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Gestão financeira no agro se torna fator decisivo para acesso a crédito além do Plano Safra

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O acesso ao crédito no agronegócio brasileiro está passando por uma mudança estrutural. Mais do que produção, escala ou histórico no campo, a gestão financeira e a governança passaram a ser critérios determinantes para a obtenção de financiamento em condições competitivas.

A análise é de Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, que aponta um cenário recorrente no campo: produtores com operações robustas e alto faturamento ainda dependem majoritariamente do Plano Safra por falta de estrutura organizacional e financeira.

Falta de governança ainda limita acesso a crédito no agro

Segundo Galvani, o principal entrave hoje não está na capacidade produtiva do setor, mas na organização financeira das propriedades rurais.

Entre os problemas mais comuns estão:

  • Demonstrações financeiras pouco estruturadas
  • Ausência de fluxo de caixa projetado
  • Contratos informais em operações comerciais
  • Baixa separação entre pessoa física e jurídica
  • Falta de planejamento financeiro de médio e longo prazo

Na prática, esse conjunto de fatores restringe o acesso a linhas de crédito mais sofisticadas e competitivas, deixando o produtor dependente de programas tradicionais de financiamento.

“Vejo operações robustas no campo, mas com fragilidades básicas de gestão. Isso limita o acesso a crédito mais moderno e deixa o Plano Safra como principal alternativa”, afirma o executivo.

Plano Safra segue central, mas com condições mais restritivas

O Plano Safra continua sendo a principal política de crédito rural do país. No ciclo 2025/2026, o programa anunciou cerca de R$ 605 bilhões em recursos destinados à agricultura empresarial e familiar.

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No entanto, o cenário atual mostra mudanças importantes:

  • Redução do nível de subsídios
  • Aumento das taxas de juros
  • Maior seletividade na concessão de crédito
  • Ambiente financeiro mais restritivo

Esse movimento reforça a necessidade de diversificação das fontes de financiamento no agronegócio.

Mercado de capitais avança no financiamento do agronegócio

Paralelamente ao crédito tradicional, cresce a participação de instrumentos privados no financiamento do setor, como:

  • CPR (Cédula de Produto Rural) estruturada
  • CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)
  • Notas comerciais incentivadas

Esses instrumentos operam com maior nível de análise de risco e exigem mais transparência e organização por parte dos produtores e empresas do agro.

Segundo levantamento da Rio Bravo Investimentos com dados do Banco Central, em 2025 o estoque de títulos privados no Brasil superou o crédito bancário tradicional, alcançando R$ 2,21 trilhões contra R$ 2,19 trilhões.

Há dez anos, o mercado de capitais representava menos de um terço do crédito bancário.

No agronegócio, porém, a participação ainda é menor, estimada entre 25% e 30% do estoque total de crédito do setor.

“Enquanto o restante da economia já avançou nessa transição, o agro ainda está em processo de adaptação”, avalia Galvani.

Governança passa a ser diferencial competitivo no acesso a capital

Diferentemente do crédito bancário tradicional, o capital privado exige maior previsibilidade, transparência e estrutura de informações.

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Na prática, investidores buscam:

  • Dados financeiros organizados
  • Histórico de desempenho confiável
  • Gestão de risco estruturada
  • Clareza na operação produtiva
  • Capacidade de execução comprovada

Isso eleva o nível de exigência e transforma a governança em um fator estratégico para o produtor rural.

Organização financeira reduz custo e amplia oportunidades

Para o CEO da Arara Seed, a profissionalização da gestão não é apenas uma melhoria administrativa, mas um fator que impacta diretamente o custo do capital e a capacidade de crescimento no campo.

“A governança deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição para acessar novas fontes de crédito. Quem se organiza melhor amplia suas possibilidades e reduz o custo financeiro da operação”, afirma Henrique Galvani.

Agro brasileiro entra em nova fase do crédito rural

O agronegócio brasileiro segue reconhecido por sua eficiência produtiva, mas agora entra em uma fase em que a competitividade também será definida pela capacidade de gestão.

Em um ambiente com crédito mais seletivo e maior participação do mercado de capitais, produtores que estruturarem melhor suas operações terão mais alternativas de financiamento, maior autonomia e melhores condições de negociação.

“O crédito existe. As alternativas também. A diferença está em quem está preparado para acessá-las”, conclui o executivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Exportações de algodão do Brasil batem recorde em junho com embarques de 217 mil toneladas

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As exportações brasileiras de algodão registraram desempenho histórico em junho de 2026, alcançando o maior volume já embarcado para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou 217 mil toneladas da fibra, avanço de 63,4% em relação a junho de 2025.

Em receita, os embarques movimentaram US$ 350,6 milhões, crescimento de 64,1% na comparação anual, reforçando a competitividade do algodão brasileiro e a expansão da presença nacional em mercados estratégicos.

De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o resultado confirma o ritmo elevado das vendas externas e fortalece a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra.

Algodão brasileiro encerra safra 2025/26 com desempenho histórico

O recorde registrado em junho encerra um ciclo comercial marcado por forte desempenho exportador. A temporada 2025/26, considerada pelo setor entre julho de 2025 e junho de 2026, apresentou volumes expressivos mesmo diante de um início de safra mais lento.

Segundo a Anea, o Brasil registrou recordes mensais de exportação em sete dos 12 meses da temporada, incluindo:

  • outubro;
  • novembro;
  • dezembro;
  • março;
  • abril;
  • maio;
  • junho.

Para o presidente da entidade, Dawid Wajs, o resultado demonstra a capacidade do país em manter a regularidade dos embarques e ampliar sua participação internacional.

“Apesar de um início de safra mais lento, o Brasil conseguiu manter volumes elevados ao longo do período e registrar recordes mensais de exportação em diversos meses”, destaca.

Ásia concentra principais compradores do algodão brasileiro

Os mercados asiáticos continuam como principais destinos da fibra nacional. Em junho, Bangladesh, Turquia, Paquistão e Vietnã responderam juntos por 71,1% dos embarques brasileiros.

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A distribuição das exportações no mês ficou concentrada nos seguintes países:

  • Bangladesh: 21,7% das compras;
  • Turquia: 17,7%;
  • Paquistão: 17,4%;
  • Vietnã: 14,3%;
  • Indonésia: 7,6%;
  • China: 6,3%;
  • Índia: 6,3%.

Também participaram da pauta compradores como Malásia, Egito, Coreia do Sul, Tailândia, Maurício e Japão.

Bangladesh e Turquia ampliam participação no algodão brasileiro

Segundo a Anea, alguns mercados apresentaram crescimento histórico durante a temporada.

Bangladesh alcançou o maior volume já importado do algodão brasileiro, consolidando-se como principal destino da fibra em junho. A Turquia também registrou avanço significativo e manteve trajetória de crescimento nas compras brasileiras.

Outro destaque foi a Índia, que mais que dobrou o maior volume histórico adquirido anteriormente, reforçando sua importância estratégica para o setor exportador.

“A Índia teve um desempenho muito expressivo, mais do que dobrando o maior volume que já havia importado do algodão brasileiro”, afirma Dawid Wajs.

Brasil amplia presença no mercado global de algodão

Com o desempenho de junho, o algodão representou 0,97% das exportações totais brasileiras no mês, ocupando a 17ª posição entre os principais produtos exportados pelo país.

Dentro do agronegócio, a fibra respondeu por 4,31% das vendas externas do setor, ficando na terceira colocação entre os produtos agropecuários mais exportados no período.

O resultado reforça o papel estratégico do algodão brasileiro na geração de divisas e na consolidação do país como fornecedor confiável para a indústria têxtil mundial.

China mantém posição estratégica para o algodão brasileiro

Embora a China não tenha registrado recorde de compras na temporada, o mercado permaneceu relevante para o Brasil.

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Segundo a Anea, o volume exportado ao país asiático foi o segundo maior da série histórica, mantendo a presença brasileira em um dos maiores consumidores mundiais da fibra.

A Indonésia também manteve estabilidade nos volumes importados, enquanto Egito, Malásia e Coreia do Sul permaneceram como compradores tradicionais.

O Vietnã apresentou redução em relação a períodos anteriores, mas ainda manteve volumes considerados elevados pelo setor.

Diversificação logística fortalece exportações de algodão

Além do crescimento da demanda internacional, o setor destaca a evolução da infraestrutura logística para o escoamento da fibra brasileira.

O Porto de Santos continua como principal rota de exportação do algodão nacional, mas outros terminais vêm ampliando participação, especialmente o Porto de Salvador, que ganhou relevância nos últimos anos.

Também tiveram participação no embarque da fibra os portos de:

  • São Francisco do Sul;
  • Paranaguá;
  • Itaguaí;
  • Itajaí;
  • Rio de Janeiro.

Segundo a Anea, a diversificação das rotas contribui para maior eficiência logística e reduz a dependência de um único corredor de exportação.

Algodão brasileiro ganha competitividade no comércio internacional

O recorde de exportações em junho reforça a evolução da cadeia produtiva do algodão no Brasil, marcada pelo aumento da produtividade, qualidade da fibra e ampliação dos mercados compradores.

Com maior presença na Ásia e no Oriente Médio, o país consolida sua posição entre os principais exportadores mundiais e demonstra capacidade de atender à demanda internacional com regularidade e escala.

O cenário positivo para os embarques também fortalece produtores, tradings, cooperativas e toda a cadeia ligada à cotonicultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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