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Propriedade em Apucarana Torna-se Modelo na Produção de Tomate Orgânico

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A propriedade de Odete e José Valdomiro da Silva, localizada em Apucarana, tem se destacado como uma referência na produção de tomate orgânico. Iniciando suas atividades em 2018, o casal optou por uma abordagem livre de agrotóxicos, alcançando não apenas estabilidade financeira, mas também proporcionando oportunidades de trabalho para seus filhos.

Reconhecimento e Divulgação

O reconhecimento veio com o prêmio Orgulho da Terra 2023, na categoria de agricultura orgânica, uma iniciativa do Grupo RIC em parceria com o IDR-Paraná e Ocepar. Recentemente, a propriedade recebeu um evento técnico organizado pelo IDR-Paraná, onde agricultores e estudantes puderam vivenciar a rotina e os métodos de trabalho empregados na produção orgânica.

Produtividade e Sustentabilidade

Com um total de 13.500 pés de tomate distribuídos em nove estufas, a propriedade dos Silva tem alcançado resultados notáveis. Cada estufa produz, em média, 340 caixas de 20 kg de tomate em um período de três meses, proporcionando uma fonte de renda estável para a família. A transição para o cultivo orgânico não apenas reduziu os custos em 60%, mas também eliminou problemas com pragas, garantindo uma produção de qualidade.

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Experiência e Incentivo

A Tarde de Campo promovida na propriedade permitiu que 162 visitantes de treze municípios da região conhecessem de perto o trabalho realizado pelos Silva. O evento abordou desde o processo de cultivo até a comercialização, evidenciando os benefícios econômicos e ambientais da agricultura orgânica. Dona Odete expressou sua satisfação com o reconhecimento e incentivou outros produtores a considerarem a transição para o cultivo orgânico.

Impacto Regional e Sucessão Familiar

O interesse pela produção orgânica tem crescido na região de Apucarana, e a propriedade dos Silva serve como um exemplo inspirador. Além da redução de custos, a produtividade média de 6,6 quilos de tomate por planta destaca o sucesso do modelo adotado. A propriedade possui certificação participativa para produção orgânica e está envolvida em iniciativas locais de transição para práticas sustentáveis.

A trajetória dos Silva exemplifica não apenas a viabilidade econômica da agricultura orgânica, mas também seu potencial para promover mudanças positivas na saúde, no meio ambiente e na comunidade em geral. A premiação Orgulho da Terra e eventos como a Tarde de Campo desempenham um papel crucial na valorização e disseminação dessas práticas sustentáveis no setor agrícola.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio

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A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.

A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.

O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.

É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.

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O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.

O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.

Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.

Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.

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Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.

O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.

A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.

Fonte: Pensar Agro

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