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Projeto Campo Futuro avalia custos da pecuária leiteira em São Miguel do Oeste (SC)

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São Miguel do Oeste, no extremo-oeste catarinense, sediou na última sexta-feira (30) mais uma edição do painel do Projeto Campo Futuro, com foco na pecuária de leite. A iniciativa já passou por outras regiões do estado, como Chapecó, Treze Tílias e Braço do Norte.

O encontro foi realizado em formato híbrido e reuniu produtores rurais, representantes do Sistema Faesc/Senar, sindicatos rurais, técnicos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e especialistas da região.

Parcerias fortalecem o projeto

O painel foi promovido pelo Sistema CNA/Senar em parceria com o Sistema Faesc/Senar, o Sindicato Rural de São Miguel do Oeste e o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Representando o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, o superintendente Gilmar Antônio Zanluchi destacou a importância do projeto para o setor agropecuário catarinense. “O Campo Futuro identifica os problemas na raiz e oferece dados fundamentais para a tomada de decisões. É uma ferramenta de grande valor para o avanço das cadeias produtivas”, afirmou.

O presidente do Sindicato Rural de São Miguel do Oeste, Adair José Teixeira, também reforçou a contribuição do painel para o desenvolvimento da pecuária leiteira no estado.

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Objetivo do Projeto Campo Futuro

Segundo Guilherme Souza Dias, assessor técnico da CNA, o Projeto Campo Futuro é realizado desde 2007 e tem como objetivo levantar os custos de produção de mais de 60 atividades agropecuárias em todas as regiões do Brasil.

O levantamento é baseado na chamada “propriedade modal” – que representa o modelo mais comum de produção em cada região – e considera três níveis de custos:

  • Custo Operacional Efetivo (COE)
  • Custo Operacional Total (COT)
  • Custo Total (CT)

O município de São Miguel do Oeste já havia sido incluído em edições anteriores do projeto, e este novo painel teve como foco a atualização dos dados.

Perfil da propriedade modal na região

De acordo com Dias, a propriedade típica de São Miguel do Oeste é classificada como de média tecnologia.

Principais características:

  • Área de 20 hectares
  • Sistema semiconfinado
  • Predominância da raça holandesa
  • Produção média de 8.800 litros de leite por hectare ao ano
  • Produção diária de 350 litros em duas ordenhas
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Uso de inseminação artificial

Houve evolução em relação ao levantamento anterior: a produção média subiu de 300 para 350 litros diários, resultado da melhoria no manejo alimentar e na produtividade do rebanho. Além do pastejo, os animais recebem suplementação com silagem de milho e ração concentrada.

Resultados econômicos da atividade

O assessor técnico destacou que a propriedade modal é operada majoritariamente com mão de obra familiar. A receita obtida com o leite tem sido suficiente para:

  • Cobrir os custos operacionais
  • Remunerar o trabalho do produtor e de sua família
  • Formar reservas para investimentos na infraestrutura da propriedade

No entanto, o sistema ainda não gera receita suficiente para cobrir os custos totais da atividade.

Dias finalizou ressaltando que os custos com alimentação continuam sendo os mais expressivos, representando aproximadamente 50% da receita obtida com a venda de leite.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação de carne bovina aos EUA expõe frigoríficos brasileiros a até 2,8 milhões de hectares de risco de desmatamento na Amazônia Legal

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As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram forte expansão na última década, mas um novo levantamento acende alerta sobre riscos ambientais associados à cadeia produtiva.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques para o mercado norte-americano cresceram de 33.210 toneladas em 2016 para 271.826 toneladas em 2025, evidenciando a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.

No entanto, um estudo do Radar Verde aponta que frigoríficos habilitados na Amazônia Legal permanecem expostos a áreas com alto risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento.

Exposição ao risco pode chegar a 2,8 milhões de hectares

A análise avaliou sete empresas responsáveis por 15 frigoríficos habilitados a exportar carne para os Estados Unidos, com capacidade média de abate de 11.270 cabeças por dia.

De acordo com o estudo, essas unidades estão expostas a áreas de risco que variam entre 144 mil hectares e 2,8 milhões de hectares, considerando regiões com:

  • Áreas embargadas por desmatamento ilegal
  • Registros recentes de desmatamento
  • Potencial de desmatamento futuro em áreas fornecedoras

As regiões com maior concentração de risco estão localizadas principalmente em Mato Grosso e Rondônia, dentro da Amazônia Legal.

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Falhas de rastreabilidade e baixa transparência na cadeia

O estudo destaca que, apesar de 93% das plantas frigoríficas possuírem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público Federal, não há evidências consistentes de implementação efetiva ou monitoramento contínuo das políticas ambientais.

Outro ponto crítico é a rastreabilidade da cadeia produtiva:

  • 11 das 15 plantas controlam apenas fornecedores diretos
  • Nenhuma empresa apresentou dados auditados de fornecedores indiretos

Essa lacuna compromete a rastreabilidade completa do gado e dificulta a verificação de origem livre de desmatamento.

Proposta de lei nos EUA pode impactar exportações brasileiras

O estudo também avalia o cenário regulatório à luz da proposta conhecida como Forest Act 2023, ainda em tramitação no Congresso norte-americano.

A proposta exige que importadores de commodities como carne bovina, soja e cacau comprovem que os produtos não estão associados ao desmatamento ilegal, por meio de sistemas de due diligence e rastreabilidade completa.

Segundo o Radar Verde, caso a legislação estivesse em vigor atualmente, as exportações brasileiras de carne não estariam plenamente em conformidade com os requisitos propostos.

Pressões globais e impacto na produção agropecuária

O crescimento das exportações brasileiras para os EUA também está relacionado à necessidade de estabilização da oferta de alimentos no mercado norte-americano, em um cenário de inflação e eventos climáticos extremos que afetam a produção global.

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O estudo destaca ainda que a pecuária responde por 71% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, considerando emissões diretas e mudanças no uso da terra, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Recomendações apontam para rastreabilidade total da cadeia

Entre as principais recomendações do estudo estão:

  • Priorizar compras de frigoríficos com baixo risco de desmatamento
  • Implementar rastreabilidade completa, incluindo fornecedores indiretos
  • Fortalecer mecanismos de controle e auditoria independente
  • Considerar restrições a produtos oriundos de áreas recentemente desmatadas

O Radar Verde também alerta que lacunas regulatórias podem incentivar o avanço do desmatamento caso não haja maior rigor nas exigências de mercado internacional.

Cenário reforça pressão sobre o agronegócio exportador

O levantamento evidencia que, embora o Brasil amplie sua participação no mercado global de carne bovina, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à rastreabilidade, conformidade ambiental e exigências regulatórias internacionais.

O avanço das exportações dependerá cada vez mais da capacidade de comprovar sustentabilidade e origem livre de desmatamento em toda a cadeia produtiva.

Novo Estudo Radar

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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