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Projeto de Incentivo à Produção de Cana-de-Açúcar para Biocombustíveis Segue para Sanção Presidencial

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O Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o Projeto de Lei 3.149/2020, que garante aos produtores de cana-de-açúcar destinada à produção de biocombustíveis uma participação nas receitas geradas pela venda de créditos de descarbonização. O projeto segue agora para sanção presidencial, após não sofrer alterações durante sua tramitação na Casa.

De autoria do então deputado e atual senador Efraim Filho (União-PB), a proposta altera a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), estabelecendo um novo mecanismo de incentivo à produção de biocombustíveis e sua comercialização no mercado de créditos de descarbonização. O projeto foi aprovado pela Câmara em outubro deste ano, com urgência solicitada por líderes partidários, e seguiu diretamente para votação no Senado, sem passar pelas comissões temáticas.

Principais Pontos do Projeto

A proposta visa assegurar que os produtores de cana-de-açúcar recebam uma parcela das receitas obtidas com a venda de créditos de descarbonização (CBIOs). Esses créditos são gerados pelas usinas de etanol, que os negociam no mercado secundário como uma forma de comprovar a redução de emissões de gases do efeito estufa. A participação dos produtores será proporcional à quantidade de biomassa entregue às usinas de etanol e à sua nota de eficiência energético-ambiental, uma pontuação que atesta a sustentabilidade da produção.

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Inicialmente, os produtores terão direito a 60% das receitas geradas pela venda dos créditos, com a possibilidade de aumentar sua participação para até 85% caso atendam a critérios mais rigorosos de eficiência ambiental. O projeto também permite que os produtores de cana cedam essa participação para os produtores de biocombustível por meio de contrato.

Regras de Eficiência e Penalidades

O projeto estabelece que as usinas poderão emitir mais créditos conforme sua eficiência na produção e a comprovação de que a matéria-prima utilizada vem de áreas com vegetação nativa não desmatada, conforme exigido pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR). O Regulamento da ANP também define que o perfil padrão de eficiência será utilizado para etanol produzido a partir de milho e matérias-primas importadas, enquanto o perfil específico será adotado para etanol de cana-de-açúcar e outros insumos nacionais.

Caso os produtores de biocombustível não repassem a parte devida aos produtores de cana-de-açúcar, o projeto prevê sanções financeiras, com multas que podem variar de R$ 100 mil a R$ 50 milhões. Além disso, os distribuidores de biocombustíveis deverão comprovar a posse de estoque adequado de biodiesel e diesel, conforme as exigências de volume do mercado e regulamentação da ANP.

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Sanções por Descumprimento de Metas de Emissões

O projeto também prevê penalidades rigorosas para os distribuidores de combustíveis que não cumprirem as metas individuais de redução de emissões de gases do efeito estufa. O descumprimento será considerado crime ambiental, com penas de detenção de 1 a 3 anos e multa, que pode chegar a até R$ 500 milhões. A ANP publicará uma lista de distribuidores inadimplentes, que não poderão comercializar combustíveis ou importar diretamente novas remessas até regularizarem sua situação. Caso a meta não seja cumprida por mais de um exercício, a autorização de funcionamento do distribuidor pode ser revogada.

Com a aprovação, o projeto agora aguarda a sanção presidencial, podendo gerar novos incentivos à produção de biocombustíveis e fortalecer o mercado de créditos de descarbonização no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fertilizante feito com dejetos de porco pode reduzir dependência de fósforo

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Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começa a se consolidar como alternativa para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes fosfatados importados. Trata-se da estruvita, um insumo obtido a partir de resíduos da suinocultura que, em testes conduzidos pela Embrapa, foi capaz de suprir até 50% da demanda de fósforo na cultura da soja sem perda relevante de produtividade.

Nos experimentos, a produção alcançou 3.500 quilos por hectare, resultado próximo da média nacional de 3.560 quilos por hectare registrada em 2025 com adubação convencional. O desempenho indica que o produto pode ser incorporado ao manejo como complemento ao fósforo solúvel, especialmente em sistemas que buscam maior eficiência no uso de nutrientes e redução de custos.

A estruvita é formada pela precipitação química de nutrientes presentes em dejetos animais, gerando cristais de fosfato de magnésio e amônio. O processo transforma um passivo ambiental — comum em regiões de produção intensiva de suínos — em insumo agrícola, com potencial de reaproveitamento dentro da própria cadeia produtiva.

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Do ponto de vista agronômico, o diferencial está na liberação gradual do fósforo. Em solos tropicais, onde o nutriente tende a ser rapidamente fixado e perder disponibilidade, essa característica melhora o aproveitamento pelas plantas. A reação alcalina do material também contribui para maior eficiência no solo, em contraste com fertilizantes convencionais, predominantemente ácidos.

Os estudos também avançam no desenvolvimento de formulações organominerais. Em avaliações iniciais, essas combinações apresentaram maior difusão de fósforo no solo em comparação com a estruvita granulada, ampliando o potencial de uso em diferentes sistemas produtivos.

Além do desempenho agronômico, a tecnologia traz implicações econômicas e ambientais. Ao reduzir a dependência de insumos importados,  que ainda representam cerca de 75% do consumo nacional de fertilizantes, a estruvita se insere como alternativa estratégica em um dos principais componentes de custo da produção agrícola.

Outro impacto relevante está na gestão de dejetos da suinocultura. A recuperação de nutrientes permite reduzir a carga de fósforo e nitrogênio aplicada ao solo, diminuindo o risco de contaminação ambiental e abrindo espaço para maior intensificação da produção nas granjas.

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Apesar do avanço internacional, com unidades de produção em operação em países como China, Estados Unidos e Alemanha, o uso da estruvita ainda é incipiente no Brasil. A principal lacuna está no conhecimento sobre o comportamento do insumo em condições tropicais, marcadas por solos ácidos e alta presença de óxidos de ferro e alumínio, que influenciam a dinâmica do fósforo.

A pesquisa conduzida pela Embrapa, com participação de universidades e centros de pesquisa nacionais, busca justamente adaptar a tecnologia à realidade brasileira e viabilizar sua adoção em escala.

O avanço ocorre em linha com o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê a ampliação da produção interna e o desenvolvimento de fontes alternativas mais eficientes. Se confirmados os resultados em escala comercial, a estruvita tende a se consolidar como uma solução nacional para um dos principais gargalos estruturais da agricultura brasileira.

Fonte: Pensar Agro

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