AGRONEGÓCIO
Resistência natural: estudo revela defesa de gramínea brasileira contra cigarrinha-das-pastagens
Publicado em
6 de março de 2025por
Da Redação
Uma pesquisa conduzida por cientistas brasileiros identificou que a gramínea nativa Paspalum regnellii possui mecanismos naturais de defesa contra a cigarrinha-das-pastagens (Mahanarva spectabilis), uma das principais pragas dos pastos tropicais. Os prejuízos causados por esse inseto chegam a bilhões de dólares, impactando diretamente a pecuária brasileira. O estudo revelou que dois genótipos da planta (BGP 248 e BGP 344) apresentam diferentes estratégias para combater a praga, abrindo caminho para novas pesquisas em melhoramento genético.
Os pesquisadores analisaram a sobrevivência das ninfas da cigarrinha, o transcriptoma das raízes infestadas e a anatomia radicular para compreender as respostas de defesa da planta. Os resultados foram publicados na revista internacional Plant Molecular Biology Reporter, no artigo “Elucidando Respostas Moleculares ao Ataque da Cigarrinha em Paspalum regnellii”.
Segundo a pesquisadora Bianca Vigna, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), existem plantas resistentes a cigarrinhas de outros gêneros, como Deois e Notozulia, mas a Mahanarva spectabilis tornou-se uma praga significativa para as pastagens brasileiras. “A cigarrinha é um dos principais desafios para a produção de pastagens, e compreender como as plantas reagem a esse ataque pode ser a chave para o desenvolvimento de cultivares mais resistentes”, explica Vigna.
Caminhos para o melhoramento genético
O estudo revelou que o genótipo BGP 344 apresenta uma resposta mais rápida ao ataque da cigarrinha, com maior taxa de mortalidade das ninfas nos primeiros 21 dias de infestação. Esse mecanismo de defesa inclui uma maior lignificação das raízes, que dificulta a alimentação do inseto, além da ativação de vias metabólicas ligadas à produção de compostos defensivos. Já o genótipo BGP 248 demonstrou resistência mais tardia, sugerindo diferentes estratégias de defesa entre as variedades estudadas.
O Brasil, sendo um dos maiores produtores de carne bovina do mundo, depende da qualidade das pastagens para sustentar sua produção pecuária. O controle químico da cigarrinha é inviável em larga escala devido a questões econômicas e ambientais, tornando essencial o desenvolvimento de variedades forrageiras naturalmente resistentes.
Potencial das espécies nativas
De acordo com o pesquisador Marcos Gusmão, espécies nativas como Paspalum regnellii são mais tolerantes à cigarrinha-das-pastagens e apresentam elevado potencial forrageiro. A Embrapa Pecuária Sudeste mantém um Banco de Germoplasma de Paspalum, essencial para programas de melhoramento genético.
Apesar da resistência dessas plantas, elas ainda não são amplamente cultivadas em regiões tropicais afetadas pela praga. Vigna destaca que P. regnellii vem sendo utilizada como genitora em cruzamentos para obter híbridos mais produtivos, de maior qualidade nutricional e resistentes à Mahanarva spectabilis.
Avanços na biotecnologia
A escolha da espécie para o estudo baseia-se em seu potencial para melhoramento genético e sua resistência natural. Os pesquisadores também buscam identificar genes-chave para essa defesa, visando aplicações biotecnológicas, como edição gênica, tanto em Paspalum quanto em outras gramíneas forrageiras.
O grupo de pesquisa está aprofundando os estudos sobre os micro RNAs envolvidos na resistência do genótipo BGP 344, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dentro do Centro de Melhoramento Molecular de Plantas.
Financiamento e colaborações
O estudo foi desenvolvido durante o mestrado da pesquisadora Isabela Begnami e contou com financiamento da Embrapa, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto).
Participaram da pesquisa Bianca Vigna, Marcos Gusmão, Frederico Matta e Wilson Malagó Júnior, da Embrapa Pecuária Sudeste; Isabela Begnami, Alexandre Aono, Diego Graciano, Sandra Carmello-Guerreiro, Anete de Souza e Rebeca Ferreira, da Unicamp.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
Published
3 horas agoon
25 de julho de 2026By
Da Redação
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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