AGRONEGÓCIO

Rabobank: Análise Macroeconômica sobre as Decisões do Novo Copom

Publicado em

O estudo realizado pelo Rabobank analisa o atual cenário macroeconômico brasileiro, com foco na recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Os especialistas Maurício Une e Renan Alves abordam as implicações da decisão de aumento da taxa Selic, destacando as projeções inflacionárias e os desafios para a política monetária sob a presidência de Gabriel Galípolo.

Decisão do Copom: Aumento da Selic para 13,25%

Na sua primeira reunião com Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, o Copom tomou uma decisão unânime e conforme as expectativas do mercado: elevou a taxa Selic para 13,25%, com um aumento de 100 pontos-base. A medida reforça a postura contracionista da política monetária, adotada para enfrentar os desafios inflacionários do país.

Expectativas de Inflação e Projeções Futuras

As expectativas de inflação têm mostrado deterioração, não apenas no horizonte relevante para a política monetária, mas também em períodos mais longos. Para 2025, a projeção de inflação aumentou para 5,5%, ante 4,6% na reunião anterior. No terceiro trimestre de 2026, a estimativa subiu de 4,0% para 4,4%. Para os anos seguintes, as projeções também foram ajustadas para cima, com a estimativa de inflação para 2026 indo de 4,0% para 4,2%, e para 2027, de 3,6% para 3,9%.

Leia Também:  Prefeito e primeira-dama participam destacam parceria para autistas
Revisão das Projeções e Impactos da Política Monetária

Com base nesse cenário, o Copom ajustou sua projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2026, elevando-a para 4,0% — um aumento de 20 pontos-base em relação à reunião de dezembro de 2024. Esta revisão leva em consideração a expectativa de que a taxa Selic atinja 15,00% até junho de 2025, mantendo-se nesse nível até o final do ano.

Riscos Inflacionários e Perspectivas para a Política Monetária

O Copom manteve a postura de cautela, destacando os riscos assimétricos à inflação. Entre os fatores de risco altistas, o comitê citou a possibilidade de uma desvalorização cambial persistente, que poderia impactar mais intensamente a inflação devido a políticas econômicas internas e externas. Contudo, a desaceleração da atividade econômica doméstica foi identificada como um risco baixista para a inflação.

Projeções para o Ciclo de Alta da Selic e Impactos Econômicos

De acordo com a análise do Rabobank, a expectativa é de que o Copom continue o ciclo de aperto monetário até que a taxa Selic atinja 15,00% em 2025. Além da alta já prevista para março de 2025, o banco prevê um aumento adicional de 50 pontos-base em maio e um ajuste final de 25 pontos-base em junho. A partir de 2026, cortes na taxa de juros poderão ocorrer, desde que as expectativas de inflação se alinhem à meta de 3,0%.

Leia Também:  Macaúba conta agora com Zoneamento Agrícola de Risco Climático
Expectativas para a Ata do Copom

A divulgação da ata da reunião, agendada para a próxima terça-feira, trará detalhes adicionais sobre a postura do Banco Central diante das pressões inflacionárias e da economia em geral. Essas informações serão cruciais para o mercado financeiro calibrar suas projeções para os próximos meses e avaliar os próximos passos do Copom.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Carne brasileira sob pressão: risco de perda de competitividade global cresce com exigências sanitárias da União Europeia

Published

on

Panorama do conflito sanitário com a União Europeia

A recente suspensão das exportações de carne brasileira para a União Europeia acendeu um alerta no agronegócio nacional. O episódio evidencia um ponto crítico: a necessidade de comprovação prática, auditável e contínua de conformidade com as exigências sanitárias do bloco europeu.

Segundo especialistas do setor jurídico agro, o Brasil corre o risco de perder competitividade internacional caso não consiga demonstrar, de forma estruturada, o cumprimento integral das normas de rastreabilidade e controle de uso de antimicrobianos.

Para a advogada Ieda Queiroz, do CSA Advogados, o problema vai além do acesso ao mercado europeu e atinge diretamente a reputação do país no comércio global de proteínas.

UE exige comprovação total da cadeia produtiva

“A União Europeia não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Se o Brasil não demonstrar, de forma verificável, que cumpre as regras de uso de antimicrobianos e de rastreabilidade animal, o impacto será duradouro”, afirma a especialista.

De acordo com ela, a exigência europeia não se limita a boas práticas declaradas, mas envolve auditorias, registros completos e rastreabilidade individual dos animais ao longo de toda a cadeia produtiva — do campo ao processamento industrial.

Governo tenta resposta técnica, mas desafio é estrutural

O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que está reunindo relatórios técnicos e dados de fiscalização para encaminhamento às autoridades europeias. O objetivo é esclarecer pontos regulatórios e demonstrar avanços recentes na governança sanitária brasileira.

Leia Também:  Estado transfere prédio do Nilo Póvoas para Cuiabá montar complexo para autistas e neurodivergentes

Apesar da movimentação diplomática e técnica, o desafio estrutural permanece: a União Europeia condiciona qualquer reabilitação do Brasil à comprovação prática e contínua de conformidade em toda a cadeia produtiva.

Proibição de antibióticos não resolve o problema sozinha

Em abril de 2026, o governo federal proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, incluindo substâncias como avoparcina, bacitracina e virginiamicina.

A medida foi considerada um avanço regulatório importante, mas, segundo especialistas, ainda insuficiente para atender integralmente às exigências europeias. A UE também demanda sistemas robustos de rastreabilidade individual, auditorias independentes e documentação completa de conformidade sanitária.

Falhas de rastreabilidade e desigualdade regional preocupam

Uma investigação conduzida pela Irish Farmers’ Association em quatro estados brasileiros, no segundo semestre de 2025, apontou que a adequação plena às exigências europeias tende a ser um processo de longo prazo.

O relatório identificou inconsistências documentais, fragilidades nos sistemas de rastreabilidade e grande variação entre regiões e perfis de produtores.

Pressão internacional deve aumentar nos próximos anos

Além da pauta sanitária, a resistência antimicrobiana (AMR) tem ganhado espaço nas discussões globais e pode ampliar barreiras comerciais em diferentes mercados.

Outro fator de pressão é o avanço do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR), que deve entrar em vigor no segundo semestre de 2026, impondo novas exigências ambientais para exportadores de commodities agropecuárias.

Leia Também:  Ação do Mapa impede entrada de besouro exótico que ameaça produção apícola no Brasil
Impacto econômico já preocupa exportadores

Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 1,8 bilhão em carnes para a União Europeia, equivalente a 368,1 mil toneladas. O bloco europeu é hoje o segundo principal destino em valor para as proteínas brasileiras.

Com a suspensão, o setor já observa pressão sobre contratos futuros e renegociações internacionais. Caso a situação não seja resolvida com rapidez e estruturação técnica, a perda potencial pode se aproximar de US$ 2 bilhões anuais.

Conclusão: tempo, governança e integração serão decisivos

Especialistas apontam que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais, mas precisa acelerar a integração entre setor público e cadeia produtiva privada.

“O Brasil tem capacidade técnica para atender às exigências, mas precisa agir com velocidade. Cada mês de atraso representa perda de mercado e de credibilidade”, destaca Ieda Queiroz.

O cenário reforça que o futuro da competitividade da carne brasileira no mercado global dependerá menos de normas isoladas e mais de sistemas integrados, auditáveis e contínuos de conformidade sanitária e rastreabilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA