impactando as perspectivas de lucro das empresas. “Não acredito que haverá algum tipo de prêmio de preço ou benefício real em decorrência da mudança global na oferta e no comércio. Observamos isso principalmente em 2022 e 2023, quando os preços permaneceram moderados”, afirma Seth Goldstein, analista da Morningstar.

Leia Também:  Expectativa de margens menores deve reduzir área de cultivo de trigo no Brasil

O Canadá, que aumentou significativamente sua participação no comércio global de potássio em 2022, viu as participações da Bielorrússia e da Rússia diminuírem. Desde então, os preços do potássio caíram para menos de US$ 300 por tonelada, após alcançarem um pico de US$ 1.000 em meados de 2022, devido à fraca demanda, segundo dados da Argus.

“Estamos nos aproximando dos custos operacionais de produção, o que pode forçar algumas empresas a reduzir a produção”, alerta Paul Joules, analista do Rabobank. A Nutrien, maior produtora mundial de potássio, anunciou em agosto a suspensão de seus planos de aumento da produção, citando condições desfavoráveis de mercado.

Aumento das remessas e preocupações crescentes

Os produtores russos têm intensificado os embarques para a China e a Índia, utilizando novas rotas ferroviárias desde que a Rússia se retirou do acordo de grãos do Mar Negro no ano passado. Isso resultou em uma demanda crescente no Sudeste Asiático e na América do Sul, de acordo com Goldstein.

Exportadores bielorrussos estão transferindo cargas dos portos do Báltico para portos russos e oferecendo potássio com desconto por meio dessas novas rotas, contornando as sanções.

Leia Também:  Mercado de trigo segue travado no Sul; moinhos priorizam cereal de qualidade e produtores reduzem expectativa para nova safra

Paralelamente, a Eurochem, sediada na Suíça, está expandindo suas operações nas unidades de Usolskiy e Volgakaliy na Rússia. Humphrey Knight, analista da CRU London, observa que “o setor de MOP (muriato de potássio) já está passando por um período de oferta muito alta”.

Impacto no setor agrícola e nos preços

A queda nos preços do potássio tem melhorado a acessibilidade de alguns grãos e sementes oleaginosas, segundo Delphine Leconte-Demarsy, consultora de fertilizantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. “Nos EUA, o potássio continua mais caro do que antes do aumento de preço, mas isso é compensado pelos preços comparativamente mais altos das safras”, explica.

Entretanto, os agricultores locais têm enfrentado impactos distintos, dependendo dos custos logísticos e das taxas de câmbio. “Na China, embora o potássio esteja mais acessível atualmente, a depressão dos mercados de arroz limita o uso deste insumo nessa cultura”, complementa.

No Brasil, um grande exportador de produtos agrícolas, os preços do potássio voltaram aos níveis de 2019, incentivando seu uso em culturas de maior valor, como soja e milho. Joules, do Rabobank, destaca que os agricultores continuarão a colher benefícios, uma vez que o mercado restrito deve manter os preços do potássio abaixo das médias históricas. (1 dólar = 0,9215 euros)

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

Published

on

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

Leia Também:  INTERCOOPERAÇÃO: Queijaria da Unium deve iniciar em breve os testes de produção

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

Leia Também:  Desafios no mercado de feijão brasileiro devido à oferta limitada em janeiro

Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA