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Projeção inicial aponta queda de 15% na produção de café arábica no Brasil para a safra 2025/26

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A consultoria Safras & Mercado divulgou, nesta semana, uma avaliação preliminar sobre a safra brasileira de café para 2025/26. De acordo com a projeção, a produção de café arábica no Brasil deverá alcançar 38,35 milhões de sacas, o que representa uma queda de 15% em comparação com a safra anterior. Esse número, embora inferior ao esperado, ainda supera a produção da safra 2021/22, que foi impactada por uma combinação de seca, geada e uma colheita recorde em 2020/21.

Impactos climáticos no arábica e perspectivas para o canéfora

O consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, explicou que a seca histórica que afetou o Sudeste do Brasil, especialmente os estados de São Paulo e Minas Gerais, prejudicou o desenvolvimento das plantas. A falta de energia nas lavouras comprometeu a florada de outubro, um fator crucial para a produção. Além disso, muitos produtores, antecipando a queda no rendimento das lavouras, realizaram poda excessiva (esqueletamento), o que também contribuiu para a redução do potencial de produção.

Em contraste, a produção de café canéfora (robusta/conilon) tem gerado otimismo para a safra 2025. Estima-se que a produção de canéfora possa variar entre 22 e 25 milhões de sacas, com a projeção preliminar da Safras & Mercado apontando para 24,10 milhões de sacas. No entanto, o otimismo ainda depende de um clima favorável nos primeiros meses de 2025, dado que a colheita de canéfora ocorre mais cedo e o quadro ainda permanece em aberto.

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Previsão de produção total e a situação global

A produção total de café no Brasil para 2025/26 é estimada em 62,45 milhões de sacas, uma queda de 5% em relação à safra de 2024/25. A principal causa dessa redução é a queda de 15% na produção de arábica, que continua sendo o principal desafio para o setor.

No mercado global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma produção mundial de café de 174,855 milhões de sacas para a safra 2024/25, um aumento de 4,1% em relação ao ciclo anterior. Contudo, essa estimativa foi revisada para baixo em comparação com o relatório de junho, que indicava 176,235 milhões de sacas. O consumo global de café também deverá crescer 3,1%, atingindo 168,071 milhões de sacas em 2024/25.

Expectativas para os estoques e mercados externos

O USDA estima que o superávit global de café será de 6,784 milhões de sacas em 2024/25, superior ao superávit de 5,023 milhões de sacas em 2023/24. Os estoques finais devem totalizar 20,687 milhões de sacas, contra 22,347 milhões de sacas no ano anterior. No Brasil, a safra 2024/25 foi revisada para 66,4 milhões de sacas, um ajuste em relação à previsão anterior de 69,9 milhões de sacas, enquanto a produção no Vietnã deve alcançar 30,1 milhões de sacas, também revisada para cima em relação ao número anterior de 29 milhões de sacas.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Café brasileiro terá que comprovar origem e rastreabilidade para manter espaço no mercado europeu

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O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar oportunidades comerciais para o café brasileiro, mas também inaugura uma nova etapa de exigências para exportadores e produtores nacionais.

Mais do que qualidade, produtividade e competitividade, o mercado europeu deve passar a exigir comprovação detalhada da origem do café, rastreabilidade completa da cadeia produtiva e evidências concretas de conformidade socioambiental.

O alerta é da especialista em ESG e vice-presidente da Sustentalli, Eliana Camejo, que aponta uma mudança estrutural na forma como compradores europeus irão avaliar fornecedores brasileiros.

ESG deixa de ser diferencial e passa a ser requisito comercial

Segundo Eliana Camejo, parte da cadeia cafeeira ainda pode estar subestimando o impacto das novas regras europeias sobre exportações agrícolas.

Na avaliação da especialista, ESG não deve mais ser tratado apenas como pauta reputacional ou ferramenta institucional. Para o setor cafeeiro, a agenda passa a representar condição estratégica para manutenção de mercados, mitigação de riscos comerciais e agregação de valor ao produto.

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A tendência é que compradores europeus exijam informações cada vez mais detalhadas sobre a produção, incluindo localização da área produtiva, regularidade ambiental, histórico de desmatamento, segregação de lotes, documentação comprobatória e governança dos dados.

Mesmo empresas já consolidadas no comércio internacional podem precisar ampliar seus sistemas de controle e monitoramento para atender ao novo padrão regulatório europeu.

EUDR aumenta exigências para café exportado à Europa

A pressão sobre a cadeia produtiva tem como base o Comissão Europeia Regulamento Europeu Antidesmatamento, conhecido como EUDR.

A legislação inclui o café entre os produtos sujeitos às novas exigências de rastreabilidade e comprovação de que não possuem relação com áreas desmatadas após o marco regulatório estabelecido pela União Europeia.

Pelas regras divulgadas pela Comissão Europeia, a aplicação ocorrerá em duas etapas:

  • 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores;
  • 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores.

Na prática, importadores europeus passarão a responder legalmente pela chamada diligência devida, exigindo de fornecedores brasileiros informações robustas sobre toda a cadeia produtiva.

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Isso deve impactar diretamente produtores rurais, cooperativas, armazéns, exportadores, transportadoras, beneficiadores e indústrias ligadas ao café.

Cadeia cafeeira precisará investir em governança e rastreabilidade

De acordo com Eliana Camejo, o diferencial competitivo do café brasileiro tende a migrar da qualidade isolada do produto para a capacidade de comprovação das práticas adotadas ao longo da cadeia.

Segundo ela, empresas que conseguirem demonstrar origem, rastreabilidade, regularidade ambiental e governança terão vantagem na manutenção de contratos e no fortalecimento da confiança junto ao mercado europeu.

Por outro lado, agentes que mantiverem estruturas frágeis de controle documental e gestão socioambiental podem enfrentar perda de valor comercial justamente em um momento de maior abertura internacional.

O cenário reforça a necessidade de modernização da cadeia cafeeira brasileira, especialmente em sistemas de monitoramento, integração de dados, compliance ambiental e transparência das operações voltadas à exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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