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Quarta fiscalização integrada notifica estabelecimentos por falhas em segurança e documentação

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A Prefeitura de Cuiabá promoveu a quarta etapa da Operação Alvará Regular em Casas Noturnas e mobilizou, entre 20h e 0h desta quarta-feira (27), equipes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), Corpo de Bombeiros Militar, Procon Municipal, Crea-MT e Polícia Militar em fiscalizações voltadas à regularização de estabelecimentos comerciais e casas noturnas da capital. A ação teve início em uma distribuidora localizada no bairro Residencial Coxipó, alvo recorrente de denúncias de poluição sonora, e seguiu para a região da Praça Popular, onde cerca de três estabelecimentos foram vistoriados.

Segundo o agente de fiscalização da Sorp, Aécio Benedito Dias Pacheco, a operação foi motivada por denúncias relacionadas à disputa de som em estabelecimentos da região e pela necessidade de verificar documentação, segurança e cumprimento das normas de funcionamento. Ele destacou que, apesar do movimento reduzido na noite de quarta-feira, novas fiscalizações ocorrerão na sexta-feira (29), abrangendo mais locais, antes do encerramento da operação, previsto para 3 de junho.

No primeiro estabelecimento fiscalizado, uma distribuidora em processo de transição para bar, o Corpo de Bombeiros constatou ausência de alvará, certificado de segurança contra incêndio e pânico, além da inexistência de equipamentos preventivos, como extintores, iluminação e sinalização de emergência. O local foi notificado e recebeu prazo de 90 dias para regularização.

O proprietário do estabelecimento, Eduardo Felipe Benites, avaliou a fiscalização como positiva e afirmou que recebeu orientações sobre regularização documental, controle de poluição sonora e adequação das informações ao consumidor. Ele também comparou a atuação atual dos fiscais com abordagens anteriores, que classificou como arbitrárias. “Hoje eles vieram orientar, explicar o que precisa ser feito e como regularizar”, relatou.

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Durante a vistoria, o Crea-MT apontou como principal não conformidade a ausência de banheiro adaptado para pessoas com deficiência (PCD). Segundo o coordenador da fiscalização preventiva integrada do órgão, Reinaldo de Magalhães Passos Toshiro, por se tratar de uma edificação antiga e sem obras em andamento, não há exigência imediata de adequação, mas a recomendação foi formalizada para futuras reformas.

Na Praça Popular, o segundo estabelecimento fiscalizado também apresentou pendências relacionadas ao Alvará de Segurança Contra Incêndio e Pânico. O Corpo de Bombeiros informou que o local já havia sido vistoriado anteriormente e recebeu orientações para adequações, como melhorias na instalação elétrica e instalação de corrimão. O estabelecimento foi advertido e terá 90 dias para regularizar a situação.

O Crea-MT identificou ainda inadequações no banheiro acessível do local. Conforme explicou Reinaldo Toshiro, a norma técnica atual prevê a existência de banheiro PCD exclusivo e unissex, permitindo o auxílio de acompanhantes de sexos diferentes, exigência que não é atendida pelo estabelecimento. A obrigatoriedade imediata da adequação depende da realização de reformas estruturais posteriores à atualização da norma, em 2020.

O subgerente operacional do estabelecimento, Claudiano Aires Oliveira, considerou a fiscalização necessária e afirmou que a atuação conjunta dos órgãos públicos contribui para garantir segurança aos clientes e regularidade aos estabelecimentos. “É importante para que todos os locais trabalhem dentro das normas e transmitam confiança ao consumidor”, disse.

No terceiro estabelecimento vistoriado, o Corpo de Bombeiros suspendeu o certificado de segurança e o alvará após identificar equipamentos preventivos vencidos e falta de manutenção. O proprietário foi advertido e recebeu prazo de 90 dias para regularização, sob risco de multa, interdição ou cassação definitiva do alvará caso as irregularidades permaneçam.

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O Crea-MT recomendou a instalação de barras de apoio, estudo para criação de banheiro acessível com acesso independente e implantação de guarda-corpo em área externa com desnível de aproximadamente 60 centímetros. O órgão também chamou atenção para problemas recorrentes de acessibilidade urbana em bairros antigos da capital, especialmente em calçadas e acessos ligados às faixas de pedestres.

Já no último estabelecimento fiscalizado da noite, os bombeiros encontraram extintores vencidos e ausência de sinalização de emergência. Como o Certificado de Segurança Contra Incêndio e Pânico havia sido emitido por procedimento simplificado, baseado em autodeclaração, o documento foi suspenso até que as irregularidades sejam sanadas.

O Procon Municipal informou que fiscalizou quatro estabelecimentos durante a noite. Segundo o agente Anderson Akerley da Silva, apenas um local apresentou produtos vencidos, sendo um saco de arroz e uma mortadela, recolhidos para descarte. Nos demais, a atuação teve caráter orientativo, com recomendações sobre exposição de preços, formas de pagamento e obrigatoriedade de disponibilização de informações do órgão de defesa do consumidor. “Foi uma noite tranquila e sem intercorrências graves”, avaliou.

A Operação Alvará Regular em Casas Noturnas segue até 3 de junho e integra uma força-tarefa iniciada após um incêndio registrado recentemente em uma casa noturna da capital. Na etapa anterior, realizada em 22 de maio, equipes da Prefeitura já haviam identificado irregularidades relacionadas a alvarás, acessibilidade, documentação sanitária e comercialização de produtos vencidos em estabelecimentos localizados nas avenidas Getúlio Vargas, Beira-Rio e Rua 24 de Outubro.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro

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A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.

Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.

A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.

Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.

O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.

O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.

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No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.

Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.

Combustível entra na mesma pressão

A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.

Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.

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A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.

O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.

Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.

O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.

Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.

Fonte: Pensar Agro

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