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Prevenção em bezerras reduz perdas de até R$ 1 mil por animal e aumenta rentabilidade na pecuária leiteira

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A eficiência da pecuária leiteira começa ainda nos primeiros dias de vida das bezerras. Especialistas alertam que falhas no manejo inicial podem comprometer diretamente a rentabilidade da produção, aumentando custos sanitários, reduzindo o desempenho produtivo futuro e atrasando o retorno financeiro da atividade.

De acordo com a MSD Saúde Animal, investir em prevenção sanitária, manejo adequado e tecnologias de monitoramento pode evitar perdas de até R$ 1 mil por animal, além de acelerar a entrada das bezerras na fase produtiva.

Diarreia neonatal lidera causas de perdas na pecuária leiteira

A principal preocupação dos produtores continua sendo a diarreia neonatal, responsável por mais de 50% das mortes de bezerras nos primeiros meses de vida.

Segundo Vanessa Masson, gerente técnica de Ruminantes da MSD Saúde Animal, os impactos econômicos vão muito além da mortalidade.

“Cada dia de tratamento de uma bezerra com diarreia pode representar perda de aproximadamente 115 quilos de leite na primeira lactação. Em casos de três dias de tratamento, o impacto pode chegar a 345 quilos de leite, equivalente a cerca de R$ 1 mil por animal no cenário atual”, destaca.

Além da queda no potencial produtivo, bezerras doentes apresentam menor ganho de peso e atraso na idade ao primeiro parto, prolongando o período em que o animal gera custos sem produzir receita para a fazenda.

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Falhas no manejo elevam riscos sanitários

Especialistas apontam que grande parte das doenças em bezerras está relacionada a falhas no manejo inicial.

Entre os principais problemas estão atrasos na oferta de colostro, deficiência na transferência de imunidade passiva, higiene inadequada durante o parto e no fornecimento de leite, além de instalações com baixa qualidade de ambiência e falhas no calendário vacinal.

Segundo Vanessa Masson, a prevenção deve ser tratada de forma estratégica dentro das propriedades leiteiras.

“O manejo correto associado à vacinação contra os principais agentes bacterianos e virais é fundamental para garantir crescimento saudável e antecipar a entrada da bezerra na fase produtiva”, afirma.

Tecnologia amplia controle sanitário nas fazendas

Além das práticas tradicionais de manejo, o uso de tecnologias de monitoramento vem ganhando espaço na pecuária leiteira como ferramenta para reduzir perdas e melhorar indicadores produtivos.

Entre as soluções disponíveis no mercado está o sistema SenseHub Dairy Youngstock, desenvolvido para monitoramento de bezerras e novilhas durante os primeiros 12 meses de vida.

A tecnologia permite acompanhar indicadores importantes relacionados à saúde e ao comportamento dos animais, como mamada, ruminação e atividade diária.

Segundo Thatiane Kievitsbosch, gerente de produtos de Soluções Tecnológicas para Ruminantes da MSD Saúde Animal, a identificação precoce de doenças é um dos principais benefícios da ferramenta.

“A detecção antecipada de problemas como diarreia e Doença Respiratória Bovina é essencial para garantir melhor desempenho produtivo no futuro”, explica.

Monitoramento ajuda a reduzir custos e aumentar produtividade

A utilização de dados em tempo real também permite ao produtor avaliar a eficiência dos protocolos sanitários, identificar falhas de manejo e melhorar a tomada de decisão dentro da propriedade.

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Segundo especialistas, o acompanhamento contínuo da saúde das bezerras contribui para reduzir custos veterinários, minimizar perdas produtivas e aumentar a longevidade do rebanho leiteiro.

A MSD Saúde Animal também mantém iniciativas de orientação técnica aos produtores, como o Programa Primeiros Passos, plataforma com informações sobre manejo, sanidade e criação de bezerras.

Investimento na fase inicial define rentabilidade futura

Estudos do setor mostram que, em média, uma vaca leiteira só começa a gerar lucro ao produtor a partir da segunda lactação. Por isso, garantir crescimento saudável desde o nascimento é considerado um dos principais fatores para elevar a eficiência econômica da atividade.

Com margens cada vez mais apertadas na pecuária leiteira, especialistas reforçam que investir em prevenção, manejo sanitário e tecnologia deixou de ser apenas diferencial e passou a ser estratégia essencial para aumentar produtividade, reduzir perdas e garantir sustentabilidade financeira nas propriedades rurais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Primavera chega terça com previsão de safra recorde mesmo sob ameaça de el niño histórico

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A primavera começa na noite de terça-feira (22.09) com o plantio da soja 2026/27 já em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A nova estação encontra o campo sob condições bastante diferentes: enquanto áreas do Sul enfrentam chuva frequente e risco de temporais, parte do Centro-Oeste ainda aguarda umidade suficiente no solo para ampliar a semeadura com segurança.

Nos próximos dias, uma frente fria deve manter o tempo instável no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, com possibilidade de chuva volumosa, rajadas de vento e granizo. A instabilidade também poderá alcançar Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso, Goiás e no interior do Nordeste, a tendência ainda é de calor, baixa umidade e precipitações mais irregulares.

Para o produtor, a principal preocupação não é apenas saber se vai chover, mas se haverá água suficiente no perfil do solo para sustentar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas. Pancadas isoladas podem molhar apenas a superfície e estimular uma semeadura prematura, seguida por vários dias de calor e tempo seco.

O plantio da safra 2026/27 começa sob um dos cenários climáticos mais contrastantes dos últimos anos. Prognóstico divulgado nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica chuva abaixo da média no Centro-Norte do país e excesso de precipitação no Sul durante a primavera. O El Niño deverá exercer forte influência, mas não será o único fenômeno capaz de determinar onde, quando e com qual intensidade vai chover.

A primavera começa às 21h05 de terça-feira (22), quando a semeadura da soja já estará em andamento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas de grãos em 2026/27, crescimento de 1,3% sobre o ciclo anterior. O resultado dependerá, em grande medida, da distribuição das chuvas durante a implantação das lavouras.

O prognóstico oficial para outubro, novembro e dezembro aponta déficit de precipitação no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. No sentido oposto, Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso apresentam condições favoráveis à ocorrência de chuva acima da média. As temperaturas devem permanecer elevadas em praticamente todo o Centro-Oeste, com desvios de até 2 graus Celsius no norte mato-grossense.

Essa diferença dentro de uma mesma região exige decisões localizadas. No norte de Mato Grosso e de Goiás, o risco é iniciar o plantio depois de uma chuva isolada e enfrentar calor intenso ou interrupção das precipitações durante a germinação. Em Mato Grosso do Sul e nas áreas mais ao sul de Goiás e Mato Grosso, a maior disponibilidade de água pode favorecer a soja, embora volumes elevados reduzam os períodos disponíveis para a entrada das máquinas.

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O Inmet e o Inpe recomendam o acompanhamento das previsões de curto prazo e da umidade armazenada no solo antes da semeadura. A precaução procura evitar falhas de emergência, formação irregular do estande e necessidade de replantio. A decisão também interfere na janela do milho e do algodão cultivados após a soja.

A estimativa preliminar da Conab aponta 49,3 milhões de hectares de soja, aumento de 1,4%, o menor crescimento percentual da área em duas décadas. A produção pode alcançar 181,6 milhões de toneladas, avanço de 0,7%. Para o milho, considerando as três safras, a projeção chega a 148 milhões de toneladas, alta de 2,8%.

O potencial produtivo existe, mas a margem para erros no calendário é menor. Se o plantio da soja atrasar no Centro-Oeste, parte do milho segunda safra poderá ser semeada fora da janela de menor risco climático. Se a implantação for antecipada sem água suficiente no solo, aumentam as despesas com sementes, combustível, mão de obra e operações de replantio.

No Sul, o problema tende a ser o excesso. O prognóstico aponta chuva acima da média nos três Estados, com acumulados que podem superar o padrão histórico do trimestre em até 200 milímetros no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A condição favorece a disponibilidade de água para as culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas pode limitar a entrada de máquinas e prejudicar a uniformidade da semeadura.

No arroz irrigado, o alerta é maior em áreas com drenagem deficiente. A combinação de solos saturados e precipitações frequentes pode comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das plantas. Soja e milho também ficam expostos à compactação do solo, erosão, lixiviação de nutrientes e redução dos intervalos disponíveis para aplicações e outros manejos.

A Região Sudeste apresenta um quadro dividido. São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais podem registrar chuva acima da média, com desvios de até 100 milímetros no trimestre. As condições tendem a favorecer a implantação de soja e milho e a recomposição da umidade nos cafezais e pomares.

No norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a irregularidade das chuvas, combinada às temperaturas mais altas, eleva o risco para lavouras de sequeiro. O prognóstico recomenda monitoramento diário nas áreas produtoras de soja dessas regiões. Para o café, chuvas bem distribuídas podem favorecer a florada e o pegamento; precipitações isoladas seguidas por novos períodos secos, porém, podem provocar florações desuniformes.

O cenário é mais restritivo no Norte e no Nordeste. A previsão oficial indica déficit de chuva em praticamente toda a Região Norte, com acumulados de até 200 milímetros abaixo da média em áreas de Roraima, Amazonas e Pará. No Nordeste, também predominam volumes inferiores ao padrão histórico, acompanhados por temperaturas que podem superar a média em cerca de 2 graus.

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No Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a irregularidade das chuvas pode atrasar a semeadura e elevar a demanda de água durante a emergência e o desenvolvimento inicial. Nas propriedades irrigadas, temperaturas maiores aumentam o consumo hídrico. Nas áreas de sequeiro, o risco está na grande diferença de volumes entre localidades próximas e até dentro de uma mesma fazenda.

A preocupação com o El Niño tem base concreta. Segundo a nota técnica conjunta do Inmet e do Inpe, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em 98% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. A projeção considera a possibilidade de a temperatura na região de referência do Pacífico ficar pelo menos 2 graus acima do normal.

A própria avaliação oficial, contudo, adverte que um El Niño mais intenso não produz automaticamente perdas mais graves. O efeito regional depende da interação entre oceano e atmosfera e da atuação de outros sistemas climáticos.

Entre esses fatores estão o Dipolo do Oceano Índico (IOD), o Modo Anular Sul (SAM), também chamado de Oscilação Antártica, e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO). Essas oscilações podem reforçar, deslocar ou reduzir os padrões normalmente associados ao El Niño. A condição do Atlântico também influencia a entrada de umidade no continente e a distribuição das precipitações no Brasil.

Na prática, isso significa que a classificação de “El Niño muito forte” não basta para orientar o plantio de uma propriedade. O produtor precisa acompanhar o comportamento regional das chuvas, o armazenamento de água no solo, a previsão para os dias seguintes e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

O escalonamento da semeadura, a utilização de cultivares com ciclos diferentes, a revisão da drenagem e a regulagem das máquinas ajudam a reduzir a exposição. No Centro-Norte, o cuidado é não confundir uma pancada isolada com o estabelecimento definitivo do período chuvoso. No Sul, a prioridade é aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em áreas excessivamente úmidas.

A nova temporada começa com perspectiva de outra colheita recorde, mas o volume final não será definido apenas pela força do El Niño. A combinação entre Pacífico, Atlântico, Oceano Índico e circulação atmosférica deverá produzir riscos diferentes entre regiões e até dentro de um mesmo Estado. Mais do que seguir um único indicador, o produtor terá de ajustar o calendário ao que efetivamente ocorrer em sua área.

Fonte: Pensar Agro

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